Soluções integradas para a cadeia produtiva do leite e da carne
Conjuntura
(postado em 11/12/2008)

Reinaldo Gomes*
Os insumos importados, principalmente os fertilizantes, correspondem a 40% dos custos de produção do agricultor. Diante dessa crise mundial de crédito, o setor agrícola brasileiro poderia sentir as conseqüências pelo fato de o País não dispor de reservas financeiras que pudessem ajudar aos produtores a lidar com as prováveis limitações de prazo para pagamento dos insumos importados. Por outro lado, na metade do mês de outubro, o governo aprovou uma ampliação dos recursos para crédito rural no valor de R$ 5,5 bilhões em toda a rede bancária, a uma taxa de juros de 6,75% ao ano.
Apesar desse sintoma de crise que ronda a economia brasileira, a injeção desse dinheiro ao volume de recursos destinados ao crédito rural ajudará a melhorar ainda mais os números que já mostram crescimento em relação à 2007. As exportações dos produtos lácteos, por exemplo, atingiram US$ 398 milhões, entre janeiro e setembro deste ano, contra US$ 299 milhões em 2007, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Por outro lado, os produtores de soja da região de Mato Grosso, esperam um final de 2008 pouco feliz. A começar pela queda no preço do grão e a alta dos fertilizantes, por causa da subida do dólar. Eles temem uma safra ruim com a ausência dos insumos importados, principalmente os defensivos.
Uma pesquisa, divulgada através da publicação de um livro, mostrou a cadeia produtiva do leite num gráfico de crescimento. Segundo informações do estudo, a produção de leite entre 1996 e 2005 cresceu 33%, saltando de 18,5 bilhões de litros para 24,5 bilhões de litros (dados do IBGE). O livro traça também uma projeção para o ano de 2020, com crescimento aproximado de 5% ao ano, a produção anual chegará aos 50 bilhões de litros. A publicação do material foi encomendada por diversas organizações, entre elas o Sebrae, e foi lançado na última Agrishow, em Ribeirão Preto, interior Paulista, em maio deste ano.
Isso tudo é reflexo de várias ações conjuntas de gestão. Porém, ainda é possível dizer que são necessárias muitas mudanças culturais por parte dos pequenos produtores para a adaptação às constantes mudanças que o mercado exige. Uma delas, talvez a mais fundamental, é a profissionalização no agronegócio, por ser um segmento que agrega cada vez mais tecnologia em busca da qualidade e segurança dos produtos.
Essas mudanças culturais poderiam começar pelas cooperativas, que reúnem um grande numero de pequenos produtores, como forma de unir forças para aumentar a rentabilidade do negócio. Isso fortaleceria o conceito da empresa agrícola, em substituição ao antigo modelo de “fazenda familiar”. A primeira vantagem é que isso torna o caminho mais curto e com menos obstáculos para a obtenção de crédito. Quase 80% dos produtores de leite no Brasil são agricultores familiares que são responsáveis por mais da metade da produção leiteira nacional. Boa parte dessa produção ocorre a partir de cooperativas.
Em cada região do país existe uma preocupação diferente sobre a questão responsabilidade social e sustentabilidade. Na região Norte, por exemplo, além da questão da produção pecuária de corte e leiteira, existe também um fator ambiental muito importante que é o desmatamento e a tentativa de promover uma produção sustentável de leite para que a pecuária leiteira possa conviver bem com áreas de florestas. Existem estudos para a melhoria da produção sem o aumento do desmatamento que vem sendo chamado de pecuária orgânica. Transformar uma área convencional para orgânica, exige mais recursos e um nível de desenvolvimento tecnológico muito mais avançado, além de uma interação precisa com o ambiente local, utilização de cultura regional e adaptação das tecnologias à realidade local. Isso é Responsabilidade Social.
Esse tema ganha força no país e aquece a idéia da sustentabilidade, que é o conjunto de todos os setores responsáveis pelo equilíbrio e bem estar dos produtores, da população, do empresário, do meio-ambiente, dos fornecedores e dos que estão ao redor de qualquer corporação, seja agrícola, industrial ou comercial - que são chamados de stakeholders.

Reinaldo Gomes é jornalista especializado na área econômica.
E-mail: reigomes@yahoo.com
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