• Nutrição
  • Manejo correto de pastagem trás ganho de produtividade

    26/08/2014
    Você sabe qual o ganho em produtividade que se pode atingir com o correto manejo de pastagens? "Com a adoção conjunta de tecnologias de processos e de alto insumo, é possível aumentar a produtividade e a rentabilidade [da atividade pecuária] em 15 a 17 vezes, ou seja entre 1.400% a 1.600%".

    Esta é a opinião de Adilson de Paula Almeida Aguiar, zootecnista, especialista em didática do ensino superior (UFV, Viçosa) e em Solos e Meio Ambiente (UFLA, Lavras), consultor, professor da FAZU e sócio diretor da Consupec. Ele concedeu uma entrevista à equipe da Scot Consultoria sobre manejo e adubação de pastagens, tema que será apresentado no Encontro de Adubação de Pastagens, Encontro de Criadores e Encontro da Pecuária Leiteira.

    Os encontros acontecem de 30 de setembro a 3 de outubro no Centro de Eventos do Ribeirão Shopping, em Ribeirão Preto-SP. Para mais informações acesse www.scotconsultoria.com.br/encontros ou ligue 17 3343 5111. Confira a entrevista:

    O que será abordado em suas palestras?

    Adilson Aguiar: No Encontro de Adubação de Pastagens apresentarei um resumo comparativo de como o agricultor conduz suas lavouras e como o pecuarista conduz as suas pastagens e demonstrarei que pastagens intensivas são tão ou mais exigentes em nutrientes que culturas agrícolas, e que extraem quantidades muito maiores de nutrientes e com uma dinâmica muito mais complexa. No Encontro de Criadores apresentarei como os índices zootécnicos influenciam e impactam o resultado econômico da atividade de cria, especificando como o manejo da pastagem e do pastejo influenciam aqueles índices zootécnicos e os resultados econômicos. No Encontro da Pecuária Leiteira apresentarei as bases de sistemas de produção de leite em pastagens intensivas, as quais devem ser aplicadas, independente do tamanho da propriedade e do volume de leite. Especificarei alguns fundamentos para grandes propriedades com volumes de leite entre 5,0 mil a 40,0 mil litros/dia.

    Explique-nos em poucas palavras por que o pasto deve ser considerado uma cultura agrícola?

    Adilson Aguiar: Como uma cultura agrícola, a espécie forrageira deve ser escolhida com base em critérios técnicos para condições específicas de uma região; as sementes devem ter alto valor cultural como as sementes de culturas agrícolas; a correção do solo e o seu preparo também devem ser orientados com base no conhecimento científico e validados nas fazendas comerciais; a semeadura da mesma forma, como também os controles de pragas e de plantas invasoras e o momento da colheita, com a diferença que, na pastagem, será feita pelo animal, o que é mais complexo que a colheita mecânica. Mas, especificamente relacionado ao manejo da fertilidade do solo, com um exemplo simples é possível demonstrar que as plantas forrageiras são tão ou mais exigentes em nutrientes que as culturas agrícolas. Considerando produtividades referências em soja de 100 sacas/ha e de milho de 250 sacas/ha, e o cálculo do quanto de matéria seca total será produzida por estes cultivos, chegarei em valores próximos a 12,0 e 30,0 toneladas de matéria seca total/ha, respectivamente. Em pastagens muito intensivas, produzindo entre 70,0 e 90,0 @/ha/ano ou 30,0 mil a 50,0 mil litros de leite/ha/ano, as produtividades de matéria seca variam entre 30 a 45 t/ha/ano.

    Considerando que, a maioria dos pecuaristas não dá a devida importância para as pastagens, de que forma podemos reverter essa situação?

    Adilson Aguiar: Muito se tem feito por parte dos pesquisadores, professores, consultores, empresas do agronegócio nos últimos 40 anos; quantos eventos (congressos, simpósios, encontros, dias de campo) e divulgação na mídia especializada (revistas, TV, entre outros) têm sido feitos com a finalidade de conscientizar os pecuaristas de que a pastagem deve ser encarada e conduzida como uma cultura agrícola. Muitas mudanças vêm ocorrendo, mas ainda há muito a avançar. Aquelas iniciativas devem ser continuadas, entretanto, pelo menos no meu ponto de vista em particular, as maiores mudanças de atitude ocorrerão pelas pressões impostas pela legislação e pelo mercado, ou seja, o pecuarista fará mudanças por necessidade e não por conscientização, pelo menos num primeiro momento, e isso já é fato.

    Com o correto manejo de pastagens, qual o incremento que o pecuarista pode ter na rentabilidade de sua atividade?

    Adilson Aguiar: Apenas com a adoção de tecnologias de processos (técnicas) e baixo insumo é possível aumentar a produtividade e a rentabilidade entre 0,5 a 1,7 vez (40,0% a 160,0%), dependendo da base de comparação. Entretanto, com a adoção conjunta de tecnologias de processos e de baixo insumo com tecnologias de alto insumo, é possível aumentar a produtividade e a rentabilidade em 15 a 17 vezes, ou seja, entre 1.400,0 a 1.600,0%.

    Em termos de produtividade de leite, qual variedade de gramínea que o senhor recomendaria como ideal em um sistema de produção em pasto? E para aumento da produtividade da pecuária de cria, existe alguma variedade recomendada?

    Adilson Aguiar: Não existe uma planta forrageira mais indicada para a produção de carne, ou de leite ou de lã, e nem uma mais indicada para uma categoria animal específica do rebanho, ou seja, para vacas em lactação, ou para vacas secas, ou para a cria, recria ou engorda. Para a escolha de uma espécie forrageira o técnico deve conhecer o ambiente onde a propriedade em questão está e estudar as suas características, tais como o clima (temperatura, incidência de geadas, índice pluviométrico), o solo (seu relevo, sua profundidade, sua drenagem e sua fertilidade), as pragas e as doenças comuns em forrageiras naquela região.

    Ele precisa também conhecer particularidades das espécies forrageiras que se adaptarem às condições daquele ambiente, tais como a sua aceitabilidade pela espécie herbívora em questão, se causa algum distúrbio metabólico em alguma categoria animal específica, a forma de plantio. Por fim, o técnico deve conhecer as particularidades do projeto em questão, ou seja, qual será a forma de uso da espécie forrageira, digo, se para pastejo, ou para conservação na forma de silagem, feno ou pré-secado e qual será o nível tecnológico de exploração daquela forrageira (extensivo, intensivo, ou intensivo com irrigação).

    Uma vez adotados aqueles critérios na escolha das espécies forrageiras, a sua qualidade (valor nutritivo, por exemplo) e produtividade, serão definidas pelo manejo da pastagem.

    Fonte: Scot Consultoria



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