• Conjuntura
  • Disparada no preço e oferta escassa aumentam interesse na criação de bezerros

    10/03/2021
    Melhoria da qualidade da carne, ganho de peso e sustentabilidade são outros fatores que têm levado criadores a valorizar mais os animais.
    Crédito foto: Getty Images
     
    A pecuária brasileira saiu do nível analógico e está entrando para o mundo digital. E o segmento de cria da bezerrada, base da cadeia de produção da carne bovina, antes relegado a segundo plano, acompanha hoje o salto tecnológico.
     
    O cuidado na geração do bezerro ajuda a definir e melhorar a qualidade da carne, o ganho de peso e a taxa de desfrute do rebanho, que são fatores importantes nestes tempos de expansão da demanda externa e de maior exigência dos consumidores por sabor e suculência da carne.
     
    Pietro Baruselli, professor do Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidadede São Paulo (USP), lembra que, antes, a fase da cria era negligenciada e dava-se maior relevância para a recria e a engorda do gado, ativivades que proporcionavam melhor retorno.
     
    “O cenário está mudando. O pecuarista passou a investir no bezerro ao perceber a importância de manter uma atividade cada vez mais produtiva e sustentável.”
     
    Como resultado, a procura pela bezerrada cresceu e o preço disparou nos últimos anos, chegando até a superar a cotação da arroba do boi gordo. Na temporada 2020, apesar da pandemia do coronavírus, a cotação deu um salto e atingiu de R$ 2.500 a R$ 3 mil por cabeça, superando largamente o valor de alguns anos atrás, que girava abaixo de R$ 1 mil.
     
    A oferta de bezerros, que era numerosa no passado, tornou-se escassa em 2020 e deve continuar assim por algum tempo. Nos leilões – virtuais em sua quase totalidade –, a oferta pouco permaneceu na tela, por causa das disputas intensas, e as cotações movimentavam febrilmente o painel de preços.
     
    A movimentação também é grande nas fazendas. Invernistas, confinadores e criadores estão sempre em busca da bezerrada, o que tem deixado satisfeitos os vendedores de várias raças – desde as de sangue indiano, como nelore, até as de origem europeia, como angus e hereford.
     
    No caso do nelore, o pregão da Carpa, fazenda de Barrado Garças (MT), especializada em cria, em sua 41ª edição,  no ano passado,  comercializou 3.036 bezerros desmamados, à média de R$3.627, quase o dobro da alcançada em versões passadas.
     
    O proprietário da Carpa, Duda Biagi, está na atividade há 40 anos. Ele diz que a cria entrou em uma dinâmica de valorização contínua e que mesmo a oferta elástica colocada no mercado anualmente não consegue atender à procura intensa. São entre 7 mil e 8 mil bezerros negociados hoje na Carpa, pela média de R$3.500. “Estou pagando minhas contas com sobra”, brinca o pecuarista.
     
    Fonte: Revista Globo Rural  - Sebastião Nascimento com curadoria Boi a Pasto.


  • IICA e Fundo Verde do Clima fecham parceria de US$ 100 milhões para projetos de redução das emissões de metano nas Américas

  • Para secretário de Inovação do Mapa, Fernando Camargo, iniciativa pode ajudar países a cumprirem meta de diminuir as emissões de metano na pecuária

    + leia mais
  • Lei de pagamento por serviços ambientais é incentivo para cuidar do pasto

  • Pesquisadores da Embrapa destacaram a ligação entre das boas práticas de manejo do pasto e a nova lei de pagamento por serviços ambientais

    + leia mais


  • Criação de sites