• Nutrição
  • No jogo de xadrez da pastagem a semente de qualidade é a rainha

    06/05/2021
    Com os altos custos de insumos para alimentação, como os grãos, milho e soja, por exemplo, criar gado à pasto é, atualmente, mais lucrativo para o pecuarista brasileiro.

    Manejo utilizando altura de entrada e saída dos animais

    Por: Marisa Rodrigues e Camila Gusmão 

    Porém, esse trabalho exige técnicas como as de um jogo de xadrez, na qual o jogador que tiver mais conhecimento sobre o tabuleiro e as peças, no caso do pecuarista, o solo, as pastagens e os animais, tem uma maior lucratividade e dá um xeque mate nos custos de produção. Esse tema foi muito bem explorado na live realizada no último dia 23 de abril pelas Revistas A Granja e AG, na qual participou Alberto Takashi Tsuhako, engenheiro agrônomo formado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) pela turma de 1986 e responsável técnico pelo Grupo Matsuda há 30 anos, empresa líder na produção e comercialização para pastagens no Brasil.

    Takashi explicou que o tabuleiro é a principal ferramenta para se começar um bom jogo, no qual você tem que conhecer onde você vai estabelecer a pastagem, porque na verdade muita gente pergunta:“Qual melhor pasto que nós temos? Quando, na verdade, eu creio que a pergunta está errada, pois todos os pastos são bons; o que existe, na maioria das vezes, é uma má utilização da pastagem. Em geral, o produtor faz uma escolha de espécie forrageira e estabelece-a onde não deveria ser plantada, por exemplo; então, em primeiro lugar, é necessário fazer a escolha da área, ter conhecimento da área onde a forrageira será semeada, conhecimento do clima da região ondevai se estar trabalhando, entre outros fatores que deverão ser considerados no momento do estabelecimento de uma pastagem”. Segundo Takashi, esses são os conceitos básicos para começar o jogo de xadrez, ou, em outras palavras, começar a manejar o pasto. “Outro detalhe é conhecer as principais características da espécie forrageira que você vai utilizar: existem  espécie forrageira para solos de menor fertilidade, outras para solos  extremamente exigentes, além daquelas você planta em qualquer tipo de solo, e, também, é claro, existem as consequências:geralmente as mais exigentes são aquelas mais produtivas, aquelas de melhor qualidade nutricional, e assim respectivamente. Por isso, todo esse conhecimento é fundamental”, comentou o especialista.

    Para o agrônomo,cabe a cada um dos produtores rurais conhecer os fatores limitantes da sua área, da sua fazenda, comopor exemplo,se há declividade, pois se positivo, é necessário plantar espécies de forrageiras que são mais limitadas às áreas quebradas. Durante a live, ele exemplificou que em uma área de topografia bem acentuada na qual é plantado umcapim Panicum pode acontecer erosão de solo, porque essa cultivarnasce touceirado e vai dar uma proteção de solo.Existem espécies adequadas para cada situação geográfica, climática, etc, por isso a importância de se conhecer,em primeiro lugar, o terreno onde será realizado o processo de engorda do animal”.

    “Outro fator limitante é a drenagem de solo; às vezes, tem um solo com uma drenagem, por exemplo, que não é indicado para ser usado para o estabelecimento de uma pastagem, pois a àgua levará embora as sementes plantadas, que obviamente, não irão germinar, nunca.Outro fator limitante,  extremamente importante na escolha da espécie forrageira é o pecuarista se perguntar qual é a categoria animal que ele pretende usar nessa pastagem, qual é a finalidade do negócio: se é para cria, recria, engorda, ou reprodução, pois para cada atividade uma espécie de pastagem pode ser a melhor, ou não;  o conhecimento desses fatores limitantessão preponderantes, e cada um tem que fazer uma avaliação da sua propriedade, tem que pensar dentro daquilo que se tem, e de onde se pretende chegar, da área a ser destinada para o plantio, e só então partir para a escolha da espécie forrageira mais adequada”. “da área e estabelecer antes de escolher essa espécie forrageira”, destacou.

