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  • O QUE ESPERAR DO MERCADO PECUÁRIO EM 2021 E COMO SE PREPARAR

    07/01/2021
    Pecuária (Parte 3)
    Foto: Divulgação.
     
    No dia 15/12/2020 o Professor Dr. Alexandre Mendonça de Barros, ministrou uma excelente palestra, na qual abordou como está o cenário macroeconômico e seu impacto no agronegócio, apresentou as perspectivas para o mercado de grãos e co-produtos da agroindústria e o que podemos esperar do mercado pecuário nos próximos anos.
     
    O Prof. Alexandre é Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP, onde também cursou o Doutorado em Economia Aplicada. Foi professor do Departamento de Economia da ESALQ entre 1995 e 2004, posteriormente foi Professor de Economia Agrícola na Fundação Getúlio Vargas entre 2005 e 2011 e lecionou por último na Fundação Dom Cabral de 2017 a 2019. Atualmente é membro de Conselhos Administrativos de dezenas de empresas do agronegócio e sócio consultor da MB Agro Consultoria.
     
    Se você perdeu o evento, não se preocupe. Nós preparamos um resumo de cada tema abordado na palestra. Para ler o artigo sobre MACROECONOMIA, é só clicar aqui. Para ler o artigo sobre o MERCADO DE COMMODITIES, pode clicar neste link. E se você quiser assistir o conteúdo completo, ele está gravado e o vídeo está ao final do artigo!
     
    Tendo em vista o cenário macroeconômico e como o mercado de commodities está configurado, o que podemos esperar para a pecuária?
     
    Segundo o Prof. Alexandre, o mercado está diante de um novo cenário – enquanto a presença chinesa persistir sólida – de custo de produção elevados e preço do bezerro e do boi gordo em patamares mais altos, o que reforça a oportunidade que o pasto (bem manejado) representa, de se produzir com menores custos em momento de alta de preços.
     
    Em relação a demanda:
    “A elevação do preço do adubo (motivada pela alta dos grãos) torna o pasto a opção mais barata neste ciclo que nós estamos vivendo.”
     
    O Professor ressalta ainda que cerca de 70% da produção de carne bovina é direcionada ao mercado interno, ou seja, a capacidade de compra do mercado interno delimita parte do limite de alta do preço da arroba. Os preços da carne bovina atingiram seus máximos históricos no atacado, assim como o preço da carcaça, como é mostrado nas Figuras 1 e 2.
     
    Figura 1.
     
     
    Figura 2.
     
     
    Com estes preços em máximos históricos, ainda é adicionado ao contexto atual a transferência de renda para a população – com o décimo terceiro e o auxílio emergencial – o que colaborou com a alta na precificação das proteínas animais alternativas, como o suíno e o frango. Esta alta pode ser o pico do movimento, já que com a chegada de 2021 e o final do auxílio emergencial, a renda da população volta a patamares mais baixos, o que aliado ao desemprego e a uma possível segunda onda de Covid, pode causar uma pressão nos preços. Em relação ao mercado externo, que consome cerca de 30% da produção, o cenário é outro, já que a China ainda deve continuar comprando carne bovina brasileira.
     
    Em relação a oferta:
    Em 2020 o Brasil abateu menos cabeças do que em 2019, como ilustrado na Figura 3, devido ao preço elevado do bezerro e a retenção de fêmeas que, segundo o Prof. Alexandre, deve se prolongar em 2021 e fechar o ano com menos abates, a não ser que as chuvas tardias prejudiquem a taxa de desfrute das fazendas, podendo resultar em quantidades elevadas de descarte de matrizes.
     
    Figura 3.
     
     
    “Para 2021, eu tenho dificuldade de enxergar uma oferta de carne maior, a menos que muitas vacas não emprenhem. Caso contrário, este volume de bezerro que aumenta ainda no próximo ano, só vai virar carne em 2022 e 2023”.
     
    A expectativa então, é de o mercado seguir com uma oferta restrita, assim como um menor consumo de carne per capta (cerca de 24 kg/habitante/ano), resultado do menor poder aquisitivo do brasileiro, que há 10 anos consumia cerca de 36 kg carne/ano.
     
    Em relação ao que esperar dos preços da arroba em Dólar:
    A arroba australiana chega a US$90,00 e a americana a US$65,00 enquanto a arroba brasileira deve se manter na casa dos US$50,00 em 2021. Segundo o Prof. Alexandre, o Brasil exporta principalmente cortes dianteiros, que já estão em teto de preço, o que dificulta a dolarização da arroba.
     
     
    Com isso, a série “O QUE ESPERAR DO MERCADO PECUÁRIO EM 2021 E COMO SE PREPARAR” termina, porém o ano está só começando. Fique ligado aqui no blog e em nossas redes sociais, pois publicaremos semanalmente conteúdos técnicos escritos pelos nossos especialistas em pecuária.
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