• Nutrição
  • Integração lavoura-pecuária ajuda a eliminar o capim annoni das pastagens

    10/10/2014
    Além de ser uma planta fibrosa com poucos nutrientes, o annoni pode machucar a boca do animal e atrapalhar a engorda.
    Não existe um levantamento oficial sobre o prejuízo causado, mas estima-se que cerca de 500 mil hectares de pastos no RS já foram atingidos pelo annoni. Foto: Canal Rural/Reprodução

    O capim annoni é uma das pragas mais conhecidas pelos pecuaristas do Rio Grande do Sul e já causou prejuízo em muitas fazendas. Mas algumas técnicas de controle têm se mostrado eficiente no combate à planta.Na região da Campanha gaúcha, municípios brasileiros que fazem fronteira com o Uruguai, para todos os lados que se olha têm, no mínimo, há um pasto tomado pelo capim annoni.

    O annoni não se importa com os tipos de solo e nem mesmo com o frio intenso do Rio Grande do Sul. Em pleno inverno gaúcho, os brotos estavam cheios de vigor. O capim que foi trazido da África na década de 1950 como uma alternativa forrageira se mostrou uma praga indomável. “Ele se adapta a qualquer tipo de solo. Ele tem um pouco mais de dificuldade onde é mais úmido, com drenagem mais deficiente, tanto é que ele vegeta até no asfalto, na beira de estrada, com bastante pisoteio. Por ser uma espécie que evolui no solo com baixa fertilidade, o annoni encontra ambiente favorável em todo tipo de solo”, explica o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Naylor Peres.

    No asfalto, as mudas vão se multiplicando como se estivessem em terra fora. O produtor rural do município de Dom Pedrito José Armando Nogueira sabe muito bem a força que tem o capim annoni. “Se puser fogo, rebrota. Se cortar, vem com mais força. Se cair uma semente no cimento do galpão, ela nasce”, resume Nogueira.

    De aparência inofensiva, de folha bem fininha, mas com uma raiz muito forte. Segundo Naylor Peres, essas raízes profundas conseguem extrair mais água e nutrientes do solo, o que afeta as outras plantas que estão em volta. As sementes do annoni ficam por até 15 dias no trato digestivo dos animais e são transportadas também pelos cascos e pelos bovinos.

    Não existe um levantamento oficial sobre o tamanho do prejuízo causado, mas estima-se que cerca de 500 mil hectares de pastos no Estado já foram atingidos, em maior ou menos proporção. “As pesquisas realizadas até agora mostram que a partir de 35% a 40% ele já traz prejuízo para o animal. O animal acaba enfrentando mais dificuldade e perde tempo em procurar outras espécies, e ele abandona o pastejo seletivo e acaba consumindo o annoni”, comenta Peres.

    Em alguns meses do ano, dependendo da idade da planta ou a falta de opção, o gado come o capim annoni. Além dele não ter um valor nutritivo interessante, por ser muito fibroso, ele machuca a boca dos animais, o que atrapalha a ingestão de outros alimentos. “Partes das folhas, que são bem finas, acabam ficando entre os dentes e traz gengivite e, muitas vezes, com a perda da dentição, o animal vai perdendo a capacidade reprodutiva, no caso das vacas. Isso traz prejuízo pelo baixo desempenho dos animais”, alerta.

    Naylor Peres faz parte de um grupo que se dedica às pesquisas sobre o controle e a prevenção do annoni. E foi dessas pesquisas que surgiu um aplicador seletivo de herbicida. Dentro da fazenda experimental da Embrapa já é possível ver a diferença entre os piquetes tratados e os que não sofreram nenhuma interferência. Outra opção é aliar o uso da máquina com o cultivo de pastagens de boa qualidade para que o annoni perca força. “Com o passar do tempo, vão ocupando esses espaços e, gradativamente, a gente vai poder deixar de culturas essas espécies anuais e sempre com metas de adubação que permita ter um bom crescimento das espécies. Também não dá para pensar só em controlar o annoni sem dar condições para outras espécies se desenvolverem adequadamente”, afirma o especialista.

    O produtor rural João Augusto Rubim conseguiu vencer o capim invasor. Há 15 anos, quando comprou uma propriedade em Bagé, tudo era tomado pelo annoni. Com a integração lavoura-pecuária conseguiu limpar todas as áreas da fazenda. “A produção de carne em cima do annoni é muito inferior, dá 80 a 90 kg por hectare. Com pastagem cultivada, dá 600 a 700 kg, então é decisão de eliminar e colocar pastagem de qualidade”, explica Rubim.

    Fonte: RuralBR



  • Planejamento e semente de qualidade são critérios para pasto bem formado

  • O planejamento é um processo fundamental para quem pretende formar, reformar ou recuperar uma pastagem. Existem vários passos que são necessários para que o produtor tenha sucesso nesta empreitada.

    + leia mais
  • Estratégias de suplementação na entressafra

  • Qual melhor caminho a seguir em momentos de mudanças?

    + leia mais
  • Uma nova revolução

  • Eficiência alimentar passa a ser grande preocupação dos principais selecionadores de bovinos do País. A característica promete conferir maior competitividade à produção de carne vermelha.

    + leia mais
  • Genética no tempo, sem artificialismos

  • Respeitando a fixação de características no rebanho ao longo do tempo sem quaisquer maquiagens nas informações observadas e coletadas no campo.

    + leia mais


  • Escreva um comentário



  • *

    *
    *





  • Comentários (1)



  • Raimundo Ricarte
  • Boa noite. Gostaria de saber se este tipo de capim annoni, ele é resistente a seca, o plantio é feito por sementes.

    Postado: 22/01/2016 21:45:00

    Criação de sites