    Questionado sobre como auxiliar o meio ambiente na questão de degradação ambiental, o responsável técnico pelo Departamento de Forrageiras do Grupo Matsuda afirmou que a primeira ferramenta para evitar o processo de degradação é justamente a escolha da espécie forrageira, “São muitos os detalhes, mas, resumidamente para tornar a pastagem a rainha do jogo, é conhecer o tabuleiro e onde você vai jogar”, afirmou

    Pastagens degradadas - Atualmente o Brasil tem uma imensidão de área cultivada exclusivamente com pastagens, maior até do que a área cultivada com grãos, cujos dados variam entre os 165 a 185 milhões de hectares com pastagens, porém, cerca de metade dessa área se encontra em algum estágio de degradação ambiental. Para Samuel Bortolin, Gerente de Desenvolvimento de Produtos na Mosaic Fertilizantes do Brasil que também participou da live O Xadrez da Pastagem, promovida pelas revistas AG e A Granja, a situação das pastagens no país chegou a esse ponto, justamente,porquê os diferentes brasileiros têm baixa fertilidade. “Mas isso é possível ser corrigido por meio de calagem, de gessagem e aplicação de fertilizantes corretos. A base é,justamente, começar com tabuleiro (solo) e daí, ir construindo essa fertilidade do mesmo, para poder expressar a genética da semente, e a genética dos bovinos dentro do sistema de produção. Tudo começa com o solo e essa relação solo-plantas-animais e meio ambiente, é um tema bem complexo, mas tem muita informação boa para gente poder compartilhar”, disse.

    Já para Marcelo Cirne Lima, diretor operacional da Datamaris Brasil, para se iniciar o xadrez da pastagem, o primeiro ponto é conhecer bem o ambiente onde será realizado o manejo e as limitações de cada propriedade.“A gente faz um paralelo com a agricultura - ninguém vai plantar uma lavoura sem saber como é que se vai colheressa lavoura; ninguém vai se aprontar para uma colheita sem ter uma colheitadeira bem calibrada, bem lubrificada e regulada de acordo, para que não haja perdas, e o que a gente vê na pastagem é, justamente, o oposto”,lamenta.Quanto ao processo de degradação, grande parte desse processo, na sua opinião, se dá, muitas vezes,devido a uma espécie de pastagem mal escolhida, falta de fertilização e, junto com isso, uma má utilização ou falta de manejo dessa espécie como ela deveria ser feita”. Segundo Lima, em conversa com consultores, foi diagnosticado que as melhores propriedades que eles atendem conseguem colher apenas 50% das forragens que produzem;“isso, nos melhores casos”, ressaltou.  “Se eu consigo implantar uma tecnologia, usar ferramentas que estão à disposição, no mercado, para me ajudar a melhorar e se eu melhorar 10% esse aproveitamento de forragem, quanto isso significa em dinheiro, quanto melhora na perenidade daquela espécie, porquêestamos falando de espécies com ciclo de vários anos; quanto mais tempo eu conseguir que ela permaneça nesse ambiente, que esteja com nutrição, manejo correto mais eu diluo o meu custo, ou seja, menos vai custar o meu quilo de carne produzido. É nisso que temos que pensar, pois é muito importante e pode alavancar um sistema de produção baseado no pasto”, destacou.

    Pasto vedado recupera - Para Takashi a melhor forma de começar a melhorar o manejo da pastagem, para aqueles que não possuem conhecimento da pecuária, é começar aos poucos dividindo a pastagem ao meio e, em seguida, após ir adquirindo experiência no processo, ir aumentando a divisão da área, até chegar ao sistema rotacionado.“No nosso departamento técnico nós atendemos clientes grandes e pequenos, gente com capacidade técnica e gente que não conhece nada de pastagem, então a primeira coisa que orientamos, cada um deles, é conhecer o seu pasto. Nossa recomendação aos produtores que estão iniciando um aprendizado sobre pastagens, é que a primeira coisa que ele faça é a divisão de tudo o que eles acham que são piquetes grandes. O que é muito relativo, pois existem propriedades com 100 hectares, e outras com 10. Por exemplo, se o cliente de tem um piquete de 10 hectares, vamos sugerir-lhe que o divida em dois de 5 hectares, e se ele tem 10 animais, que os divida, também, em dois lotes de cinco, para cada piquete de 5 hectares. Desse modo, ele vai ter uma visão real de como o pasto se recupera, só com essas duas divisões. Bom, parece óbvio, mas é óbvio para nós que somos especialistas no assunto, não para os produtores, que não sabem fazer esse manejo rotacionado. Algo aparentemente simples, mas que precisa ser aprendido, na prática”, observa. 

