• Notícias
  • Lona para silagem no confinamento: como escolher?

    13/07/2021
    A produção de silagem é uma técnica bastante antiga na atividade pecuária, mas vem ganhando destaque com a adoção de modernas tecnologias, tanto na produção quanto no armazenamento.

    O alimento produzido é responsável por manter o ganho de peso dos animais, principalmente no período do inverno, quando a qualidade e disponibilidade das pastagens diminui consideravelmente.

    Neste cenário, os custos de produção merecem atenção especial por parte do pecuarista, sendo importante que o produtor se preocupe com diversos detalhes, tais como: matéria-prima escolhida para plantio, infraestrutura para colheita e preparo (preparo de solo, maquinário e mão de obra), além de escolher o tipo de armazenamento mais adequado com sua realidade financeira.

    Em relação ao cereal, gramínea ou leguminosa escolhidos para produção de silagem, deve-se levar em conta as estações climáticas, já que alguns produtos registram melhor produtividade no verão e outros, no inverno.

    Complementando o processo de planejamento da lavoura é válido destacar que o preparo e manejo da área plantada definirão a produtividade na colheita, assim como a qualidade da lona que será responsável por proteger a silagem de intempéries e até mesmo a invasão de animais.

    Silagens com maior preferência na pecuária

    Selecionamos algumas opções de plantas forrageiras recomendadas pela Embrapa Trigo, a fim de auxiliar o produtor rural a definir qual opção será mais viável para alimentar a criação.

    A seguir estão elencadas algumas das espécies mais cultivadas:

    1 – Milho: o cereal registra maior preferência na produção de volumoso, por reunir fatores como potencial produtivo, aceitação dos animais e qualidade da silagem. Essa matéria-prima oferece três opções de preparo: planta inteira, espiga e grão úmido.

    Entre os aspectos positivos observados no preparo do milho estão:

    • Teor de matéria seca (30% a 35%),
    • Alta produção de massa por hectare,
    • Ótima qualidade nutricional,
    • Manejo da cultura e relativa facilidade para produção da silagem.

    2 – Cana-de-açúcar: utilizada na forma de silagem ou oferecida fresca, a cana apresenta baixo custo de produção (em relação ao milho). Sua lavoura aceita cortes por um período de até cinco anos, alcançando uma produtividade média de 100 toneladas por hectare. Possui ainda alto teor de açúcar (40% a 50% de açúcares na matéria seca).

    Em contrapartida, o ensilamento dessa gramínea exige mais atenção, conforme informações divulgadas por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Em razão do alto teor de fermentação alcoólica é necessária a utilização de inoculantes que reduzem a produção de leveduras.

    Outra correção que precisa de acompanhamento técnico é a utilização de ureia, para suprir a falta de proteínas e minerais como cálcio e fósforo.

    3 – Capim: Além de ser utilizada como principal fonte de alimentação dos bovinos na versão in natura, essa forragem pode ser transformada em silagem com fornecimento satisfatório de fibras e valor nutritivo. Outro ponto positivo é a capacidade de armazenamento, já que em um metro cúbico é possível acondicionar 500 a 600 kg de capim processado.

    4 – Aveia: considerado uma alternativa de baixo custo, o cereal registra alto teor de proteína, bom percentual de carboidrato e digestibilidade de 65%.

    A recomendação de pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) é para que os produtores escolham cultivares melhorados geneticamente, a fim de alcançarem melhores resultados nutricionais.

    5 – Centeio: com alto volume de massa verde, essa cultura é vantajosa na produção de pastejo, feno ou silagem. Cultivado no período de entressafra, apresenta ciclo de até 160 dias. Uma das cultivares desenvolvidas pela Embrapa, o BRS Serrano apresenta massa seca de forragem superior a 10 toneladas por hectare.

    O centeio é considerado a espécie mais produtiva (culturas de inverno) em termos de volume de forragem e, como outras matérias-primas, pode ser ensilado a partir da planta inteira, pré-secado ou com grãos úmidos. A silagem apresenta maior concentração de proteína bruta (10%), mas tem valor energético menor (10% a 15%) do que o milho.

    Pontos de atenção com o preparo da silagem

    Um fator importante a ser considerado pelo produtor é que existem diversas opções de silos no mercado, porém, se o processo não for realizado corretamente, o alimento preparado poderá fermentar, mofar, putrefar e até ser a fonte para produção de toxinas que prejudicam a saúde do rebanho.

