• Nutrição
  • Estabelecendo pastagens e livrando-se de plantas invasoras

    13/04/2015
    Com o inicio da estação das águas, embora ainda prevaleça condições de estiagem ou de chuvas abaixo da média em algumas regiões do País, o produtor já pode iniciar o preparo do solo e a semeadura, para estabelecimento ou formação de pastagens.

    Pastagem implantada com semente de boa qualidade

    Marcelo Ronaldo Villa*

    Ou pelo menos, já ter essa tarefa planejada, para iniciar tão logo as condições climáticas sejam favoráveis. O estabelecimento ou a reforma de pastagens exige manejo adequado, em todas as suas etapas, para que o produtor obtenha um pasto de qualidade. Para isso, é necessário seguir alguns passos primordiais que serão a chave para o sucesso do estabelecimento do pasto: 

    1° passo - o produtor deve procurar um técnico que tenha conhecimento e detenha a tecnologia de reforma de pastagem, escolha do material de acordo com espécie e categoria animal que irá consumi-lo (ex: Brachiarias, Panicuns, etc.); 

    2° passo - fazer a coleta de amostra de solo da área desejada para reforma. Essa amostra é de suma importância para que o laboratório possa fazer a analise de solo; 

    3° passo - a interpretação dos resultados da análise de solo, para que o possa fazer a calagem e adubação de plantio (se houver necessidade, conforme a análise de solo); 

    4° passo - fazer o preparo do solo com objetivo de eliminar restos vegetais existentes (cultura anterior e ervas daninhas), deixando o solo em condições de receber as novas sementes.  

    5° passo - após o preparo do solo e incorporação do calcário e de fertilizante fosfatado cujo objetivo é melhorar o teor de P (fósforo no solo), isso se houver necessidade, o produtor deve fazer o plantio das sementes da pastagem, (passo muito importante, pois sabemos que sementes de baixa qualidade podem levar ao insucesso da formação da pastagem); 

    6° passo - ficar atento, logo que verificar a germinação das sementes, ao desenvolvimento das plântulas, pois nesse estágio pode ter ataques de pragas (fungos e insetos), como, por exemplo, ataque de lagartas; 

    7° passo - o produtor deverá fazer a aplicação da adubação de cobertura, normalmente feita após 40 dias da germinação das sementes; 

    8° passo - ficar atento quanto à altura de pastoreio da espécie ou da cultivar escolhida (ex: Brachiarias, Panicuns e etc.), para que os animais possam entrar e aproveitar ao máximo a qualidade da forragem. 

    Se o produtor obedecer a esses sete passos com certeza irá ter sucesso no estabelecimento da pastagem. 

    Baixa qualidade da sementes: estabelecimento comprometido pelo excesso de ervas daninhas

    Plantas invasoras

    Durante o preparo do solo, o produtor deve aproveitar também para se livrar de plantas inva-soras e suas sementes. Se houver histórico de ervas daninhas na área, o produtor deve promover o controle químico e utilizar o correto preparo do solo, em algumas situações evitando revolver o solo, pois o banco de sementes nele contido -- e dormente por vários anos -- poderá ser “despertado”. A escolha de material que possa ter alguma alelopatia (ex: Brachiaria brizantha cv Marandu), pode ser uma alternativa eficaz para o controle dessas ervas.

    As invasoras mais comuns existentes no Estado de São Paulo, por exemplo, são as guanxumas, picão preto, capim amargoso, juá bravo, carrapicho, trapoeraba, dentre outras. Essas ervas podem entrar em competição com a própria pastagem, atrapalhar seu desenvolvimento e degradá-las. Além de promover a diminuição no volume do pasto, algumas ervas podem ser tóxicas para os animais que as ingerir.

    Quando o produtor faz o investimento em sementes de pastagem/forrageiras, ele deve ter a consciência que, dependendo da tecnologia empregada nessas sementes (ex: sementes com VC - valor cultural de 35%, 40% ou até 50%), o produtor pode estar levando algum tipo de erva daninha, pois nesse valor cultural pode ocorrer à presença de sementes de ervas dentro do lote. Ou seja, uma escolha mal feita pode acarretar em infestação da área.

    Dentro dos processos e tecnologias de reforma/estabelecimento de pastagem, o produtor tem ainda a opção de trabalhar com o SPD (sistema de plantio direto) na palha, e também fazer e desenvolver a IL - Integração com Lavoura (ex: Milho/Brachiaria, Sorgo/Panicum e etc.). São sistemas que podem ser muito eficazes no controle de ervas daninhas, além de maximizar a produção por hectare.

    O produtor pode ainda utilizar herbicidas, trabalhando com seu manejo racional e responsável, sempre que o equipamento seja adequado e tenha uma ótima precisão, para que não haja desperdício do produto e que não ofereça riscos para quem esteja aplicando. Além disso, deve ser respeitado o período de carência de entrada nas áreas em que foram aplicadas o herbicida.

    Semente adequada

    Por fim, o produtor deve escolher a semente mais adequada para a pastagem que pretende formar, considerando tipo de solo, clima, exigência em fertilidade, topografia e que animais irão consumi-la. A escolha da tecnologia adequada de sementes forrageiras é o inicio do sucesso ou fracasso da reforma/estabelecimento da pastagem. 

    É preferível que o produtor opte por sementes puras, que vêm livres de pragas e enchimento (ex: torrão), e ainda oferecem a oportunidade de o produtor fazer o investimento em tratamentos especiais (ex: fungicidas, inseticida e polímeros), que protegem as sementes e melhoram a germinação e desenvolvimento das plântulas. Dependendo do tratamento, preservam-se as sementes do ataque de fungos de solo e de ataques por insetos e pássaros, podendo ser utilizadas em qualquer região. Sendo ótimas na formação de pastagem, as sementes tratadas permitem maior uniformidade na emergência das sementes, permitindo muitas vezes antecipação da entrada dos animais na pastagem.

    Por outro lado, quando o produtor faz a escolha e o investimento por sementes incrustadas, ele tem a vantagem de estar aplicando, lançando ou plantando, uma tecnologia que alia menos investimento por/ha e garantia superior de proteção se comparando a uma semente nua. Ou seja, as sementes incrustadas são sementes puras que passam por um processo de adição de um produto químico que elimina ovos de insetos, sementes chochas, sementes meia grama, de retirada da palha que envolve a semente, propiciando melhor performance na germinação. Esse processo está aliado a equipamentos adequados e produtos específicos para tratamento. Tem como finalidade deixar apenas sementes de alta grama, ou seja, sementes de altíssimo potencial para germinar, e livres de alguns gêneros de nematoides.

    Após esse processo, chamado de escarificação, as sementes incrustadas tem outra vantagem que, é o tratamento com fungicida e com polímero (produtos de série, que já estão na tecnologia de incrustação). O produtor pode ainda fazer a opção pelo tratamento com inseticida.

    Além de todas essas vantagens as sementes incrustadas estão protegidas e envolvidas por um produto que fornece melhor plantabilidade, facilidades na regulagem do equipamento semeador, mais rendimento no campo e, ainda, protegidas na incrustação, ou seja, as sementes estão protegidas contra as intempéries do campo (climáticas, como por exemplo, a falta de umidade), tudo isso, propicia condição mais eficiente para germinação quando comparamos a uma semente nua e de baixo padrão. Enfim, o custo de formação por/ha é menor para o produtor, com maior qualidade na formação de pastagem.

    *Marcelo Ronaldo Villa é engenheiro agrônomo do Departamento Técnico de Sementes do Grupo Matsuda.

     

     

     


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