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  • Ministra Tereza Cristina diz que Brasil precisa de lei para monitoramento indireto de gado

    24/06/2021
    O governo brasileiro vai propor uma nova lei para rastrear fornecedores indiretos de gado no Brasil. A declaração foi feita pela ministra Tereza Cristina, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), durante uma entrevista com correspondentes estrangeiros.

    Na pecuária há muitas variáveis na cadeia produtiva que dificultam o monitoramento do gado do nascimento ao abate pela indústria frigorífica, onde há nomes como as gigantes JBS, Minerva e Marfrig. Uma fazenda, por exemplo, pode se dedicar apenas à criação dos bezerros, enquanto outras podem recriar e levar à engorda para abate. Ou realizar apenas uma dessas etapas. Sem contar a circulação de compra e venda de animais, operações corriqueiras no mercado, independentemente da idade do animal. Com essa complexidade, um dos maiores desafios do setor é desenvolver mecanismos de combate aos produtores de animais que atuam na ilegalidade e que colaboram com o desflorestamento.

    De acordo com a ministra Tereza Cristina, o atual sistema de rastreamento utilizado no país é ineficiente para acompanhar produtores em uma área que envolve 5 milhões de propriedades rurais, das quais uma parcela significativa cria gado. A atividade é uma das mais importantes no campo. O mais recente VBP (Valor Bruto da Produção), que mostra a quantidade de recursos que passam pelas propriedades rurais, estimou para a pecuária um montante da ordem de R$ 383 bilhões para 2021, valor 9,8% acima do ano passado.

    A pecuária bovina eficiente colocou o Brasil como o maior exportador global dessa proteína, tendo justamente JBS, Marfrig e Minerva à frente desse mercado. Por isso, a indústria frigorífica, por pressão do mercado, já vem se organizando com ferramentas próprias para o monitoramento da cadeia. A nota da Reuters não informa se a ministra chamará as empresas do setor e os pecuaristas para colaborarem na discussão técnica sobre o tema.

    Em setembro do ano passado, a Minerva Foods iniciou os testes com o Visipec, uma ferramenta criada pela ONG NWF (National Wildlife Federation) e pela norte-americana Universidade de Wisconsin-Madison. Para rastrear o gado, foi desenvolvido um software de avaliação que se baseia nas emissões de GTAs (Guia de Trânsito Animal), um documento oficial e obrigatório no transporte de animais no país.

    No mês seguinte, em outubro, a Marfrig apresentou sua uma ferramenta de monitoramento dos indiretos, inserida no plano Verde Mais, que já havia sido lançado no mês de julho. Chamada de “Mapa de Mitigação de Riscos”, ela foi desenvolvida em colaboração com o Agroicone (Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais). Com tecnologia blockchain, uma espécie de “cadeia de blocos” que forma um grande livro contábil digital, são cruzados dados georreferenciados e documentos das fazendas com informações públicas oficiais para identificar potenciais não conformidades. De acordo com a empresa, a área monitorada é de 30 milhões de hectares.

    Em abril deste ano foi a vez da JBS. A empresa começou a utilizar a plataforma “Pecuária Transparente”, também baseada na tecnologia blockchain para monitorar os dados dos bovinos abatidos em suas unidades. A empresa vem promovendo um amplo trabalho em suas bases, porque a adesão dos indiretos é voluntária. A plataforma faz parte do programa de monitoramento total, apresentado em setembro do ano passado, e que coloca 2025 como data limite para incluir todos os indiretos em sua cadeia de abate.

    Fonte: Forbes  Agro com curadoria Boi a Pasto.



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