• Raça
  • Nelore predomina pecuária de corte no país

    10/08/2021
    Conheça um pouco mais sobre essa raça que conta atualmente com cerca de100 milhões de animais nas propriedades brasileiras

    Redação Camila Gusmão, especial para o portal Boi a Pasto

    Dando continuidade às matérias sobre as raças de bovinos criados a pasto, no Brasil,o portal Boi a Pasto conversou com André Locateli, Gerente Executivo da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). Segundo ele, o ‘Ongole Indiano’, que mais tarde se tornou o Nelore brasileiro, desembarcou no país na primeira metade do século 19. Essa data marca a chegada dos primeiros zebuínos originários da Índia. Em 1868, um navio que tinha como destino a Inglaterra ancorou em Salvador com um casal de animais da raça, que foram comercializados e multiplicados naquela região. Já em 1878, Manoel Ubelhart Lemgruber importou mais animais da raça, depois de uma visita a Hamburgo, na Alemanha. Com o passar dos anos, mais desembarques de animais da raça foram acontecendo no País, sendo que a importação mais importante e numerosa ocorreu em 1962, com a chegada de mais de 1.600 animais da Índia.

    A concentração inicial da raça foi nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e atualmente estão na base da pecuária brasileira. “O Nelore tem grande facilidade de adaptação ao clima tropical. Os animais possuem grande capacidade em aproveitar os alimentos disponíveis, além de boa resistência natural a ectos e endoparasitas”, explica Locatelli, ressaltando que a pelagem curta tem importante função em dificultar a ação de parasitas e insetos sugadores. “O Nelore possui grande resistência ao calor, devido à sua superfície corporal ser maior em relação ao corpo, além de possuir bom número de glândulas sudoríparas”, destaca.

    Locatelli enfatiza que o fato de o trato digestivo do Nelore ser 10% menor em relação a raças de outras origens faz com que o metabolismo seja mais baixo, gerando assim menor quantidade de calor. “Todas essas características contribuíram para a rápida disseminação da raça por todo o território brasileiro – exceto os estados de clima temperado (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), onde há exemplares, porém em menor número. Da mesma forma, o perfil de resistência e produtividade do Nelore agradou em cheio os pecuaristas, que passaram a utilizar a raça nos mais diferentes cruzamentos para produção de carne”.

    Segundo a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), o sangue Nelore está presente em cerca de 80% do rebanho bovino nacional. Como o Brasil possui uma estimativa de 215 milhões de bovinos de corte e leite, ao menos 100 milhões de animais são Nelore ou Anelorados. “Dessa forma, indiscutivelmente o Nelore é a base da pecuária brasileira. A ACNB, entidade de fomento, defesa e valorização da raça Nelore no país, criou o mote Nelore – A Carne do Brasil, que representa fielmente a importância do Nelore para a pecuária e, por fim, para a produção de carne bovina. “Mais de 90% das cerca de 9,5 milhões de toneladas de carne bovina produzidas no Brasil por ano têm sangue Nelore. Em termos de exportação de carne – o Brasil é o maior fornecedor global de carne bovina; em 2020, exportou mais de 2 milhões de toneladas – a participação do Nelore é ainda superior”, sublinha Locatelli.

    Consequência das características reprodutivas e de produção de carne, os animais Nelore também possuem longevidade reprodutiva. As vacas têm facilidade no parto, com garupa de boa angulosidade e boa abertura pélvica. As fêmeas contam com habilidades maternas de alto valor, proporcionando bom desenvolvimento para os bezerros até o desmame, como: instinto de proteção, rusticidade e baixo custo de manutenção. “A raça Nelore possui a carcaça mais próxima dos padrões exigidos pelo mercado, fruto do porte médio, ossatura fina, leve, porosa e com menor proporção de cabeça, patas e vísceras, o que lhes confere ótimo rendimento nos processos industriais. A precocidade de terminação garante distribuição homogênea da cobertura de gordura, o que valoriza muito a carcaça do Nelore no mercado. As principais características da carne são o alto teor de sabor e o equilibrado teor de gordura de marmoreio”, informa o gerente executivo da ACNB, André Locateli.

    Efetivamente, a pandemia reduziu drasticamente o poder de compra da população brasileira, porém com a vacinação e redução dos casos de Covid-19 a ACNB acredita que pós-pandemia rapidamente os brasileiros recuperarão os níveis de renda e voltarão a consumir mais carne bovina.“O consumo interno de determinados alimentos – incluindo a carne bovina – foi reduzido, voltando a patamares de uma década atrás. Na outra ponta, aumentaram as exportações de carne, especialmente para a China. Esse cenário manteve a rentabilidade dos pecuaristas em bons níveis nos últimos dois anos. Porém, com respaldo das exportações e redução do consumo interno”.

    “O brasileiro é apaixonado por carne, consumindo atualmente cerca de 30 kg/hab/ano. O Nelore está presente – seja na forma pura ou em cruzamentos – de praticamente toda a carne produzida e exportada pelo Brasil. Trata-se de uma carne magra e de qualidade, com o nível correto de gordura (entremeada ou nas bordas dos cortes), ideal para todas as ocasiões e para a satisfação dos mais exigentes paladares seja na forma natural ou para processamento e industrialização”

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