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  • Pasto agora tem seguro inédito para perda devido ao clima

    29/04/2021
    Atualmente é muito comum empresas oferecerem seguros para uma diversidade de bens como imóveis, automóveis e até celulares, porém, um seguro inédito foi lançado no Brasil no final do mês passado. Um grupo de seguradoras e resseguradoras brasileiras e estrangeiras uniram-se para lançar um seguro para cobertura de pastagem protegida (Secured Pasture – Index). O irá cobrir perdas de pastagens causadas por eventos climáticos, principalmente a seca.

    Fazenda Vera Cruz Britania (GO)

    Redação Boi a Pasto

    A “Pastagem Protegida – Índice” foi elaborada pelas resseguradoras Scor e IRB Brasil e pela seguradora Essor. As operações de campo serão gerenciadas pela AgroBrasil, braço agrícola da Essor no país.

    O seguro de índice, também conhecido como “paramétrico”, baseia-se em históricos de eventos naturais para calcular a probabilidades de ocorrência ou não de problemas climáticos em uma área determinada. Caso esse índice seja alcançado, a cobertura pode ser acionada.

    Segundo as empresas envolvidas, esse é o primeiro seguro paramétrico de pastagens do País e também o primeiro para a agropecuária em geral que utiliza imagens de satélites de passagem. “Esse tipo de produto pode ser um divisor de águas e dará suporte aos produtores na adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis”, informou em comunicado, Laurent Rousseau, CEO da Scor Global.

    Fazenda Vera Cruz Britania (GO) - Divulgação

    A ferramenta combina tecnologia de detenção remota de ponta com informações sobre o clima para monitorar regularmente áreas de produção, fornecendo então uma estimativa confiável e objetiva de perdas de produção causadas por eventos climáticos tais como estiagem. Com base nessas informações, a ESSOR Seguros poderá oferecer remuneração adequada para os pecuaristas com perda de produção, que, então podem adquirir forragem para garantir que o gado seja alimentado. A cobertura também permite aos pecuaristas aumentar sua produção por hectare sem precisar de terra adicional para pasto.

    Tal ferramenta chega num momento em que a produção agrícola atravessa uma transformação complexa projetada para proteger ecossistemas globais e se tornarem mais sustentáveis mundialmente. Tais mudanças motivam os produtores a reduzirem suas áreas de produção, o que também significa que suas terras são mais vulneráveis aos eventos climáticos. Soluções como Pastagem Protegida – Índice são planejadas para ajudar a mitigar a vulnerabilidade e provavelmente se tornarem ferramentas essenciais para os produtores neste conceito de produzir com sustentabilidade econômica e ambiental”, disse em comunicado as empresas envolvidas.

    Opinião de especialista

    Questionado sobre o tema ‘seguro para pastagem’, em entrevista especial ao Boi a Pasto, o engenheiro agrônomo André Sorio, Consultor internacional em manejo intensivo de pasto da Sorio Assessoria Empresarial Pecuária e Consultoria Pecuária Online, falou que, até o momento, não conhece nenhum seguro que faça este tipo de cobertura proposta no país, mas considera a ideia muito apropriada e com demanda.

    “Imagino que haverá procura, especialmente por parte das pessoas que trabalham com pastoreio Voisin e que dão bastante importância ao seu pasto como fonte principal de alimento para o gado. Inclusive nossa companhia faz o monitoramento do pasto semanalmente, piquete a piquete, utilizando imagens de satélites tratadas com filtros e ferramentas de geoestatística. Temos sempre a real quantidade de matéria seca, bem como sua qualidade bromatológica, à disposição do pecuarista, para facilitar a tomada de decisão”, complementa.

    Sorio contou que as únicas vezes que viu casos de indenização de pastagem por acidente ocorreram quando houve algum tipo de descarga elétrica de linhas de alta tensão que provocaram incêndios no pasto, e já presenciou indenizações como essa no Acre, em Goiás, em Mato Grosso do Sul e em Alagoas.

    Segundo o consultor, normalmente se calcula a indenização com base num hipotético aluguel de pasto, ou seja, quantas cabeças caberiam na área x meses sem usar x área queimada.

    “O recebimento é relativamente rápido, porém não indeniza realmente o problema causado à fertilidade do solo e, portanto, ao potencial de produção de pasto futuro. Acredito que se for formatado um seguro inteligente, que cubra não só incêndios, mas ataques de pragas - especialmente lagartas e cigarrinhas - além de variações climáticas não usuais, irá encontrar uma grande demanda no mercado de pecuária brasileiro”, destacou

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