    Para ele, “a recuperação da pastagem tem que ser visual, o produtor tem que olhar e perceber que o pasto vedado recupera; depois de 25/30 dias, já recuperou? Aí, muda o gado de lugar e vai fazer esse manejo, porquê, na verdade, nós sempre esquecemos de uma ferramenta primordial, dentro desse processo todo que é o funcionário que fica na fazenda, muitas vezes esquecido, lá; se você implanta o sistema rotacionado hoje, ele vai manejar como fazia ontem, ele não tem ideia nenhuma, na prática, do que isso significa. Após 25/30 dias faz outra divisão, aí o peão começa a treinar o olho, sabe que pasto vedado recupera, e se deixar passar perde qualidade, então ele por si só vai conhecendo a pastagem e iniciando o processo de manejo, aos poucos gradativamente. Isso pode demorar um ano, seis meses pois,  na verdade, a degradação não começou no ano passado, a degradação começou a partir do momento que se implantou a pastagem e se começou a fazer o primeiro pastoreio, o quê, em si,  já é um processo de degradação”, destaca Takashi. “Conhecendo a pastagem pouco a pouco, aprendendo a manejá-la, o funcionário da fazenda chegará ao ponto de entender o que é um sistema rotacionado implantado, algo que ele mesmo conseguiu fazer, na prática, quando então, o produtor não terá mais nenhum problema em relação a isso. Nesse momento, entra o processo de adubar o pasto”, acrescenta o técnico.

    Sobre o quesito adubação, o especialista do Grupo Matsuda disse que é preciso ter cautela pois, mesmo sendo a favor da utilização da adubação,  a experiência não é muito boa. Segundo ele, a experiência que se tem no mercado é de que o produtor que realiza a adubação acaba acreditando que, pode aumentar o número de animais por área, intensificando a pastagem, pois isso cria uma sensação falsa de que o pasto adubado pode suportar uma carga maior de animais e aguentar qualquer processo de manejo, o que não é verdade. “Em nossas visitas técnicas aos produtores, nós costumamos mostrar-lhes como é que funciona a pastagem, qual é o processo de manejo, qual é o processo de recuperação, qual é o momento de colocar os animais e só depois disso, entramos  numa segunda fase que é, justamente, essa parte de adubação, seguidos de outros processos, que são consequências desse manejo”, explicou.

    Sobre essa questão de manejar o gado corretamente, evitando a degradação do pasto, o diretor operacional da Datamaris Brasil, Marcelo Cirne Lima, afirmou que tecnologias voltadas para o agronegócio não são tão caras quanto parece, dando como exemplo, o fato de que um quilômetro de cerca elétrica custa o equivalente a 25% do custo de implantação de uma cerca feita no modelo tradicional e pode ser mudada de lugar conforme a necessidade de pastejo da propriedade.“É o pasto que nos diz como e quando vamos entrar com os animais no sistema. A linha tênue do subpastejo ou superpastejo vai depender do seu manejo”.

    + Leia Mais

    Mudança no clima exige novas qualidades de sementes

  • Agropecuária brasileira ajuda a salvar o planeta, reconhece a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima

  • A ILPF(integração lavoura-pecuária-floresta), a agricultura de precisão e a tecnologia baseada em ciência já levaram o Brasil ao ser um dos maiores exportadores globais de commodities.

    + leia mais
  • "O Reino de Agrus" se prepara para o futuro e intensifica a adoção de práticas sustentáveis e de bem-estar animal

  • Que ninguém duvide: em breve, a agronomia se casará com a ecologia. Não haverá vencedores. Haverá união", comenta o engenheiro agrônomo e doutor em Administração, integrante do FGVAgro, Prof. Xico Gra

    + leia mais


  • Criação de sites