• Nutrição
  • Consórcio de pasto com feijão auxilia no período seco do ano

    20/05/2021
    Desenvolvido pela Embrapa Agrossilvipastoril o consórcio de feijão-caupi com gramíneas eleva a qualidade da forragem no período da seca

    Redação Boi a Pasto

    Um sistema lançado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) o “Gravataí”, pode ser utilizado na pecuária de corte para a produção de forragem em grande quantidade (acima de 5 toneladas de matéria seca por hectare) com elevado teor de proteína bruta (> 15%) no período da seca para as condições do Cerrado brasileiro.

    O Sistema Gravataí é um consórcio de segunda safra para formação de pastagens de safrinha em sistemas de integração lavoura-pecuária na modalidade boi-safrinha, ou para formação de cobertura e palhada em sistemas de plantio direto (SPD) em solos de textura média e/ou argilosa do Cerrado brasileiro.

    Pensando na lavoura que vem na sequência, tem o objetivo de contribuir para a construção do perfil do solo por meio da melhoria dos seus atributos físicos, químicos e microbiológicos e de viabilizar um cultivo precedente e responsivo para as culturas da soja e do arroz de terras altas no sistema de plantio direto.

    O Sistema Gravataí consiste no consórcio do feijão-caupi (Vignaunguiculata) com gramíneas do gênero Brachiaria, como B. ruziziensis e B. brizantha cvs. BRS Paiaguás e BRS Piatã. Tem como característica o grande acúmulo de forragem de alta qualidade (valor nutritivo) no período seco do ano. Além disso, contribui para a melhoria do perfil do solo em áreas de lavoura com solos de textura média e/ou argilosa na sucessão com a soja”, explicou o pesquisador e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril, Flávio Jesus Wruck.

    Segundo o pesquisador, o consórcio é semeado após a colheita da safra de verão, podendo ser feito de três formas: com semeadura à lanço do capim seguida da semeadura direta do feijão; semeadura direta das duas culturas em duas operações; ou semeadura em uma única operação fazendo uso de uma semeadora com a terceira caixa.

    Para as condições de Cerrado, em anos normais de distribuição pluviométrica, espera-se que o consórcio esteja em condições de pastejo entre 45 a 50 dias após sua implantação.

    Segundo o pesquisador a escolha do feijão foi há dez anos, quando começaram as pesquisas e o objetivo era desenvolver um consórcio de capim com leguminosa para solos de textura média ou argilosa, com produção de biomassa elevada e com alto valor nutritivo, que aportasse nitrogênio para o sistema e que ao mesmo tempo descompactasse o solo para a cultura do arroz.

    “Teria que ser uma espécie que fosse fácil de ser implantada, que envolvesse sementes acessíveis e a um custo bom para o produtor rural. Dentre as opções que testamos, o feijão-caupi se mostrou com resultados melhores e atendeu às expectativas iniciais”, contou.

    Valor nutricional

    De acordo com as pesquisas, o Sistema Gravataí aumenta o teor proteico da forragem de 1 a 2 pontos percentuais quando comparado ao capim solteiro. No primeiro mês de pastejo a proteína bruta é superior a 15%. Na medida em que o gado come o feijão-caupi e a seca avança, o teor de proteína reduz, mas ainda há ganhos em relação ao capim solteiro.

    “Ao fixar nitrogênio no solo, o consórcio aumenta a produção de massa seca. Tudo isso resulta em melhoria do desempenho animal, com aumento no ganho médio diário de até 100g. Todavia é importante ressaltar que o consórcio não substitui a suplementação proteica-energética (ração) no período da seca. Ele não foi desenvolvido com essa finalidade. O consórcio eleva a qualidade da forragem no período da seca, elevando em média, entre 1 a 2% o teor de proteína bruta da mesma”, pontuou.

    O Sistema Gravataí já foi validado e lançado e está disponível para os produtores. A Embrapa desenvolve atualmente pesquisas com ele, usando-o como comparativo com outros consórcios que estão em fase de validação em áreas de produtores, como aqueles de capim com nabo forrageiro, trigo mourisco, sorgo forrageiro, girassol e guandu-anão.

    “Uma orientação importante é que o produtor comece testando em uma área menor da propriedade. Na medida em que se sentir mais confiante, ele aumenta a área no ano seguinte”, destacou o pesquisador e chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agrossilvipastoril, Flávio Jesus Wruck.

    No site da Embrapa há orientações técnicas para a implantação e condução desse consórcio. Confira:  https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/5791/sistema-gravatai---consorcio-de-braquiarias-com-feijao-caupi-destinado-ao-pastejo-em-sistemas-de-integracao-lavoura-pecuaria-ilp

     



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