Soluções integradas para a cadeia produtiva do leite e da carne
Meio Ambiente
(postado em 07/09/2009)

O desmatamento das florestas tropicais é responsável por cerca de 20% das emissões globais de gases do efeito estufa, mais do que o total emitido por todo o setor de transporte no mundo.
Neste dia 5 de outubro, os quatro gigantes brasileiros de abate e processamento de carne e couro do país deram um passo importante no esforço de evitar os impactos perigosos das mudanças climáticas. Em evento promovido pelo Greenpeace, na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, anunciaram os critérios socioambientais adotados para impedir que a floresta Amazônica continue a ser vítima da expansão da pecuária. Segundo dados do governo federal, a pecuária ocupa hoje 80% das áreas desmatadas na região. As empresas Marfrig, Bertin, JBS-Friboi e Minerva reafirmaram publicamente seu compromisso de não mais aceitar fornecedores envolvidos em novos desmatamentos no bioma Amazônia. E adotaram um programa de seis pontos que inclui prazos para cadastro das fazendas fornecedoras diretas e indiretas e o monitoramento rigoroso do desmatamento ao longo da cadeia produtiva. A iniciativa está aberta para adesão de outras empresas do setor.
“A adoção de medidas conjuntas demonstra a seriedade dos compromissos assumidos pelos grandes frigoríficos e ajuda a evitar a duplicação de esforços, agilizando a implementação de critérios que levem ao fim do desmatamento na produção pecuária brasileira”, afirmou Paulo Adário, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace.
A iniciativa dos gigantes do setor vem na esteira do lançamento do relatório “Farra do Boi na Amazônia”, do Greenpeace, que expôs a relação entre a destruição da floresta e a expansão da pecuária na Amazônia. Desde o seu lançamento, os principais supermercados do país e empresas multinacionais de calçados se comprometeram a excluir o desmatamento de sua cadeia de suprimento. Hoje, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) reafirmou seu apoio à iniciativa. Para o Greenpeace, o apoio dos supermercados é crucial para atrair outras empresas, de médio porte e que atuam na Amazônia, a aderirem ao acordo, sob pena de perderem mercado no Brasil e no exterior.
O evento também contou com a participação do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, que, em seu discurso, colocou a estrutura de seu Estado à disposição do setor. O governador anunciou que a meta do Mato Grosso é ter 100% das propriedades rurais cadastradas para fins de licenciamento ambiental no prazo de um ano. Para isso, o governo do Mato Grosso vai disponibilizar as ferramentas do programa MT Legal para desburocratizar e estimular o processo de cadastro e licenciamento ambiental, além de disponibilizar imagens de satélite em alta resolução para o monitoramento, permitindo, assim, a implementação de um sistema eficiente de rastreabilidade da pecuária no Estado.
“A bola, no Mato Grosso, agora está com os produtores rurais. Eles precisam se adequar à legislação ambiental e cadastrar suas propriedades junto ao governo do estado. É importante que a indústria estimule os fazendeiros a registrar e mapear suas propriedades, para que os compromissos assumidos hoje contra o desmatamento da Amazônia possam ser cumpridos”, explicou Adário.
Recentemente, o presidente Lula anunciou na Assembléia Geral da ONU, realizada em Nova York, nos Estados Unidos, meta de redução de 80% no desmatamento da Amazônia até 2020. Porém, a iniciativa dos grandes frigoríficos brasileiros e o apoio do governo do Mato Grosso sinalizam para o governo Lula a necessidade urgente de adotar todas as medidas necessárias para o enfrentamento da atual crise climática e a transição para uma economia de baixo carbono.
“Os frigoríficos estão se comprometendo a fazer sua parte. O governo do Mato Grosso também. Agora, o governo federal precisa ir além das boas intenções e fazer a sua, para garantir a governança necessária na Amazônia a fim de zerar o desmatamento até 2015, reduzindo a emissão de gases que agravam as mudanças climáticas”, afirmou Adário.
Em apenas dez semanas, governos de todo o mundo se reunirão em Copenhague, na Dinamarca, para discutir e costurar um acordo climático consistente para evitar as conseqüências desastrosas das mudanças climáticas. “O governo Lula saiu na frente anunciando metas de redução. Agora precisa demonstrar empenho para resolver o problema no campo”, disse Adário.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por cerca de 20% das emissões globais de gases do efeito estufa, mais do que o total emitido por todo o setor de transporte no mundo. Para o Greenpeace, um bom acordo climático só será realmente efetivo se lidar tanto com as emissões fósseis quanto da destruição florestal.
Redação Boi a Pasto, com informações do Greenpeace Brasil
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