• Sustentabilidade
  • Estudo mostra que Brasil pode ter a maior expansão agropecuária do mundo com desmatamento zero

    06/08/2014
    A chave é aumentar a produtividade das áreas de pastagem, segundo coordenador do estudo.

    Um estudo coordenado pelo Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS, Rio de Janeiro/RJ), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa, São Paulo/SP), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE, São José dos Campos/SP) e publicado no periódico ‘Global Environmental Change’, mostrou que uma melhor utilização de áreas já dedicadas à pecuária pode conciliar uma expansão expressiva da agropecuária nacional com desmatamento zero.

    “Nossas análises mostram que o Brasil já possui áreas agrícolas e pecuárias suficientes para absorver a maior expansão de produção agrícola do mundo nas próximas três décadas, sem precisar desmatar um hectare adicional de áreas naturais”, afirmou o coordenador do Estudo, Bernardo Strassburg, professor da PUC-Rio e diretor executivo do Instituto Internacional para a Sustentabilidade.

    “A chave é um aumento de produtividade das áreas de pastagem. Hoje utilizamos apenas um terço do potencial das nossas pastagem, e se passarmos a utilizar metade deste potencial em 30 anos conseguiríamos aumentar em 50% a produção de carne e liberar 32 milhões de hectares para outros cultivos como a soja e florestas plantadas. Se conseguirmos atingir 70% do potencial, ainda liberarísmos outros 36 milhões de hectares para recompor áreas nativas, tão importantes para garantir a provisão de água e outros serviços ambientais que sustentam o próprio agronegócio, a produção de energia e a economia brasileira”, acrescenta Strassburg.

    De acordo com o estudo, utilizando metade do potencial nacional, em 30 anos, é possível aumentar em 50% a produção de carne (Foto: reprodução).

    “O aumento da produtividade da pecuária no Brasil exigirá esforços significativos, incluindo um planejamento territorial integrado, oferta de linhas de crédito compatíveis com a pecuária, de preferência com assistência técnica integrada. Estes podem ser caracterizados como um grande desafio. No estudo, entretanto, mostramos que esse aumento é possível e que poderia contribuir para resolver uma variedade de problemas socioambientais, aumentar a renda do produtor, diminuir a pobreza rural e fixar o homem no campo, resultando em um setor agrícola mais sustentável no Brasil”, afirma a diretora de pesquisas do Instituto Internacional para Sustentabilidade, Agnieszka Latawiec.

    Por outro lado tal iniciativa também apresenta riscos: “É imprescindível que uma política de aumento de produtividade – e portanto do lucro – na pecuária seja acompanhada de esforços complementares para evitar um impulso por mais desmatamento”, completa Bernardo Strassburg.

    Segundo o pesquisador da Embrapa Acre, Judson Valentim, tecnologias desenvolvidas pela empresa na forma de sistemas intensivos de produção bovina a pasto, associados a sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta estão promovendo uma revolução na agropecuária brasileira. As cultivares de gramíneas e leguminosas forrageiras desenvolvidas pela Embrapa já são adotadas em mais de 42 milhões de hectares de pastagens cultivadas em todo o Brasil. “Por serem bem adaptadas as diferentes condições de clima e solo, além de mais produtivas e de melhor qualidade, estas pastagens proporcionaram renda adicional de R$ 8,9 bilhões aos produtores em 2013. Esses sistemas sustentáveis conciliam aumento da produção e a melhoria da renda e do bem-estar dos produtores com a conservação dos recursos naturais”.

    O Plano ABC (Plano Setorial de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura) desenvolvido pelo governo federal é um exemplo de política pública que estimula a adoção dessas práticas. Produtores rurais podem requerer crédito para adoção de técnicas de baixa emissão de carbono, como recuperação de pastagens degradadas, Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs), sistema Plantio Direto (SPD),Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN) e florestas plantadas; tratamento de dejetos animais. A meta é incorporar 8 milhões de hectares até 2020.

    Ao evitar o desmatamento e diminuir a emissão de metano por quilo de carne produzida, tal iniciativa também seria uma poderosa ferramenta de conservação da biodiversidade e de mitigação das mudanças climáticas, evitando a emissão de até 14,3 GtCO2.

    Acesse o artigo na íntegra aqui.

    Fonte: IIS e revista Feed&Food.

     


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