• Manejo
  • Preparo de área sem uso do fogo

    04/12/2014
    São vários os efeitos negativos do uso do fogo, com destaque à redução da fertilidade dos solos com redução da produtividade dos cultivos e degradação florestal.

    Moisés de Souza Modesto Junior e Raimundo Nonato Brabo Alves*

    Nos últimos anos têm sido divulgado na mídia diversos estudos enfatizando o aumento da temperatura média global do ar e como consequência, secas persistentes, enchentes calamitosas, derretimento generalizado da neve e do gelo e a elevação do nível do mar ameaçando a segurança alimentar e comprometendo os esforços para a redução da pobreza e do desenvolvimento sustentável. O aquecimento global tem sido apontado como principal evidência dessa mudança do clima devido às emissões de gases de efeito estufa (GEE).

    As emissões de gases de efeito estufa ocorrem praticamente em todas as atividades humanas e setores da economia: na agricultura, principalmente por meio das queimadas por ocasião do preparo da terra para plantio e aplicação excessiva de fertilizantes; na pecuária, pelo não tratamento de dejetos animais e pela fermentação entérica do gado que produz gás metano no sistema digestivo que é exalado no ambiente; no transporte, pelo uso de combustíveis fósseis, como gasolina, diesel e gás natural; no tratamento dos resíduos sólidos, pela forma como o lixo é tratado e disposto; nas florestas, pelo desmatamento e degradação de florestas; e nas indústrias, pelos processos de produção, como cimento, alumínio, ferro e aço.

    Entre esses fatores que provocam mudanças climáticas destacam-se as queimadas e o desmatamento das florestas para agricultura e pecuária que ocorrem na Amazônia, incluindo os incêndios florestais, as queimadas das capoeiras e savanas, entre outros.

    São vários os efeitos negativos do uso do fogo, com destaque à redução da fertilidade dos solos com redução da produtividade dos cultivos, degradação florestal, aumento da frequência de chuvas ácidas, doenças pulmonares, redução da capacidade de trabalho pela dificuldade em trabalhar em clima mais quente.

    Mesmo assim, a floresta e a vegetação de capoeira continuam sendo derrubadas e queimadas para cultivos agropecuários, colocando o Brasil como um dos principais protagonistas de emissões de GEE. Por exemplo, no Estado do Pará, os meses  de outubro a dezembro, período de menor precipitação pluviométrica, ocorrem as atividades de derruba e queima da vegetação de capoeira para preparo de área visando o plantio das culturas temporárias e permanentes, início do período chuvoso, em janeiro.

    Para redução das queimadas foi publicada uma cartilha denominada de Roça Sem Fogo que orienta os agricultores familiares sobre práticas e procedimentos visando o preparo de área de capoeiras entre 5 e 10 anos de idade, sem uso do fogo, utilizando somente ferramentas manuais.

    Na técnica de preparo de área da Roça sem Fogo buscam-se extrair retorno econômico dos recursos naturais madeireiros e não madeireiros, deixando-se na área as espécies de importância econômica como fruteiras, essências florestais, espécies melíferas, medicinais, oleíferas e outras, num espaçamento mínimo de 20 m uma das outras, para evitar o sombreamento das culturas temporárias.

    As vantagens da roça sem fogo estão relacionadas com a preservação da matéria orgânica e da liberação gradual de macro e micronutrientes para o solo. O preparo de área não fica dependente da estação seca, permitindo maior flexibilidade no calendário. Mas o grande benefício da Roça sem Fogo é a redução das queimadas e redução da emissão de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.

    Por exemplo, como a mandioca é a principal cultura cultivada pelos agricultores familiares pode-se produzir a mandioca, adotando a técnica da Roça Sem Fogo, descrita na cartilha, tendo como sequência a implantação de sistemas agroflorestais (SAFs), pois além da receita auferida com a cultura da mandioca, adiciona-se a receita com a venda de produtos madeireiros (moirões para cercas, caibros para construção civil, lenha e carvão) e não madeireiros (óleos, sementes, artefatos para artesanatos) e posteriormente das espécies frutíferas perenes (açaizeiros, cupuacuzeiros, bananeiras, pupunheiras, laranjeiras, castanheiras, ipê, mogno, andirobeira, entre outras), mantendo-se a biodiversidade com conservação de solo. A copa das árvores, que permanece na área triturada como cobertura do solo, protege contra a erosão, aumenta a fertilidade pelo fornecimento de nutrientes para as plantas após o processo de decomposição.

    A cartilha é fartamente ilustrada e escrita em linguagem simplificada para facilitar o entendimento dos agricultores. Para treinamentos e capacitações contatos podem ser feitos para a Embrapa Amazônia Oriental nos fones: (91) 3204. 1208 ou e-mails:raimundo.brabo-alves@embrapa.br e moises.modesto@embrapa.br

    Clique aqui para baixar a cartilha

    *Moisés de Souza Modesto Junior é analista da Embrapa Amazônia Oriental

    *Raimundo Nonato Brabo Alves é pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental

    Fonte: Embrapa Amazônia Oriental / Portal Dia de Campo (www.diadecampo.com.br)

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