• Conjuntura
  • PIB do agronegócio encerra 2019 com alta de 3,81%

    19/03/2020
    Pesquisadores do Cepea indicam que o grande destaque do agronegócio no ano foi o ramo pecuário, que cresceu 23,71%

    Divulgação.

    O PIB do agronegócio brasileiro cresceu 3,81% em 2019, uma alta importante após dois anos sucessivos de resultados pouco favoráveis ao setor, que vinha sofrendo com preços relativos cada vez menores. Com esse desempenho, em 2019, o PIB do agronegócio representou 21,4% do PIB brasileiro total. Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, calculados em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e com a Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz).

    Pesquisadores do Cepea indicam que o grande destaque do agronegócio em 2019 foi o ramo pecuário, que cresceu expressivos 23,71%. Embora, em geral, a demanda interna não tenha atendido às expectativas dos agentes de mercado, tendo ficado enfraquecida em grande parte do ano, o bom desempenho das exportações de carnes foi um dos principais fatores a assegurar o excelente resultado do PIB do ramo.

    A ocorrência do surto de Peste Suína Africana (PSA) nos países asiáticos causou um forte aumento na demanda mundial por carnes, com destaque para o papel da China, e os preços internacionais das proteínas animais subiram expressivamente, o que se refletiu nos preços domésticos. Aproveitando o cenário favorável, o setor reagiu e expandiu sua produção. Então, em 2019, as cadeias pecuárias produziram mais e exportaram mais, a preços reais maiores.

    Segundo pesquisadores da equipe de Exportações/Cepea, os volumes exportados de carne suína, bovina e de aves aumentaram 16%, 15% e 4%, respectivamente, em 2019. Ao mesmo tempo, os preços em dólares das carnes suína, de aves e bovina cresceram 13,6%, 5% e 3,7%, respectivamente.

    Já o PIB do ramo agrícola do agronegócio recuou 3,46% em 2019, mesmo com o crescimento dos elos industriais (insumos e agroindústria). Segundo pesquisadores do Cepea, a pressão sobre o ramo atrelou-se à queda de 13,95% no PIB do segmento primário agrícola, que, por sua vez, foi influenciado pela combinação entre crescimento do custo de produção e redução de preços de produtos importantes, como algodão, café, mandioca e soja. Ao mesmo tempo, a produção média ponderada das diversas atividades agrícolas acompanhadas aumentou 1,89%, impulsionada pelas volumosas safras de algodão, banana, cana-de-açúcar, laranja e milho.

    De modo geral, em 2019, o desempenho do agronegócio no front externo foi importante para o bom resultado do PIB. Além do complexo carnes, pesquisadores da equipe de Exportações/Cepea destacam o forte aumento no volume exportado de milho, algodão, café, frutas e etanol. Por outro lado, as quedas do volume exportado e dos preços internacionais do complexo soja – líder em participação na pauta de exportações do setor – atuaram em sentido contrário. Com isso, a relação entre o valor exportado e o PIB do agronegócio, que passou a ser calculada pelo Cepea, se manteve elevada, ficando em 25,9% – segunda maior participação da série histórica iniciada em 2000.



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