• Nutrição
  • Manejo de pastos de Brachiaria brizantha

    16/01/2015
    Os capins gênero Brachiaria destacam-se por serem os mais utilizados como fonte forrageira na alimentação do rebanho bovino nacional.

    Denise Baptaglin Montagner*

    Entre as espécies de capins do gênero Brachiaria, destaca-se a Brachiaria brizantha cv. Marandu, que está no mercado há 30 anos. Durante este período, outras cultivares foram lançadas: os capins xaraés e piatã.

     Nos últimos anos, os problemas com pragas e doenças (cigarrinhas-das-pastagens, percevejo-castanho), associados à falta de correção e manutenção da fertilidade dos solos vêm dizimando imensas áreas de pastagens formadas pelo capim-marandu. As pesquisas apontam a necessidade da reposição de nutrientes no solo, principalmente fósforo, potássio, enxofre e micronutrientes, associada à calagem e gessagem periódicas. As práticas de correção e adubação do solo permitem a manutenção da produtividade dos pastos, evitando a degradação das pastagens. A adubação com nitrogênio, por outro lado, garante a manutenção ou o aumento da produção de forragem durante o ano, e é fundamental para que níveis de ganhos individuais e por área sejam mantidos.

     Os capins marandu, xaraés e piatã são normalmente utilizados sob pastejo contínuo. Neste sistema, recomenda-se adubações anuais de manutenção de, pelo menos, 50 kg/ha/ano de nitrogênio. As pesquisas demonstram que a manutenção da fertilidade pode ser realizada a cada três anos, ao menos, com base em resultados de análise de solo. Em solos pobres do cerrado, a adubação de manutenção deve ser de 80 kg/ha/ano de P2O5 e de 80 kg/ha/ano de K2O, além de calcário.

     A partir do final dos anos 1990, os pesquisadores da área de manejo de pastagens concentraram maior atenção nos estudos das plantas forrageiras, entendendo melhor a interação entre plantas e animais. Estes estudos geraram recomendações para o manejo das cultivares de B. brizantha baseadas na utilização da altura dos pastos como ferramenta de manejo. A mesma altura de pastejo pode ser recomendada para as cultivares de B. brizantha (marandu, xaraés e piatã), ou seja, 30 cm de altura do dossel, sob lotação contínua. Quando manejadas nesta altura, é possível alcançar ganhos médios diários de 765; 760 e 650 g/cabeça/dia em pastos de marandu, xaraés e piatã, respectivamente. As taxas de lotação foram, em média, de 2,5; 2,5 e 3,1 UA/ha para as três cultivares. O ganho por área foi de 500; 600 e 570 kg/ha/ano de peso vivo.

     Os capins marandu e xaraés foram avaliados também sob pastejo rotacionado. Recomenda-se utilizar a altura de 30 cm de entrada dos animais nos piquetes e saída com 15 cm de altura do resíduo. Quando manejados sob pastejo rotacionado são necessários maiores adubações (100 kg/ha/ano de nitrogênio) e controle do pastejo (cercas, medição de altura, ajuste da lotação). O uso do sistema de pastejo continuo ou rotacionado dependerá do objetivo e da capacidade gerencial da propriedade.

     As três cultivares de B. brizantha promovem desempenhos animais semelhantes. Como característica principal de cada cultivar é possível destacar o maior porte e acúmulo de forragem do capim-xaraés, quando comparada com os capins marandu e piatã. O capim-piatã apresenta melhor valor nutritivo, o que pode promover maior ganho individual dos animais. O capim-marandu é de mais fácil manejo, não apresenta problemas com alongamento de colmos (plasticidade). Também não apresenta florescimento concentrado em um só período do ano. Como alternativa de diversificação das pastagens na propriedade, as três cultivares podem ser utilizadas de forma que as produtividades sejam complementares entre elas, promovidas pelas diferenças entre características de manejos e hábitos reprodutivos.

     É importante lembrar que a utilização intensiva destes pastos será possível durante a época das águas. Durante o período seco práticas de conservação de forragem ou suplementação devem ser utilizadas para a manutenção da capacidade de suporte e produção em pastos de gramíneas tropicais. Os capins marandu e piatã são forrageiras recomendadas para a vedação (diferimento). Assim, o produtor pode programar a vedação dos pastos de forma a aproveitar as últimas chuvas da estação e estocar feno em pé para ser utilizado durante a seca. O capim-xaraés não deve ser utilizado em diferimento, pois floresce na segunda quinzena de maio, apresentando elevada produção de colmos e redução no valor nutritivo, o que prejudica pastejo seletivo e o desempenho animal. As braquiárias podem ser utilizadas como volumoso durante o período seco, principalmente se diferidas, aliadas ao fornecimento de suplementos aos animais.

     *Denise Baptaglin Montagner é pesquisadora da Embrapa Gado de Corte 

    Fonte: Embrapa Gado de Corte

     


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