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  • Congresso da ABAG foca os desafios de manter o Brasil na liderança mundial da produção de alimentos

    10/08/2016
    Evento reuniu em São Paulo mais de 900 líderes do agronegócio brasileiro.

    Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG: “No caso do agronegócio, o Brasil certamente tem peso decisivo na formatação de uma liderança global”. Foto: Boi a Pasto

    "Liderança e Protagonismo" foi o tema central do 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado na última segunda feira, dia 8, em São Paulo, destacando a importância da tecnologia no aumento da produtividade e da manutenção da liderança mundial do agronegócio. Para Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, entidade promotora do evento, em seu pronunciamento na cerimônia de abertura, “o mundo vive uma escassez crônica de líderes, com exemplos positivos e visão de futuro capaz de propor soluções plausíveis e corajosas para problemas concretos e complexos. Parece que perdemos a capacidade de gerar essas lideranças, fator essencial para a evolução da humanidade. No caso específico do agronegócio, o Brasil certamente tem peso decisivo na formatação dessa liderança global”.

    Também na cerimônia de abertura, o secretário da Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, que representou o governador Geraldo Alckmin, disse que o agronegócio nacional está pronto para ter liderança e exercer seu protagonismo, uma vez que o segmento não apenas produz alimentos e fibras, mas também, produz bioenergia. “Nosso setor está sempre em busca de agregar valor e de criar oportunidades para nosso país. O que precisamos é unidade de ação e uma boa governança e sintonia entre nossas entidades”, afirmou.  Ele ainda ressaltou a questão da sustentabilidade. “O Brasil aceitou definitivamente fazer uma agricultura sustentável. Por isso, aqui, o meio-ambiente e a agricultura não rivalizam”.

    A palestra inaugural do Congresso teve a participação do cineasta e escritor Arnaldo Jabor, abordando o tema “Brasil: Hoje e Amanhã”. Jabor mencionou as lideranças que atuam no agronegócio, referindo-se a elas como “as pessoas que seguram e seguraram a barra nesses anos todos de crise absoluta que o Brasil tem passado”.   No primeiro painel, que debateu “Liderança no Agronegócio”, a senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) falou que “a competitividade, a qualidade e a produtividade somadas aos aspectos ambientais, a sustentabilidade, o cuidado com o bem-estar animal, em um ambiente de evolução tecnológica crescente, estão exigindo dos líderes do agronegócio nacional um embate efetivo, uma liderança mais assertiva, inclusive, muitas vezes, tomando o papel de instituições públicas para que o setor avance e exerça realmente seu protagonismo”.

    Para outro participante do primeiro Painel, Eduardo Leduc, presidente do Conselho Diretor da ANDEF – Associação Nacional de Defesa Vegetal, o desafio para a consolidação da liderança do agronegócio brasileiro no mundo depende de um posicionamento mais firme em relação a qualidade, tecnologia e posicionamento de marca. “Mesmo com o agro crescendo no ritmo que conhecemos, liderar é uma coisa muito diferente. Ser o maior exportador de carne não significa ser líder. Para consolidar essa liderança temos de aumentar muito nossa produtividade. Para isso, é fundamenta termos uma visão de toda a cadeia produtiva”.

    No segundo Painel, “Protagonismo do Agronegócio”, Marcelo Furtado, representante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura deu ênfase a necessidade de se investir na economia de baixo carbono, destacando o papel fundamental do agro nesse processo. “O Brasil tem de recompensar e reconhecer aqueles que fazem a lição de casa direito”, afirmou. A seu ver, um dos grandes desafios atuais é pensar como engajar os jovens a participar do agro e a permanecer no Brasil Rural.

    Uma tônica que dominou os debates foi a de que, apesar de o setor ainda apresentar níveis de crescimento, diferentemente do que ocorre com a economia nacional, a agenda do agronegócio sofre com os limites impostos, como a capacidade logística brasileira, a crise fiscal, a dificuldade de orçamento governamental, o regime tributário, ao mesmo tempo em que há a necessidade de manter os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação para manutenção do desenvolvimento da indústria e da cadeia do segmento.

    No encerramento do Congresso, o presidente da ABAG, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, destacou a questão da demanda por alimentos em função do aumento da renda per capita, da maior urbanização e do crescimento populacional que vem ocorrendo no mundo. Por esse motivo, Carvalho pondera que é necessário a discussão de políticas públicas com vistas a longo prazo para que haja o crescimento sustentável não apenas do agronegócio como do país. “Assim, como foi sugerido durante nosso Congresso, nós devemos nos envolver para além do agronegócio. É nossa obrigação ter uma participação mais efetiva, que nossas lideranças possam atuar de forma macrossetorial. Quanto mais poder, mais responsabilidade”, enfatizou.

    Homenagens

    Ainda durante o 15º Congresso, a Abag homenageou, com o Prêmio Norman Borlaug, o engenheiro agrônomo Sizuo Matsuoka, geneticista e responsável pela maioria das variedades de cana em produção. O prêmio foi entregue por Ismael Perina Junior, agricultor do segmento canavieiro e presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool, órgão consultivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

    Foi entregue também o Prêmio Personalidade do Agro Ney Bittencourt de Araújo, que este ano homenageou o governador do Mato Grosso, Pedro Taques, que tem se destacado nacionalmente como um dos principais defensores do agronegócio. O prêmio foi entregue por Rui Prado, presidente da FAMATO – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso.

    Durante seu pronunciamento, Taques destacou os índices do agronegócio e reforçou a necessidade do país, e também do mundo, reconhecerem a importância de Mato Grosso para o setor produtivo. Atualmente, o Estado conta com o maior rebanho bovino do Brasil, com mais de 29 milhões de cabeças. Também é responsável por 88% do diamante do Brasil, 70% do milho pipoca, 65% do girassol, 50% do algodão, 39% do milho, 32% da soja e 14% do pescado de água doce.

    “Mato Grosso precisa ser reconhecido como esta potência. Produzimos muito e podemos produzir ainda mais e sem desmatar. O mundo vê Mato Grosso e o Brasil de forma equivocada e preconceituosa. Temos apresentado o Estado, junto com as associações, e mostrado que é possível produzir e respeitar a sustentabilidade ambiental”, destacou Taques.

    “Se sabemos que o mundo possui e necessita de estoque de alimento e que em 2050 teremos nove bilhões de habitantes no mundo, Mato Grosso e o Brasil precisam se inserir neste debate sobre geopolítica e segurança alimentar. Meu papel como governador não é produzir soja e boi, mas abrir caminhos para que possamos cada vez mais conquistar mercados internacionais. E é neste sentido que temos trabalhado, através de um ambiente de negócios, que está sendo feito em conjunto com a Secretaria de Estado de Fazenda”, reforçou o governador.

    Promovido pela ABAG desde 2002, o Congresso Brasileiro do Agronegócio, já faz parte da agenda dos principais formadores de opinião do País e na edição deste ano também contou com a presença das mais importantes lideranças políticas, empresariais e setoriais do agronegócio brasileiro.

    Redação Boi a Pasto



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