• Nutrição
  • Terminação a pasto é requisito para o Selo de Certificação Nelore Brasil

    05/08/2021
    Consumir carne produzida som sustentabilidade é uma exigência do novo consumidor

    Por: Camila Gusmão – Portal Boi a Pasto

    A Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) lançou em meados de julho o Selo de Certificação Nelore Brasil para a carne Neloree, para conseguir a Etiqueta Verde, uma das exigências é aterminação a pasto. A certificação garante que o animal foi produzido de acordo com as leis ambientais e sociais.A linha Green, do Grupo Celeiroque produz em Rondonópolis e Cuiabá no Mato grosso, foi a primeira a ter a Certificação Nelore Brasil da ACNB. A embalagem dos produtos contem um QRCode com informações de origem, idade, características e até a história da fazenda, incluindo cortes de novilhas precoces, nascidas, recriadas e terminadas a pasto na fazenda do grupo, e rastreadas desde o nascimento.

    Para o empresário Marco Túlio Duarte Soares, receber essa certificação é importante, pois mostra a verticalização da produção, e a preocupação com as questões ambientais e sociais. “Muitas propriedades já estão com modelos sustentáveis.Prova disso é que hoje 64% do território do Mato Grosso e 63% do Brasil são preservados, e os números mostram que a pecuária do Mato Grosso vem produzindo mais arroba em menos hectare e com animais ainda mais jovens. No ano passado, por exemplo, foram abatidos 19% dos animais com menos de 24 meses. Se você olhar esse número há 8 anos atrás eram apenas 3%, então, por essa produção de genética na pecuária, estamos sendo mais eficientes, e, também nesse período,  a nossa pecuária cedeu 2 milhões de hectares de áreas degradadas para a agricultura e a gente vem aumentando como aumentamos de 26 para 30 milhões de cabeça no MT. A prova disso é que nós estamos com maior rebanho, produzindo mais peso e sendo mais eficientes. Isso, pra nós é sustentabilidade: respeitar as questões sociais, ambientais e produzir com eficiência”, afirmou em entrevista ao Boi a Pasto.

    Segundo o empresário e pecuarista, há uma grande extensão de áreas de pastagens sendo corrigidas no MT, além disso, devido a um trabalho de cuidado com o solo e manejo, numa área de um hectare onde se produzia uma cabeça de gado hoje se consegue produzir de 5 a 6 cabeças por hectare.“O segmento de carne hoje não se atende só público de idade avançada, temos um público jovem e com poder aquisitivo também entrando nesse mercado do consumo da carne, principalmente a gourmet. E esse público está antenado no sistema de produção, e quer um animal criado a pasto, que obedeceu aos quesitos de bem estar animal, que o sistema produtivo respeita as questões sociais e ambientais, então é essa a tendência para esse nicho de mercado”’, explicou Marco Túlio.

    Segundo ele a terminação a pasto traz um sabor diferenciado de um animal que teve a terminação a cocho. “Tem até um termo francês ‘terroir’ que traz alusão ao perfume da carne e é isso que a gente vem preconizando no nosso sistema de produção. Para mim como primeiro parceiro da ACNB a conquistar esse selo é sinal de muito orgulho, de que estamos mais a frente, preocupados com as questões ambientais e sociais, e para nós é algo que nos traz muito orgulho de ter um produto diferenciado”, destacou.

    Segundo Nabih Amin El Anouar, presidente da ACNB, conquistar esse tipo de certificação não é só necessidade do setor da pecuária, mas, sim, uma exigência do próprio consumidor brasileiro como também do internacional.“Justamente essas são as razões que mais nos criticam no exterior e contradizem o consumo da carne brasileira e devemos provar ao contrário, que a nossa carne é saborosa, suculenta, macia, tem qualidade e segurança alimentar e também a sua produção obedece todos os critérios da legalidade, sustentável e trabalhista. Agora o nosso produto terá nome, sobrenome, currículo endereço e,quando o consumidor comprar essa carne terá toda a identificação do produto, criador, fazenda, raça, se é macho ou fêmea, a idade do animal, rastreabilidade, peso ao abate, terá todas as informações e, ainda o histórico da fazenda onde essa carne foi produzida. E além disso, respeitando toda a legislação ambiental, de bem estar animal e trabalhista, o que dá tranqüilidade ao consumidor”, explicou o presidente da ACNB.

    De acordo com a associação 80% do rebanho de corte do país é Nelore, e se unir os cruzamentos industriais essa quantificação chega praticamente aos 90% da produção.“Esse projeto veio para ficar, primeiro porque a associação entende que é uma necessidade e transparência do setor pecuário brasileiro tanto para o consumidor interno quanto para exportação, segundo como exigência do consumidor de uma carne rastreada. Com o passar do tempo outras associações e raças devem partir para a mesma iniciativa se desejarem se manter no mercado. Hoje o consumidor é muito preocupado com as questões ambientais, trabalhistas, de identificação do produto que consome e, especialmente, com a segurança alimentar, então devemos produzir algo compatível. Queremos que o Brasil seja reconhecido não apenas como o maior rebanho comercial do mundo e maior exportação de carne bovina do mundo, mas, especialmente, como o  país que melhor produz carne bovina no mundo obedecendo a toda legislação ambiental e trabalhista”, afirmou.

     

     



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