• Nutrição
  • Projetos detectam 3% de pastagens em degradação avançada

    08/07/2014
    Extrapoladas as condições observadas a campo para as pastagens brasileiras, calcula-se que o montante para corrigir ou evitar a degradação soma R$ 30 bilhões até 2016.

    Cerca de 5 milhões de hectares de pastagens brasileiras devem ser reformados com urgência  por encontrarem-se no último estágio de degradação, segundo projeção da Agroconsult a partir das amostras coletadas em campo pelo Rally do ABC e o Rally da Pecuária. Outros 14 milhões de hectares precisariam de intervenção nos próximos 24 meses para que não atinjam esse estágio. Os dados integram o relatório especial do Rally do ABC, projeto conduzido junto com o Rally da Pecuária por solicitação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

    O Rally do ABC e o Rally da Pecuária foram realizados entre abril e maio pela Agroconsult e pela Agrosatélite. Imagens por satélite, analisadas no período entre 2003 e 2014, revelam que 28% das pastagens amostradas registram redução de biomassa, ou seja, estão em processo degradação. Outros 19% das pastagens, também em degradação, registram substituição de cobertura vegetal (estão infestadas por invasoras). No período, foram identificadas reformas em 12% das pastagens, mantendo números semelhantes aos observados ao Rally da Pecuária 2012.

    Se projetadas as condições observadas a campo para as pastagens brasileiras, calcula-se que os recursos para corrigir ou evitar a degradação são estimados em cerca de R$ 30 bilhões até 2016. Parte destes recursos virá do próprio pecuarista, cuja renda vem melhorando com o avanço da produtividade, enquanto que outro montante será obtido via financiamento, como o programa de mitigação das emissões de carbono do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

    Essas são as principais conclusões do Rally do ABC, cujo objetivo principal foi avaliar a implantação do Plano da Agropecuária de Baixo Carbono a campo, além de verificar como e com que frequência a linha de crédito do Programa ABC tem sido aplicada pelos produtores nos estados brasileiros pelos quais a expedição passou.

    Segundo Maurício Palma Nogueira, coordenador de Pecuária da Agroconsult, 41,6% dos produtores contatados durante a expedição afirmaram aplicar algumas das técnicas fomentadas pelo Plano ABC, como a recuperação de áreas degradadas, integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF),  plantio direto, florestas comerciais e fixação biológica de nitrogênio. A área total relacionada a essas tecnologias é de 9,2%  da amostra.

    Se incluída a área já repassada para a agricultura, chega-se a 16,6% das áreas diretamente relacionadas às técnicas fomentadas pelo Plano ABC. Outros 43% da área são conduzidos com técnicas de aumento da produtividade que se enquadram direta ou indiretamente no Plano ABC.

    Nogueira explica que 46,8% dos entrevistados pretendem iniciar projetos de integração envolvendo pecuária, florestas e agricultura; 84% destes produtores apontaram qual a área que pretendem integrar, representando 4,8% da atual área de pastagens. “Parece pouco, mas se fosse extrapolado para o total da área de pastagens do Brasil, representaria 8,1 milhões de hectares na iminência de entrar em ILPF”, complementa.

    Do total de entrevistados, 14,5% pretendem passar a área de pastagens para arrendatários e  90% destes afirmaram que repassariam 1,6% do total da área de pastagens. “Se extrapolados para o total do Brasil, seriam 2,69% da área que migrariam de pastagens para agricultura no curto prazo no período de 1 a 2 anos”.

    Entre os pecuaristas, 55% usam algum tipo de financiamento para a produção e apenas 16% deste total utilizam a linha ABC. Como era previsto pela equipe do MAPA, as linhas mais utilizadas são os fundos constitucionais (FCO, FNE, FNO), sendo que as principais vantagens apontadas foram as taxas de juros (38%) e as condições de pagamento (35%).

    A produtividade estimada para o ciclo completo entre os pecuaristas que captaram recursos para o ABC é de 12,6 arrobas por hectare/ano, ou seja, 34% acima da média da amostra total do Rally da Pecuária 2014. Já a média observada no público do Rally deste ano foi 35% superior em relação à observada na edição de 2012.

    Com base nos resultados observados, constata-se que as técnicas fomentadas e a implantação de tecnologia na pecuária de corte tendem a contribuir consistentemente com a redução das emissões de carbono do país. O plano ABC, desde que devidamente implementado, proporcionará que os objetivos sejam atingidos a médio e longo prazo.

    Na análise por imagem de satélite, a intervenção das pastagens dentro das técnicas fomentadas no Plano ABC apresentou resultados satisfatórios. Segundo Daniel Aguiar, sócio da Agrosatélite, o pico de biomassa aumentou 20% em relação à situação anterior, possibilitando maior disponibilidade de capim e oportunidade de manejo. Em média, a lotação aumentou 222% em relação à situação anterior (2012). Mesmo com a lotação e a pressão de pastejo significativamente superiores, as pastagens que vem recebendo todo o pacote tecnológico ainda permitem um índice de massa superior ao de 2012.

    As cinco equipes técnicas do Rally da Pecuária visitaram propriedades em 169 municípios, em um total de 55 mil quilômetros percorridos, mapeando e fotografando pastagens, e entrevistando cerca de 120 pecuaristas. A edição 2014 teve início em 24 de abril, em Campo Grande, e terminou no dia 28 de maio, com o levantamento de informações, in loco, das condições das pastagens e da bovinocultura das áreas de cria, recria, engorda e confinamento do país.

    Fonte: Rally da Pecuária

     


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