• Nutrição
  • Seja agricultor de pastagem antes de ser pecuarista

    21/09/2021
    "O pecuarista precisa atuar como um empresário rural. Seja produtor de capim antes de ser pecuarista, a decisão de tratar pasto como lavoura vai fazer toda a diferença”

    Camila Gusmão

    “A decisão de tratar pastagem como lavoura” foi o tema apresentado pela professora e especialista em forragicultura e pastagens, Janaína Martuscello durante o evento 1º Encontro Nacional da Pecuária de Decisão realizado pela BovExo de forma híbrida em São Paulo (SP), no último dia 3 de setembro e transmitido pelo Canal Rural. Para ela, antes de ser pecuarista, o profissional tem que ser agricultor de pastagem, pois sem o desempenho adequado do pasto, o gado não engorda e o produtor não tem o retorno financeiro esperado na propriedade.

    Zootecnista pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro atualmente é professora adjunta da Universidade Federal de São João Del Rei, lecionando as disciplinas Fundamentos de Forragicultura e Forragicultura aplicada e coordena o Grupo de Estudos em Forragicultura (GEFOR) da UFSJ. Além de atuar como professora permanente do Programa de Pós graduação em Zootecnia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

    Para a especialista em forragem a produção de gado a pasto é mais barata do que em outros modelos de confinamento, por exemplo. Mas, para se ter uma boa produção de pastagem é essencial realizar o manejo e gestão, utilizando assim a terra de forma mais adequada e conseguindo ‘entregar ao ruminante’ um alimento de boa qualidade nutricional. Janaina enfatizou a extensão do território brasileiro, o que é propício para essa atividade agrícola. “Cabem vários países Europeus dentro da área de pastagem braquiária”, comentou..Atualmente cerca de 22% de todo território nacional é ocupado por pastagens, são mais de 170 milhões de hectares mas o mais impactante é que cerca de 80% dessas áreas estão iniciando algum processo de degradação ambiental. “Não cabe mais dentro do agronegócio espaço para a pecuária extrativista, é necessário trabalhar o pasto como lavoura. A capacidade de suporte do seu pasto de repor os nutrientes no solo é um recurso finito, ou seja, precisa de cautela desde o cuidado com o solo até a escolha correta da espécie forrageira”, explicou.

    “O primeiro sintoma da degradação ambiental é percebido conforme o desempenho dos animais”, ressaltou Janaina, pois otimizar a produção e melhorar a qualidade do alimento oferecido ao gado é mais importante, até mesmo do que a genética, já que para maximizar a produção animal é de suma importância a oferta de uma nutrição adequada”. Para ela, o pecuarista tem que entender que sem capim não tem desempenho e, consequentemente, não tem retorno financeiro”, assinalou.  Segundo ela, mudanças simples no manejo de pastagem já trazem resultados, como dividir o pasto e trazer a água mais perto dos animais. São alterações no manejo que otimizam a forrageira, melhorando a produção e a colheita pelos animais. “Estamos numa nova Era em que as tecnologias existem para serem utilizadas. O pecuarista precisa atuar como um empresário rural. Seja produtor de capim antes de ser pecuarista, a decisão de tratar pasto como lavoura vai fazer toda a diferença”.

     

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