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  • Recuperação de pastagens degradadas

    05/11/2014
    Recuperar pastagens degradadas é fundamental para a sustentabilidade da pecuária.

    O Brasil tem aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, dos quais mais da metade está em algum estágio de degradação, sendo uma boa parte já em estágio avançado. A recuperação é fundamental para a sustentabilidade da pecuária bovina e pode ser feita por recuperação direta ou por meio de integração com lavoura (iLP) e integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Esses sistemas têm se mostrado altamente eficazes no aumento da produtividade de bovinos, grãos, fibras e bioenergia, sem necessidade de abertura de novas áreas. Ou seja, fazendas que tinham pastagens degradadas, de baixa produção, quando adotaram esses sistemas, passaram a produzir mais, com diversificação de atividades e produtos. Além disso, contribuem substancialmente para a redução do aquecimento global.

    No Brasil, em cerca de 18 milhões de hectares de pastagens são adotados sistemas com manejo e recuperação das pastagens. A adoção dessas tecnologias tem aumentado e o Brasil assumiu o compromisso internacional de recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2020, e com isso reduzir entre 83 milhões e 104 milhões de toneladas de CO2 equivalente*. A meta faz parte do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), coordenado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que tem como objetivo ampliar a produção de alimentos e bioenergia com a redução dos gases de efeito estufa.

    Existem diferentes estratégias para a recuperação de pastagens degradadas. O primeiro passo é um diagnóstico da fazenda, identificando a situação atual e as áreas mais críticas. A partir de então, são definidas as estratégias de recuperação. Os casos mais simples muitas vezes podem ser resolvidos com um manejo correto do pastejo e uma lotação animal adequada. Em casos de o estágio de degradação estar mais avançado, deve ser feito o preparo do solo, a correção e adubação, o uso de leguminosas e o controle de pragas, doenças e plantas daninhas.

    As soluções disponíveis são adequadas a pequenas, médias e grandes propriedades rurais, porém a escolha e implantação de diferentes sistemas, como tipos de lavouras, espécies animais, de forrageiras e de árvores, deve ser feita cuidadosamente, analisando-se as condições da região e do produtor.

    Nos sistemas recuperados, especialmente em integração, o produtor conduz diferentes culturas na mesma área, simultaneamente ou em sequência. Além do aumento na produção animal, há o adicional da produção de grãos, fibra e biocombustíveis com redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) pela redução na idade de abate dos animais, fixação de carbono via fotossíntese e matéria orgânica no solo. Esses processos melhoram o rendimento total da terra e ainda ajudam na conservação do solo e água, pois na implantação e manutenção do sistema são necessárias várias ações de manejo benéficas para o sistema, como adubação, sombreamento, manutenção de matéria orgânica e biodiversidade no solo.

    A recuperação é fundamental para a sustentabilidade da pecuária bovina e pode ser feita por meio de integração com lavoura (iLP).

    As vantagens da recuperação de áreas degradadas são muitas. Entre as principais estão a redução de custos e de riscos de pragas, o melhor uso da terra, o aumento da eficiência no uso da mão de obra e dos recursos de produção e de energia, além da redução de emissões de gases de efeito estufa por unidade de produto obtido. 

    Atualmente, a produtividade média brasileira é em torno de 45 quilos de carne em equivalente carcaça por hectare. Com sistemas recuperados e melhorados, essa produtividade salta facilmente para 120 kg por hectare, em sistemas de cria-recria e engorda (ciclo completo).

    Os benefícios para o meio ambiente também são evidentes. A recuperação das pastagens tem potencial para reduzir em um ano a idade de abate dos animais. Um bovino adulto é responsável pela emissão de aproximadamente 1,5 tonelada de equivalente CO2 por ano. No Brasil são abatidos em torno de 40 milhões de cabeças por ano. Se metade desse rebanho for criado em sistemas mais eficientes, pode-se estimar a redução da emissão de 30 milhões de toneladas de equivalente CO2 por ano, apenas com a redução da idade de abate, sem considerar-se, por exemplo, a fixação de carbono no solo pelo sistema.

    Além disso, o manejo mais adequado das pastagens ajuda a preservar melhor os recursos de solo, água e biodiversidade. A adoção desses sistemas pode ainda gerar mais empregos e formação de pessoal, uma vez que eles exigem mão de obra mais qualificada. 

    O treinamento de técnicos e produtores e a adoção de novas práticas e tecnologias ainda são desafios a serem vencidos. Em sistemas ainda não degradados, os custos iniciais do sistema melhorado podem ser insignificantes, como apenas ajustes na lotação animal e reposição de nutrientes. Porém, se a área já estiver com avançado estágio de degradação, sendo necessária uma intervenção drástica, os custos serão mais altos, com risco de a recuperação não atingir o potencial anterior de uso da terra. 

    Daí a importância do manejo adequado e da tomada de decisão de recuperação em estágios iniciais de degradação. Além disso, nas propriedades onde os sistemas de integração foram adotados, os resultados têm sido muito melhores que os obtidos no sistema tradicional. Muitas dessas tecnologias têm sido utilizadas por mais de duas décadas, o que comprova sua efetividade. 

    Em regiões com maior vocação agrícola, os sistemas melhorados, que utilizam recuperação de pastagens, usualmente agregam também outras melhorias, como gestão e controle sistematizados, melhoria da genética animal, suplementação mineral correta e terminação mais rápida dos animais, bem como educação e treinamento da mão de obra. No aspecto de sistemas agrícolas, os sistemas melhorados, que têm a produção animal como um componente, utilizam plantio direto com consequente melhor conservação de água e solo, com maior tolerância a variações climáticas e menor incidência de plantas daninhas, pragas e doenças. Finalmente, o que se busca com a recuperação de pastagens degradadas e sistemas de integração é um uso muito mais eficiente dos recursos produtivos, com menor gasto de insumos e energia, melhorando a sustentabilidade do sistema como um todo.

    (*) CO2 equivalente – As emissões de gases do efeito estufa (GEEs) são expressas em toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), a medida padronizada pela ONU para quantificar as emissões globais, usando como parâmetro o CO2. Os seis gases considerados causadores do efeito estufa possuem potenciais de poluição diferentes. O cálculo do CO2 leva em conta essa diferença e é resultado da multiplicação das emissões de um determinado GEE pelo seu potencial de aquecimento global.

    Fonte: Embrapa Gado de Corte

     


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