• Sanidade
  • Complexos das doenças respiratórias de bezerros

    03/08/2016
    O CDRB é composto por uma única entidade clínica, a broncopneumonia, que se refere à inflamação dos bronquíolos, parênquima e pleura em decorrência da invasão pulmonar por agentes infecciosos, bacterianos e virais, transportados pelo ar.

    Giane Lima Nepomuceno*

    Fatores ambientais como alta taxa de lotação, poeira e ventilação inadequada funcionam como agentes depressores do sistema imune do animal e respectivamente, podem propiciar o desenvolvimento de agentes patogênicos entre os animais. Na CDRB, pode inicialmente ocorrer instalação de um agente viral que afeta o sistema imunológico, criando condições favoráveis para colonização do trato respiratório por bactérias (agentes secundários). Destaca-se como agentes envolvidos na CDRB (tabela 1).

    Tabela 1: Agentes infecciosos associados à etiologia do Complexo das Doenças Respiratórias dos Bezerros – CDRB.

    1Principais invasores primários; 2Invasores secundários (oportunistas); 3Como agentes isolados, são capazes de provocar pneumonia intersticial aguda grave.

     O primeiro estágio da CDRB é a doença subclínica. O funcionamento dos mecanismos de defesa permite que o animal controle o desenvolvimento dos agentes patogênicos sem ocorrer reação imunológica intensa e consequentemente, a disfunção pulmonar é mínima ou inexistente. Já no segundo estágio, a resposta do sistema respiratório à reação inflamatória começa a limitar o animal. Entretanto, mecanismos compensatórios corrigem a perturbação das trocas gasosas e promovem adaptações funcionais (vasoconstrição, aumento do tônus dos músculos respiratórios) para melhor eficiência respiratória. No terceiro estágio, o animal é mais afetado pelas disfunções e pelas lesões causadas pela resposta inflamatória (comprometimento da integridade dos tecidos) do que propriamente pelos agentes patogênicos. Por fim, no quarto estágio têm-se lesões pulmonares provocadas pelos agentes patogênicos, pelas enzimas proteolíticas e pelos radicais livres liberados pelas células inflamatórias que podem ameaçar a sobrevivência do animal (RADOSTITS, 2007) (figura 1).

    Figura 1: (A) Pulmão de bezerro (surto 18) com diagnóstico de pneumonia enzoótica por vírus sincicial respiratório bovino mostrando consolidação das porções ventrais dos lobos cardíaco e apical. (B) Pulmão de bezerro com pneumonia enzoótica mostrando consolidação das porções ventrais dos lobos cardíaco e apical. A porção dorsal dos lobos diafragmáticos está armada, com impressão das costelas. (C) Lobos pulmonares consolidados de coloração avermelhada alternados com lobos normais dando um aspecto monteado ao parênquima. (D) Edema pulmonar evidenciado pela presença de espuma na traqueia.

    É de extrema importância procurar recursos e diagnósticos em que se dispõe para solucionar os problemas relacionados ao CDRB em um rebanho entre ele:

    Exame físico: Os animais devem ser observados frequentemente e, assim que qualquer alteração no comportamento, condição física e desempenho forem percebidos, deve-se realizar um exame clínico minucioso, em busca de sinais indicativos de comprometimento do trato respiratório. A inspeção, percussão, auscultação e olfação são métodos semiológicos de diagnóstico que, quando realizados de maneira correta, se tornam insubstituíveis por quaisquer exames complementares, além de serem eficazes na avaliação da gravidade das lesões pulmonares.

    Hemograma: quando realizado em um ou mais animais, pode ajudar a determinar o estágio de evolução da doença e, algumas vezes, o principal agente causal, se bacteriano ou viral;

    Secreções respiratórias: os “swabs” e os lavados podem ser utilizados no isolamento de agentes infecciosos, além de exame citológico e determinação da sensibilidade antimicrobiana.

    Toracocentese: quando houver suspeita de efusão pleural;

    Radiografia e Ultrassonografia: podem auxiliar na avaliação da gravidade das lesões pulmonares, efusões pleurais e aderências.

    Necropsia: em surtos em que o diagnóstico é duvidoso, permite a colheita de material para determinar o agente causal e a avaliar a eficácia dos tratamentos prescritos.

    Sorologia: quando houver suspeita de pneumonia intersticial viral;

    Exame de fezes: no caso de suspeita de dictiocaulose.

    A cura bacteriológica depende da severidade da infecção e da natureza dos agentes. Nos casos mais avançados aonde a doença chega a evoluir para fibrose, aderências ou abscessos no tecido pulmonar, nenhum tratamento conseguirá corrigir satisfatoriamente o quadro (GAVA, 1999). O animal pode sobreviver, mas terá o desempenho comprometimento devido à redução da capacidade respiratória. Dessa forma, a eficiência para cura clínica está diretamente associada à agilidade na identificação de indivíduos doentes e na escolha da terapia antimicrobiana mais efetiva.

    A prevenção das afecções do CDRB é absolutamente dependente do controle simultâneo dos fatores de risco relacionados aos animais, ao ambiente e manejo e aos patógenos. É bastante arriscado que se consiga obter uma redução significativa na incidência de problemas respiratórios em bezerros e, consequentemente, maior desempenho e rentabilidade do rebanho, quando a atenção se volta para o controle isolado de apenas um destes fatores. Lembrando que as doenças respiratórias frequentemente são a segunda maior causa de morbidade e mortalidade de bezerros, acompanhando as diarreias.

    *Giane Lima Nepomuceno - Universidade Federal de Lavras – 3rlab

    Fonte: 3rlab



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