• Nutrição
  • Paixão e Razão, igual a Produção

    23/02/2015
    E para continuar a rima lógica, a Fazenda 3R virou sobrenome de ração.
    Pasto da Fazenda 3R, no Figueirão/MS, em formato de pizza, com bezerros fechados no creep feeding e mães soltas a campo (Foto: Focus Produções).

    Daniel De Paula*

    Quem um dia se tornou referência dentro da pecuária tinha de acabar virando marca registrada. Agora não mais apenas na boca do povo, nos ditos e na alcunha que lutou para estabelecer para a região que colocou no mapa-mundi da carne como a Capital do Bezerro de Qualidade, depois reconhecido oficialmente por autoridades locais. Agora, além de oficial é também legal e comercial o reconhecimento por uma marca que tanto contribuiu para a pecuária Nacional, para o Zebu do Brasil, o Nelore, especificamente: a Fazenda 3R tanto fez que agora virou nome de ração!

    Peço permissão aqui para discorrer sobre um criatório que pertence a um homem que me permite isso, como já fiz em algumas outras ocasiões aqui na Enfoque sobre outros grandes personagens que merecem essa menção, sem absolutamente nenhuma presunção. Mas Rubens Catenacci é daqueles em que a gente pode desafiar uma só pessoa que não goste. Difícil encontrar alguém que nunca tenha se envolvido e se rendido ao carisma dele ou morra de curiosidade de conhecê-lo. E não é apenas pelo jeitão festeiro, a simpatia gratuita, o invulgar chapeuzinho na cabeça ou o bigodinho sempre apontando pra cima indicando o sorriso.

    É pelo que ele conhece e fez com que sua equipe conhecesse para ditar moda na pecuária a partir da formação de bezerros que, historicamente, ganharam fama por sua exuberância. Mas a produtiva, não a da embalagem. Antes, é bacana lembrarmos que ele foi quem ajudou a transformar a exposição em Camapuã/MS em uma “Expozebu do Corte” – apesar de, teoricamente, não haver distinção, porque a exposição de Uberaba sempre foi a que referenda na pista o que o campo deve usar e/ou fazer.

    Como a 3R produziu a Badalada, uma das quatro matrizes (junto com Babilônia, Essência e Ópera) que nos últimos 15 anos ainda faz no Nelore campeões(ãs) com no mínimo um grauzinho do seu sangue, é fácil dizer que a fazenda de Rubens Catenacci consiga ser uma das que menos distância tenha entre o que é elite e o que é produção. Mas produção, ão, ão.

    O Dia de Campo do último dia 20 de fevereiro, na “Areia Santa do Figueirão”, como gosta de citar Rubinho sobre o município que ajudou a fundar em 2005 no MS, prova esse exagero todo. Entre outros convites, serviu para lançar uma ração que a Agroceres formulou a partir de outra invenção da 3R que gerou o bezerro de qualidade, decantado pelo Brasil e fora dele, cobiçado pela indústria e modelo, padrão de produto que qualquer mercado quer e precisa.

    No formato de pizza dos seus piquetes nos pastos da 3R, nota-se a simplicidade tão evidente quanto a de quem bolou esse sistema com a equipe liderada por Rogério Rosalin, o seu inseparável companheiro de tantos anos de gerência. Um projeto mirabolante, que reduz investimento, garante eficiência no manejo e, claro, gera produtividade.

    Projeto da 3R garante produtividade dos bezerros (Arte: 3R).

    Tudo bem que a estratégia começa com a formação de uma boa genética lá atrás, a partir da Badalada, que tem seu clone em ampla produção de embriões, como sempre foi feito com as grandes famílias utilizadas ali em acasalamentos com touros provados. Mas, a partir disso, esse manejo entra como componente do tripé valorizado na 3R para chegar aos seus resultados. Sim, a sanidade acaba virando consequência desse componente manejo que Rubinho tanto prima na fazenda. O componente nutrição é o potencializador de tudo isso.

    A estratégia consiste em lançar bezerros de 30 a 40 dias de vida no creep feeding, com ração balanceada para desenvolver o seu rúmen. O objetivo primeiro é prepará-lo melhor para o pasto da recria, que já vai ser um caminho bem mais curto. Outro benefício é poupar a mãe, que durante as três horas em que o bezerro está no creep, pode pastejar à vontade, melhorando até o seu nível de comportamento.

    Matrizes Tabapuã da Água Milagrosa que receberão este ano sêmen de Senepol provado. (Foto: Acervo Água Milagrosa).

    A nova ração foi desenvolvida para esse sistema na 3R, mas Rubinho e a equipe decidiram com a Agroceres democratizar o produto e dar a todos a chance de também desmamar um bezerro entre oito e 10 meses, 300 quilos de peso, como acontece na média da 3R.

    A um custo de R$ 1,33 por quilo produzido de carne, nos sete meses do bezerro nesse sistema que produz 7,8@/ha, números apresentados pelo técnico Hélio de Biasi, da Agroceres, fica real o ganho superior a 33% que esse manejo da 3R proporciona.

    Explicado, também, como Rubinho conseguiu impressionar tanta gente com o abate técnico que lhe rendeu premiação especial na ABCZ, por sua contribuição ao Nelore, ao mostrar carcaça de bezerros entre nove e 10 meses abatidos com 14@, com 52% de rendimento sem nem calcificação total ainda apresentar no frigorífico, garantindo maciez e outros aspectos fundamentais para o mercado gourmet ou qualquer outro que o mundo tão exigente quanto. É o que ele patenteou como NCC – Nelore de Ciclo Curto, um ano de ganho em pecuária. É muita coisa.

    Se tem muita gente que se rendeu a Rubinho ao longo dos seus 30 anos de pecuária na 3R, esses números provam que não foi só por causa do célebre chapeuzinho, do jeitão festeiro e do bigodinho apontando pra cima, não. Desfrutar do carisma dele foi consequência do que ele tinha e tem para oferecer, como facilitador de resultados que dão sempre em sucesso e que só pode ser fruto de trabalho, outra máxima inapagável dele.

    *Daniel de Paula é publicitário e jornalista, repórter do Canal do Boi, canal integrante do SBA.

    Fonte: Enfoque / Rural Centro

     


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