• Conjuntura
  • Pecuaristas que usam proteção de preço melhoram sua renda

    10/12/2014
    Gestores com mais escolaridade controlam custos mais eficientemente.

    Estudo, realizado através do Programa de Pós-Graduação em Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP, identificou as características dos pecuaristas que praticam confinamento, utilizando instrumentos de proteção de preço (hedge). Os pesquisadores observaram que confinamentos de maior porte são praticados por gestores com maior nível de escolaridade. Eles controlam custos mais eficientemente e possuem experiência no uso de hedge; o que os tornam mais propensos a utilizar ferramentas de proteção de preço.

    Na pecuária, a prática de estabelecer um preço futuro é feita por meio de contratos negociados em Bolsa (mercado de opções ou contratos futuros) ou através de contratos negociados diretamente com os frigoríficos (contratos a termo). Quando o gado entra em confinamento, etapa que dura em média 90 dias, o produtor já define uma data de venda do boi gordo e garante o valor de remuneração, é o chamado hedge.

    “Conhecer melhor esse pecuarista pode ajudar o governo a criar políticas que incentivem o uso do hedge e também ajudar empresas a desenvolverem produtos e abordagens que possam aumentar sua taxa de uso”, afirma o autor da pesquisa, Hyberville D’Athayde Neto. O estudo relata, por exemplo, que em 2013 apenas 8% dos confinadores do estado de Mato Grosso utilizaram hedge na comercialização de sua produção.

    Minimizar riscos

    Segundo o pesquisador, o hedge é uma forma de minimizar o risco do negócio, proporcionando renda ao pecuarista. “Resultados financeiros melhores ajudam a reduzir a migração da pecuária para a agricultura. Hoje, a pecuária tem perdido área, seja pela migração do produtor para a agricultura, seja pela venda de áreas de pastagens”, explica.

    De acordo com os resultados obtidos com a pesquisa Fatores determinantes da utilização de ferramentas de gestão de risco de preços do boi gordo para confinadores, orientada pelo professor Evandro Marcos Saidel Ribeiro, contar com um gestor pós-graduado é uma característica relacionada ao uso de proteção de preços. Da mesma forma, a empresa rural que realiza um bom controle de custos também tende a utilizar mais o hedge.

    “A partir do momento que o pecuarista sabe exatamente qual o seu custo ele passa a utilizar o hedge justamente para cobrir este custo e adicionar a rentabilidade desejada”, explica Neto. A prática do confinamento exclusivo, no qual o pecuarista não possui o pasto e compra no mercado 100% do rebanho que irá confinar, também é uma característica comum em produtores que utilizam ferramentas de hedge.

    Confinamentos com maior quantidade de cabeças de gado também tendem a utilizar mais a proteção de preço do que os produtores de menor porte. Da mesma forma, a experiência prévia com hedge, tanto no próprio mercado do boi gordo quanto no mercado de grãos, também é uma das características dos confinadores que protegem o preço de sua produção. Produtores que mantêm parcerias de fornecimento junto a frigoríficos também costumam utilizar mais o hedge do que aqueles que não possuem esse tipo de contratos de fornecimento.

    Por outro lado, participação em entidades de classe como sindicatos e associações não foram relevantes para o uso do hedge, assim como a utilização de consultorias (técnica ou de marcado) ou mesmo a idade dos pecuaristas. “Na literatura atual encontramos artigos que afirmavam serem os jovens os mais propensos a utilizar o hedge. Porém, não comprovamos isso na pesquisa. Esta variável não teve relação com esta decisão”, finaliza o pesquisador.

    Outros fatores que, segundo a pesquisa, não parecem influenciar na opção por ferramentas de proteção de preço são possuir renda em outras atividades e utilizar o confinamento de forma mais intensiva, por exemplo, produzindo mais de uma rodada de boiadas por ano.

    Fonte: Agência USP/ FMVZ

     


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