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  • Pesquisas apontam formas de evitar síndrome da morte da braquiária no MT

    10/10/2014
    Pesquisas realizadas pela Embrapa apontam alternativas para os pecuaristas que sofrem com a síndrome da morte da braquiária, um dos principais responsáveis pela degradação de pastagens em Mato Grosso. Estima-se que dos 25,8 milhões de hectares com plantas forrageiras do estado, mais de 2 milhões de hectares apresentem algum tipo de mortalidade, sendo este problema responsável por boa parte dos danos.
    Mudança no uso da terra na região e o segundo é a mudança da relação entre os patógenos (fungos e a planta) são os principais motivos para o surgimento da síndrome. Foto: Gabriel Faria

    A síndrome, também chamada de morte súbita, é conhecida desde a década de 1990, quando começou a ocorrer no estado do Acre. Ela acomete, sobretudo, as pastagens com a Brachiaria brizantha cv. Marandu (braquiarão ou brizantão).

    O problema é comum na região Norte do país e em algumas áreas do Centro-Oeste mais próximas da Amazônia, como o norte de Mato Grosso. Estes locais possuem um regime intenso de chuvas, passando dos 2.000mm anuais, e solos mal drenados ou de baixa permeabilidade. Desta forma, ocorre o alagamento ou encharcamento do solo, reduzindo a oxigenação das raízes do brizantão. Como esta planta tem baixa adaptação a estas condições, fica mais suscetível ao ataque de fungos causadores de doenças presentes no solo. A ação destes microrganismos faz com que as folhas fiquem amareladas e murchem, o que resulta na mortalidade em touceiras e em grandes reboleiras.

    De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril, Bruno Pedreira, são dois os motivos para que o problema tenha se intensificado nos últimos anos. O primeiro é a mudança no uso da terra na região e o segundo é a mudança da relação entre os patógenos (fungos e a planta).

    "Tínhamos floresta densa, com alta diversidade. Isso foi retirado e hoje temos áreas contínuas de monocultivo de pastagens. As raízes exploravam cinco a dez metros de profundidade, enquanto hoje exploram de 20 a 30 centímetros. Isso fez com que a dinâmica de água no perfil do solo se alterasse ao longo dos anos. Além disso, houve redução na biodiversidade, o que fez com que a relação fungo/hospedeiro ficasse mais próxima e quando eles encontram uma planta suscetível, junto a um ambiente favorável, resulta no problema", explica.

    Alternativas

    De acordo com Bruno Pedreira, a única alternativa para evitar a morte da braquiária é a substituição do capim Marandu nas áreas onde o problema ocorre. Para dar maior subsídio ao produtor no momento da escolha de qual forrageira utilizar nessa substituição, foi desenvolvida nos últimos três anos uma pesquisa que buscou validar o conhecimento existente sobre a síndrome e testar o comportamento de diferentes materiais em três Unidades de Referência Tecnológica nos municípios de Terra Nova do Norte, Nova Guarita e Alta Floresta (MT).

    Em termos de desempenho em acúmulo de forragem, os capins do gênero Panicum, como Mombaça e Tanzânia, com aproximadamente 30 e 22 toneladas/ha respectivamente, obtiveram o melhor resultado na avaliação feita na Fazenda Maringá, em Alta Floresta. Entretanto, o pesquisador ressalta a necessidade de adequar o sistema de produção quando estes materiais são utilizados.

    "Quanto maior a produção, mais estacional é a planta. Ou seja, significa que ela produzirá pouco durante a seca e será necessário ter outras fontes de alimento na fazenda", explica o pesquisador.

    Os capins Xaraés, Piatã, Massai, Llanero e Mulato II ficaram num segundo patamar, variando a produção de forragem entre 18 e 16,8 toneladas/ha. O Marandu teve a menor produtividade, com 12,2 toneladas/ha, ficando atrás da Ruzizienses e do Estrela.

    Os testes mostraram ainda que além do Marandu, o Piatã e o Mulato II apresentaram o problema da síndrome da morte da braquiária, o que mostra que eles também não seriam indicados para a substituição do braquiarão nos locais com a mortalidade.

    O pesquisador Bruno Pedreira ressalta ainda que ao fazer a substituição, o pecuarista deve diversificar as plantas forrageiras. O uso de várias espécies traz maior segurança, reduzindo a chance de insucesso.

    "Não se recomenda que um capim seja plantado em mais de 40% da área de uma propriedade, portanto, é aconselhável a utilização de pelo menos três plantas forrageiras numa propriedade. No caso dos capins, esses sempre devem ser plantados em pastos diferentes, isto é, não se deve misturar mais de um tipo de capim no mesmo piquete", alerta Pedreira.

    Zoneamento

    Outra ferramenta que irá ajudar o pecuarista mato-grossense a evitar perdas é o zoneamento edáfico das áreas de risco da ocorrência da síndrome da morte da braquiária. Este trabalho acaba de ser lançado pela Embrapa e irá orientar sobre as áreas com maior chance de haver o problema.

    Para elaboração deste zoneamento foi feita uma interpretação de características de solos relacionadas à baixa permeabilidade e excesso de água, com base em mapas pedológicos da Amazônia Legal, o levantamento do uso de solo e da cobertura vegetal em Mato Grosso, o regime pluvial de cada região e ainda foram realizadas duas expedições a campo para identificar pontos de ocorrência de morte do capim Marandu.

    O resultado é um mapa que aponta o risco de ocorrência da síndrome em cada região de Mato Grosso, orientando as decisões do produtor.

    "Identificar as áreas com risco de ocorrência é a primeira informação que o pecuarista precisa para definir qual forrageira usar em sua propriedade. A partir daí entram as informações sobre qual cultivar é mais indicada para a substituição e quais técnicas usar para fazer a reforma da pastagem", afirma o chefe-geral da Embrapa Meio Ambiente e responsável pela elaboração do zoneamento, Celso Manzatto.

    Os dados do zoneamento mostram que 29,5% das áreas usadas em atividades agropecuárias em Mato Grosso têm risco forte ou muito forte de apresentarem a síndrome da morte da braquiária. Isto equivale a 26,5 milhões de hectares que estão em sua maioria situados na Amazônia mato-grossense.

    "Em regiões como o noroeste do estado o problema é grave. Isso deverá mudar a forma de uso da terra. São quase 20 anos usando o mesmo capim e, partir de agora, os produtores terão de lançar mão de outras forrageiras. Para viabilizar financeiramente, terão de usar outras estratégias na reforma, como o uso de culturas anuais. Nestas regiões com risco muito forte a forma de uso terá de ser repensada", alerta Manzatto.

    De acordo com o pesquisador, o zoneamento também será um importante instrumento para o direcionamento de políticas públicas, como o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono).

    "As informações deste estudo irão orientar os locais onde deve haver esforço adicional para recuperação de pastagens e uso de sistemas integrados, como a integração lavoura-pecuária-floresta, por exemplo", explica Celso Manzatto.

    Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril 



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