• Nutrição
  • Efeito dominó e aumento na demanda causa falta temporária e atraso na entrega de suplemento mineral

    22/06/2021
    O avanço da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) causou um efeito dominó que começou na indústria de insumos, de suplemento mineral e agora chegou aos pecuaristas.

    Foto: João Costa Jr / Embrapa

    Por: Camila Gusmão – Portal Boi a Pasto

    Pelo menos duas das maiores fabricantes têm anunciado – nas redes sociais - a suspensão temporária da venda de suplementação mineral. E essa falta acontece justamente nesse período que estamos entrando na seca e o pecuarista realiza a suplementação para repor os minerais que o animal necessita para passar esse período sem muito impacto no peso.

    Para entender melhor o motivo desse problema o portal Boi a Pasto conversou com entidades que representam o setor.

    Segundo a Elizabeth Chagas, Vice-Presidente Executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), a pandemia semeou o caos nos transportes, nas fábricas, e não só aqui no Brasil, mas no mundo todo começaram a faltar transportes e escassez de bens em geral.

    “Da moda ao processamento de alimentos, passando por produtos farmacêuticos e do agronegócio, as companhias tentaram todas trabalharem ‘just in time’, em outras palavras com ‘estoques curtos’. Mas a pandemia prejudicou essa descoberta ‘maravilhosa’ de otimização de ganhos e redução de custos da empresas em geral. No nosso setor em 2020 a troncos e barrancos fomos ágeis e trabalhamos muito para garantirmos as entregas e os custos razoavelmente equilibrados”, disse.

    Outro fator que ocasionou esse problema foi o crescimento no setor, apenas no ano passado o aumento nas entregas foi de 11,37%, observando que foi um ano caótico com o surgimento e o alastramento da pandemia no Brasil.

    “Com o mercado em crescimento e as exportações de carnes brasileiras batendo recordes, todos os meses desse ano o inevitável aconteceu. Algumas matérias-primas e material de embalagens não acompanharam a demanda crescente. Nossa principal matéria prima o fosfato bicálcico ficou muito curto e qualquer atraso de um navio de importação e ou manutenção nas fábricas brasileiras, repercutiu muito nas nossas fábricas de suplementos. O mesmo aconteceu com sacaria. Mas estamos trabalhando bravamente para que nossos clientes sejam atendidos”, afirmou Beth.

    Ela destaca ainda que a demanda por parte do pecuarista é grande pois a arroba está com um bom preço, e o comprador continuar querendo ‘nossa carne’.

    “Os insumos que são commodities e dolarizados, estão nas alturas, pois a demanda mundial está aquecida e nossa moeda é uma das mais desvalorizada frente ao dólar americano. Bom para o exportador na hora que exporta, mas ruim quando esse mesmo exportador tem que pagar seus insumos em dólar. O mercado no fim encontrará equilíbrio, mas difícil podermos dizer quando. Vamos seguir nessa toada de muito trabalho e de ajuste de expectativas e produções e preços por ainda um bom tempo”, destacou.

    O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) Daniel Guidolin também comentou o fato.

    Segundo ele, esse período extenso de pandemia, que está caminhando para o segundo ano consecutivo, impactou diversas etapas da produção que vai desde a falta de embalagens, de micro elementos, fosfato até a de caminhão para o transporte. Isso ocorre, pois em alguns locais existem diferentes determinações impostas pelas prefeituras - como paralisações na indústria, por exemplo, devido à pandemia.

    E outro fator importante foi o aumento na demanda de todos os produtos relacionados ao agronegócio em relação a 2020.

    “Para cada item existe um motivo. Geralmente liga a redução de produção dos fornecedores devido ao Covid-19, ou algum problema especifico e único de algum determinado fornecedor. E como de certa forma todos itens no agro tiveram um aumento de demanda em relação 2020, o setor ainda está se ajustando para conseguir atender a essa necessidade. O que observamos são atrasos pontuais. Como boa parte dos contratos de fornecimento com nossos fornecedores são feito no ano anterior quando tem alguma mudança mais abrupta de oferta e demanda pode ocorrer atrasos pontuais.Mas acredito que deva ajustar em breve”, afirmou.

    Questionado sobre qual ação o pecuarista que está com o pasto lotado deve tomar, Guidolin falou que não existe item substitui o suplemento, seja ele mineral, proteico, energético e o que o produtor precisa fazer para não ter falta é melhorar um pouco o planejamento e programação de compra.

    “A maior parte dos produtores compram quando o produto acaba nos estoque de suas fazendas. O que eu poderia recomendar é que ele já faça um planejamento de todo o período da seca e coloque o pedido na empresa de sua escolha... É bom lembrar para terem muito cuidado com essa escolha, pois estamos vendo o surgimento de muitas empresas "Piratas" que não possuem SIFs, não possuem controle de qualidade e estão oferecendo produtos que no rótulo prometem muito e na prática não funciona... Escolha uma empresa idônea, que faça parte da Asbram e que tenha capacidade de cumprir na integra com o combinado”, destacou.

    Segundo Ricardo Araujo Ribeiral, diretor da Agroceres Multimix Nutrição Animal, embora tenham tido uma forte pressão nos custos por conta dos aumentos que ocorreram, não estão tendo problemas de oferta.

    “Dado a ótima relação de confiança entre a Agroceres e seus fornecedores, com planejamentos prévios de abastecimento para os principais ingredientes não estamos tendo problemas com o fornecimento. O principal motivo da pressão de oferta e de preços de alguns macro minerais, como o fosfato bicálcico, é a forte demanda mundial de fertilizantes fosfatados e o aumento da suplementação animal”, explicou.

    Ribeiral que é também presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) afirmou que é uma situação complicada  e a pressão de oferta e de custos dos suplementos minerais deverão se manter no segundo semestre de 2021.

    “A suplementação mineral é muito importante no Brasil, dado a deficiência nutricional em fósforo das pastagens brasileiras, agravado ainda mais na época de seca. O caminho do produtor é buscar uma segurança de oferta com seus fornecedores”, finalizou.

     



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