• Nutrição
  • Estudo aponta ser possível aumentar a produção de gado de corte na Amazônia

    31/08/2015
    De forma rentável e em menor área de pastagem, pesquisadores da UFMG traçaram três cenários sobre o futuro da atividade no Brasil e na Amazônia, prevendo que a adoção de novas tecnologias promoverá ganhos financeiros, redução de área de pastagem e aumento da produtividade.

    É possível aumentar a produção de gado de corte no Brasil dos atuais 212 milhões para 250 milhões de cabeças até 2030, com uma redução de 24% de terras utilizadas para pastagens e ganho financeiro anual para produtores da ordem de R$ 400-650,00/hectare em comparação com a rentabilidade de sistemas tradicionais de R$ 130-255,00/hectare. Essa é uma das principais conclusões do estudo “Cenários para a Pecuária de Corte Amazônica” (www.csr.ufmg.br/pecuária ), desenvolvido sob a coordenação dos professores Britaldo Soares Filho e Fabiano Alvim da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Esse resultado poderia ser alcançado com a adoção de boas práticas de produção agropecuárias (BPA), incluindo suplementação nutricional estratégica, adubação de pastagens, manejo e rotação dos bovinos nas pastagens, semiconfinamento e confinamento, integração lavoura, pecuária e florestas, melhoramento genético animal, eficiência reprodutiva, controle sanitário, gestão técnica e administrativa e gestão ambiental e de recursos humanos.

    No caso da Amazônia, o campo de oportunidades se torna ainda mais acentuado. É possível aumentar a produção de 81 para 98 milhões de cabeças, utilizando 27% menos área de pastagens. Essa área equivale a 52 milhões de hectares.

     Esse panorama se insere num conjunto de três cenários - um conservador, um tendencial (intermediário com base nas práticas atuais) e um denominado inovador, com uso crescente de inovação tecnológica - elaborados pelos pesquisadores no estudo. "A nossa intenção era aplicar um conjunto de variáveis específicas que pudesse mostrar as implicações de três diversos panoramas para a pecuária de corte no Brasil, em especial na Amazônia. A variação entre esses panoramas se baseia em adotar ou não determinados níveis de inovação na produção", explica o professor Fabiano Alvim, da Escola de Veterinária da UFMG.

    Hoje, a pecuária bovina ocupa no Brasil cerca de 220 milhões de hectares, sendo que um terço desse total está localizado nos estados da Amazônia Legal Brasileira, aproximadamente 70 milhões de hectares. No passado, era possível expandir as fronteiras de produção naquela região com muito baixo custo através do desmatamento.

    No entanto, este quadro mudou e a pecuária se encontra diante de uma nova realidade ambiental e de novas condições econômicas. Sua expansão está limitada por políticas mais rigorosas de combate ao desmatamento e ela passa também a competir com o avanço da soja e de outras culturas. "Ou a pecuária se intensifica, com aumento de produtividade, ou irá ceder espaço para outras atividades agrícolas. Logo, a redução da área ocupada pela pecuária é chave para a solução de uma equação territorial que busque o equilíbrio entre o desenvolvimento rural e a conservação ambiental no território brasileiro", avalia o professor Britaldo Soares Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto de Geociências da UFMG.

    A Gestão

    O estudo “Cenários para a Pecuária de Corte Amazônica” também faz um panorama sobre a pecuária em todo o país e analisa os desafios e oportunidades para o segmento. Para que seja possível atingir maiores níveis de produtividade, um item essencial a ser levado em consideração, conforme os pesquisadores, é a gestão administrativa e financeira, com o conhecimento do custo de produção e resultados econômicos. "Sem que a gestão seja levada de uma forma profissional, tocada por pessoas que conhecem a fundo a área, fica difícil atingir bons resultados, pois serão necessários muitos investimentos e mudanças importantes na produção", explica o professor Fabiano Alvim. Segundo ele, o custo de produção e a margem de lucro são variáveis ainda desconhecidas pela maioria dos pecuaristas brasileiros, o que faz com que muitos evitem os investimentos em novas tecnologias.

    Visando facilitar o processo de aprimoramento da gestão financeira do setor, os pesquisadores desenvolveram um software chamado SimPecuaria, que está disponível a qualquer interessado, de forma gratuita. Trata-se de uma sofisticada ferramenta de avaliação técnica e econômica da atividade da pecuária bovina de corte, desenvolvida para ser utilizada por pesquisadores, consultores técnicos e gestores de fazendas. Através de uma interface do tipo Wizard (autoexplicativa), o usuário terá tanto a possibilidade de fazer o balanço financeiro da propriedade, como também de analisar diferentes estratégias de gestão e investimento. Mais informações pelo website www.csr.ufmg.br/pecuaria.

     Estudo está na Web

    O estudo “Cenários para a Pecuária de Corte Amazônica” está publicado no website www.csr.ufmg.br/pecuaria , onde também é possível consultar conteúdos adicionais, como gráficos, entrevistas com pecuaristas e mapas sobre a geografia da intensificação.

    Fonte: UFMG



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