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  • Fechamento de fábricas de ureia da Petrobrás prejudica pecuaristas e reduz produção nacional

    03/07/2018
    A Petrobrás está anunciando o fechamento de duas de suas fábricas de fertilizantes, localizadas na Bahia e Sergipe.

    A pecuária brasileira irá sofrer um duro golpe, pois passará a depender da importação do produto.

    Essas duas unidades são responsáveis pelo fornecimento de ureia ao mercado nacional, um composto nitrogenado não proteico derivado do petróleo, especialmente utilizados na agroindústria e pecuária, fundamental para a alimentação do rebanho bovino brasileiro, especialmente durante os meses de estiagem, quando o pasto está seco.

    Durante o período de estiagem, nos meses de inverno pincipalmente, a suplementação de animais a pasto e o confinamento para terminação são estratégias fundamentais para melhorar a eficiência dos sistemas de produção. Mas essas estratégias carregam consigo altos custos, em função dos insumos utilizados na alimentação dos animais, principalmente no que se refere as fontes proteicas. A ureia surge então como importante fonte alimentar em equivalência proteica, mas com menor custo. Sua principal vantagem é permitir a economia de insumos sem comprometer a produtividade dos animais, e o melhor aproveitamento de alimentos com teor de fibras.

    Com o fechamento das fábricas da Petrobrás, a pecuária brasileira irá sofrer um duro golpe, pois passará a depender da importação do produto, com significativos prejuízos financeiros aos produtores. Em março deste ano, a Petrobrás já havia anunciado a decisão de “hibernar” as unidades de Sergipe (FAFEN-SE) e da Bahia (FAFEN-BA), postergando a decisão do fechamento definitivo para o segundo semestre deste ano. Esse anúncio inflamou o debate sobre o abastecimento da pecuária brasileira e a dependência dela com as importações.

    Na ocasião, a ASBRAM – Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais participou, no início de abril, de audiência pública no Senado Federal, na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, para debater o assunto. No encontro, a entidade, em conjunto com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), defendeu a manutenção das atividades das unidades da Petrobras. “Depender totalmente de produtos importados coloca o Brasil em situação de fragilidade pela importância que a agricultura tem. Ter uma produção de fertilizantes nitrogenados economicamente viável no país é uma garantia para o agricultor que ele vai ter esse insumo a preço satisfatório que o permita concorrer no mercado mundial”, afirmou o coordenador do Grupo de Tecnologia da CNA, Reginaldo Minaré.

    A ASBRAM destacou, na audiência, a “necessidade da criação de uma cadeia de fornecedores locais e de agregação de valor ao País, já que a agricultura e pecuária brasileira estão entre as mais competitivas do mundo”. Ao reconhecer a inevitabilidade do fechamento das duas fábricas, a entidade solicitou a extensão do prazo para que o setor tivesse mais tempo para se organizar. Em resposta, a Petrobras anunciou que as operações funcionarão até outubro deste ano e que fará um estoque de ureia pecuária para abastecer a atividade até dezembro de 2018.

    Para o senador Eduardo Amorim (PSDB/SE), autor do requerimento para a realização da audiência pública, o fechamento da Fafen na Bahia e em Sergipe vai desabastecer o mercado agrícola e tornar o País vulnerável e dependente do mercado externo. “Fechando essas empresas, estamos indo na contramão do progresso e de uma agricultura e uma pecuária forte. Estamos entregando o mínimo de soberania que temos. Somos o segundo maior produtor de alimentos do mundo e para chegarmos à primeira posição temos que ter a autossuficiência em fertilizantes. Esse é o caminho”, reafirmou. Para a vice-presidente executiva da ASBRAM, Elizabeth Chagas, “mais uma vez, o Brasil que dá certo, o Brasil agro, sofre pela falta de planejamento do Brasil errado”.

    A Petrobras produz 95% da ureia pecuária consumida no País, composto diferente da utilizada em fertilizantes. Com o fechamento das duas unidades produtoras da Petrobrás, a ASBRAM estima que o custo do produto final pode subir em até 15%. Esse fato certamente irá prejudicar ainda mais a produtividade média da pecuária brasileira, que hoje já está aquém de todo o seu potencial de desfrute. O presidente da ASBRAM, Ademar Leal, afirmou que entre 150 e 170 milhões de cabeças podem estar sendo suplementadas com apenas 40% do que seria necessário para a produção, com base no desempenho das vendas do setor. “O número comercializado hoje é responsável pela suplementação corretamente de, no máximo, 70 milhões de cabeças. O problema é a subdosagem. Talvez tenhamos 150 a até 170 milhões de cabeças comendo 40% do necessário”, alertou Leal, apontando possíveis influências negativas em índices de prenhez, peso à desmama e ganho médio diário em diferentes fases do ciclo produtivo”.

    Redação Portal Boi a Pasto



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