    Um exemplo prático pode ser verificado na silagem de milho, colhido antes da hora. A quantidade de líquido produzirá uma fermentação butírica (converte carboidratos no ácido butírico por ação de bactérias, na ausência do oxigênio). O resultado é observado na perda de proteína e energia, além do animal não apreciar a silagem.

    Em contrapartida, a colheita tardia do cereal produz teor de matéria seca em excesso que pode dificultar a compactação, e consequentemente, formação de mofo.

    Os silos mais adequados para a realidade nacional são aqueles construídos na superfície. Saiba como funcionam:

    1 – Silo trincheira: o modelo é um dos mais utilizados na produção pecuária já que podem ser adaptados em terrenos acidentados, atendendo a diferentes relevos do território nacional. O formato de trincheira contribui na boa compactação da silagem, possui baixo custo e é simples de manusear (armazenagem e retirada).

    2 – Silo de superfície: a ensilagem é realizada no nível do solo com utilização de lona plástica. Apesar do menor custo, em relação a outras opções, não foi planejado para comportar grande volume de silagem e é recomendado para materiais com alta umidade.

    Lonas para silagem, qual a melhor escolha?

    Conforme alertado anteriormente, problemas na vedação da forragem podem colocar em risco a conservação do produto. Isso acontece quando existe a presença de oxigênio na compactação, ocasionando aumento na temperatura e proliferação de fungos e pragas, como por exemplo, roedores.

    Nesse sentido, a lona de cobertura tem papel fundamental na vedação da massa ensilada e se bem manejada, impede a penetração do ar para o interior da silagem. As principais características que a lona precisa ter são:

    • Espessura de 120 a 200 micras (varia com o material e objetivo);
    • Coloração;
    • Dupla face;
    • Polímero (utilizado na produção de plásticos como o polietileno).

    A resistência das lonas é fundamental de forma a evitar rasgos e furos, por isso a atenção deve ser redobrada com a qualidade do material que pode ser adquirido por indicação técnica. O produto precisa ter dupla face e tratamento aditivo contra raios ultravioleta, a fim de proteger a cobertura da massa ensilada.

    Outra informação valiosa para os produtores é utilizar a dupla face com o lado escuro na parte interna da silagem e o mais claro, do lado de fora. Essa medida é necessária já que o primeiro retém o calor externo e ajuda na conservação da forragem.

    Além disso, outros detalhes devem ser observados antes de comprar as lonas. Dentre eles, um dos principais é o tamanho padrão disponível no mercado. Geralmente, as dimensões variam de 50 a 100 metros de comprimento, por 8 a 12 metros de largura. Dessa forma, é importante que o produtor tenha essa informação antes de construir o espaço destinado aos silos (superfície ou trincheira).

    Retomando as questões técnicas do material de cobertura, é importante que o produtor faça uma análise do preço e não caia na tentação de adquirir produtos “mais baratos”. Geralmente, a diferença nos preços está diretamente ligada às lonas com material de menor qualidade.

    Ao adquirir um produto de menor qualidade, o pecuarista está sujeito a descobertas desagradáveis como o rompimento espontâneo da lona em curto período de tempo, ou ainda, pela baixa proteção da forragem armazenada.

    Considerando que o custo desse material representa cerca de 2% de todo processo produtivo da silagem, é recomendável investir em opções mais resistentes de forma a conservar adequadamente o alimento preparado para o rebanho.

    Com essas informações, acreditamos que você, produtor rural, terá mais segurança ao adquirir as lonas que protegerão a silagem do rebanho. Então, fique atento para as recomendações e procure sempre um profissional habilitado que possa esclarecer dúvidas e orientá-lo corretamente.

    Fonte:  Blog Canivete com curadoria Boi a Pasto.



  • Falta de assistência técnica é gargalo para atingir metas de metano e carbono

  • Firmados na COP26, pactos para diminuir emissão de gases de efeito estufa estão distantes de produtores que carecem de extensão rural pública

    + leia mais
  • Aumento de 35% na probabilidade de prenhez e 30% mais peso nos bezerros desmamados

  • Esses números são possíveis com o uso da suplementação alimentar específica para vacas durante o período reprodutivo

    + leia mais


  • Criação de sites