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  • Nutrição de bovinos: o planejamento estratégico antecipando a chegada da seca

    02/07/2013

     

    pasto seco 1 Gabriel Linares*

    É no inverno que ocorre o chamado ?boi-sanfona?, que engorda quando o pasto está bom, na estação das águas, mas emagrece quando chega o tempo seco. Mas o produtor deve começar antecipadamente a se preparar para aquele período, para evitar que isso aconteça ou, pelo menos, atenuar o problema. E a medida mais imediata é a elaboração de um planejamento estratégico, que inclui o reforço nutricional do rebanho com suplementos minerais específicos. O teor de nutrientes das pastagens no Brasil varia muito durante o ano. Há um decréscimo nos teores de proteína, energia e minerais nas pastagens durante o período seco. Para se ter uma ideia, o nível médio de proteína cai em torno de 50%, o de energia 15 a 20% e o de minerais 50 a 80%. Com os menores teores de proteína energia e minerais e a diminuição da digestibilidade (associada também à maior deposição de lignina - substância que se deposita nas paredes das células vegetais, conferindo-lhes notável rigidez), temos uma fermentação ruminal menos eficiente, já que, para que haja uma boa atividade da microbiota ruminal é necessário que tenhamos, no mínimo, 7% de proteína na dieta, o que não se tem nas pastagens no período seco do ano. O grande fator nutricional limitante no período da seca é o nitrogênio. Com esse comprometimento da capacidade do rúmen digerir a forragem, o tempo que o alimento fica neste compartimento é maior, fazendo com que haja uma diminuição da ingestão de matéria seca, ou seja, o animal come menos. Essa ingestão de matéria seca pode ficar abaixo do mínimo para manutenção do seu peso, que seria 2% do peso vivo em matéria seca. O que é o proteinado? Proteinados são misturas múltiplas que, além dos minerais, oferecem ao animal fontes de proteína e energia. A proteína é ofertada de duas maneiras: dos farelos (proteína verdadeira) e da uréia (Nitrogênio Não Proteico ? NNP); já a energia advém basicamente dos farelos que compõem a formulação. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), para ser classificado como ?proteinado? ou suplemento mineral proteico, este deve ter pelo menos 20% de proteína bruta e fornecer pelo menos 30 g de proteína para cada 100 kg de peso vivo. Quando se coloca um proteinado à disposição dos animais, busca-se melhorar a atividade dessa microbiota ruminal. Quando melhoramos a atividade dos microrganismos ruminais, melhoramos também a taxa de passagem e, consequentemente, aumentamos o consumo de forragem. Por isso, o uso de proteinados na época da seca tem mostrado resultados satisfatórios, podendo evitar a perda de peso e, dependendo da oferta de forragem, até obtendo ganhos modestos, quando comparados à época das águas. Os resultados com a utilização dos proteinados vão depender principalmente da quantidade de forragem que se disponibiliza aos animais. Tendo informações sobre as condições que enfrentamos no período da seca podemos utilizar esses suplementos minerais específicos que podem atenuar os efeitos desse período. É imprescindível que haja PLANEJAMENTO. E esse planejamento começa no período das águas. É no período das águas onde temos os melhores desempenhos no que diz respeito a ganho de peso e, por isso, devemos aproveitar esse período favorável e terminarmos o máximo possível de animais com o uso, por exemplo, de proteico-energéticos. Fazendo isso, conseguimos diminuir a quantidade de animais na propriedade e, consequentemente, a taxa de lotação para o período mais crítico do ano, haja vista que as forragens têm uma menor taxa de desenvolvimento durante esse período e, se trabalharmos com a mesma taxa de lotação das águas, provavelmente faltará capim. Além disso, pode-se fazer o uso da técnica de diferimento de pastagem, ou seja, vedar alguns pastos nas últimas chuvas e obter uma reserva de forragem ? principalmente folhas - para o referido período. Lembrando que a utilização dessa técnica deve estar sempre acompanhada da utilização de proteinados de seca, melhorando a eficiência em aproveitar a forragem de baixa qualidade. Outra técnica que pode ser associada e que também depende de um bom planejamento nutricional é a confecção de silagem (milho, sorgo, capim, cana-de-açúcar etc.) para ser ofertada como alternativa de volumoso aos animais no período seco do ano. Linares: "Quando se coloca um proteinado à disposição dos animais, busca-se melhorar a atividade da microbiota ruminal". Linares: "Quando se coloca um proteinado à disposição dos animais, busca-se melhorar a atividade da microbiota ruminal". Ainda quanto à silagem, sempre é importante se atentar ao ponto correto de ensilagem de cada material, tomando todos os cuidados necessários durante o planejamento e confecção da mesma (tamanho de partícula adequado, boa compactação, dimensionamento adequado do silo - levando-se em consideração a quantidade de animais que se alimentarão da silagem e a fatia mínima que deve ser retirada diariamente ? 15 cm ?, utilização de inoculantes bacterianos etc.). A tecnologia é uma condição essencial para enfrentar a sazonalidade da produção de forrageiras por quem desejar produzir carne em plena seca. Quando realizamos o manejo de pasto diferido e proporcionamos aos animais uma boa oferta de forragem (principalmente folhas), também podemos lançar mão e obter melhores desempenhos utilizando a técnica de semi-confinamento, sendo ofertado aos animais, que estão a pasto, um proteico-energético de alto consumo. Tal manejo pode ser realizado tanto no período de águas como no de seca, diferenciando as características da forragem disponível em cada época do ano e, consequentemente o produto que será utilizado. Também pode ser citada a técnica de confinamento dos bovinos, podendo ser utilizada principalmente de forma estratégica. Lembrando que tal técnica deve ser muito bem avaliada quanto a seus custos, haja vista que, no último ano, devido aos custos com alimentação (preço dos grãos etc.), tal técnica se mostrou pouco viável, sendo a alimentação um dos custos mais representativos.  Orientação segura O ideal para se realizar um bom planejamento e execução, é que o produtor busque um profissional para orientá-lo no trabalho ou ainda a empresa na qual confia para abastecimento de produtos para cada época do ano. Pode-se observar, nos dias de hoje, uma busca de orientação técnica por parte dos produtores rurais em maior ou menor grau. Segundo estimativas, 50% do rebanho brasileiro é mineralizado, mas somente 30% é feito de forma correta. Isso mostra que se tem um grande desafio técnico no que diz respeito à utilização de suplementos minerais com o objetivo de complementar a dieta dos bovinos e, em um panorama mais avançado/tecnológico, mostrar ao produtor as vantagens de se utilizar estratégias de nutrição baseadas no emprego de suplementação mineral com fontes de proteína e energia durante todos os períodos do ano, considerando as particularidades da forragem disponível em cada época, buscando melhorar os resultados obtidos na atividade pecuária. De maneira mais clara podemos observar uma crescente busca por orientação técnica por aqueles produtores que tratam a atividade pecuária com uma visão de ?empresários rurais?, buscando alternativas e tecnologias que façam com que o ciclo de produção seja encurtado e assim o giro de capital seja mais rápido. E, de maneira variada, esses produtores buscam auxílio tanto do meio público, como privado (profissionais autônomos e de empresas do ramo do agronegócio).gabriel linares

     *Gabriel Linares é medico veterinário do Departamento Técnico de Nutrição Animal do Grupo Matsuda



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