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  • Pecuarista canadense terá que fazer ajustes por conta de ondas de calor mais intensas

    29/07/2021
    Boiadas de sangue europeu, do frio, sentem o forte calor no Canadá

     

     “Fez um calor muito forte aqui nos últimas três semanas, um verão muito forte, com média de temperaturas de 40º C, 42º C, 45º C. Fazia 50 anos que não fazia um calor tão forte aqui na região nossa, em Alberta, região perto de Vancouver. Lá em British Columbia tem feito um calor muito forte, o que tem afetado muito não só a parte nossa humana, mas também do gado, que também é um boi preparado mais para o inverno e não tanto para as temperaturas altas que estamos enfrentando”, contextualizou em entrevista ao quadro Giro pelo Mundo o diretor de exportações da JBS Canadá, Eduardo Bernardes.

    O diretor confirmou que ocorreram inclusive fatalidades decorrentes das altas temperaturas. “Infelizmente houve fatalidades na região de British Columbia, ali perto de Vancouver, na região de Ontário, perto de Toronto”, contou.

    Nos animais de produção, o forte calor teve teve consequências negativas. “Tem afetado muito (a pecuária). O boi tem sofrido. Ele se adapta, como o ser humano se adapta, mas é um estresse que não estava realmente sendo esperado e acaba causando alguns danos. Na realidade, até perda de peso, o animal come menos, produz uma carne mais escura, que é pelo estresse causado por esse calor acima do normal”, apontou.

    Com a influência na qualidade da carne, o desempenho comercial do produto também se altera. “É uma época do ano em que o boi está mais magro. Nossa carcaça, de uma forma geral, está 12 ou 13 quilos mais leve do que o ano passado devido justamente a esse estresse térmico e com isso a classificação da carcaça dá uma diminuída. Nós temos menos o chamado triple A, que é equivalente ao choice americano (classificação da qualidade da carne), e realmente cai essa classificação de carcaça. Para os mercados japonês e coreano, por exemplo, que preferem um boi com mais marmoreio, realmente existe uma redução dessa qualidade de carcaça nesse momento”, lamentou.

    A situação, conforme disse Eduardo, liga o alerta dos pecuaristas canadenses. “A gente tem que realmente ficar em cima porque o boi sofre. O boi não está acostumado com essa temperatura alta. Ele tem uma camada de gordura maior, é um boi taurino, é um boi Angus ou um boi Hereford. Esses animais têm muito pelo, então acaba trazendo esse estresse. Por isso temos realmente que ficar em cima e dar toda a atenção extra para fazer com que eles continuem comendo”, ressaltou.

    Entretanto, a variação da temperatura, com manhãs e fins de tarde mais frios, ameniza a situação. “Aqui a vantagem é que o calor fica uma semana, oito dias e aí resfria novamente. Aqui no Canadá nós estamos no alto, então a temperatura fica alta por dias seguidos, mas ela sempre cai de manhã. Para se ter ideia, hoje está fazendo 14º C. Então é um calor que faz durante o dia, mas realmente ameniza na parte da manhã, como também no final do dia. A noite cai e cai a temperatura e isso ameniza a situação devido a estar em uma região muito mais alta, estamos aqui no norte”, ponderou.

    Além de animais e seres humanos, a agricultura também sofreu com o calor extremo. “Principalmente nas áreas que não são irrigadas, onde nós temos o cultivo da cevada e do trigo, que realmente sofreram agora com esse calor extremo. Por outro lado, a parte do milho é irrigada, então o milho não sofreu tanto. Mas o trigo e a cevada vão sofrer e nós vamos sentir essa falta de insumo no primeiro trimestre de 2022. No momento nós temos o insumo que é do ano passado, mas isso vai nos afetar no começo do ano que vem”, projetou o diretor.

    A sequência de fatos deve ter influência também no rebanho canadense, cujo volume deve cair, conforme projeções. “Estamos prevendo uma redução de 1% […> justamente por esses fatores. […> Tem uma previsão de 1%, podendo chegar a 1,5% de redução, que ainda não afeta muito a nossa operação”, estimou.

    Fonte: Giro do Boi com curadoria Boi a Pasto.



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