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  • China, estiagem, entressafra: afinal, de quem é a culpa pela alta da carne.

    19/12/2019
    Novembro foi pesado no bolso de quem não abre mão da proteína animal no prato cotidiano.

    Alta da carne.

    Novembro foi pesado no bolso de quem não abre mão da proteína animal no prato cotidiano. Para o consumidor, o mês foi de alta geral nos preços, que começou pela carne bovina, mas atingiu também os suínos e o frango. Segundo o IBGE, a carne ficou 8,09% mais cara, com aumento em todos os cortes, do fígado (+3,03%) ao coxão mole (+12,49%).

    Na tentativa de fugir dos valores salgados, a demanda migrou, então, para o porco e as aves, jogando também esses preços para cima, ainda que com menores variações. O porco subiu 3,35%, o frango inteiro, 0,28% e até o ovo teve acréscimo (+0,53%) por causa do "efeito substituição". Mas, o que provocou a alta original?

    A resposta para essa pergunta começa no Brasil, e com a afirmação de que elevações de preços são normais para a época do ano. Surpreendente, no entanto, foi o tamanho do aumento, puxado pela PSA, a peste suína africana, que se espalha por países asiáticos, entre eles a China, que já perdeu quase 30% do rebanho.

    A doença tem fortes impactos na indústria de carnes do continente, com destaque justamente para os reflexos no mercado chinês, que tem quase 1,5 bilhão de consumidores e é o que mais come carne de porco no mundo. Para manter o varejo abastecido por lá, aumentou-se o volume de importação de cortes bovinos, com compras feitas do Brasil que, além de ser o maior produtor global de gado, está com a competitividade alavancada pela alta do dólar.

    O movimento é bom negócio para as exportações do Brasil (que já ultrapassaram o recorde anterior de embarques – registrado em 2018 – e devem fechar o ano com crescimento de 11,3% de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Abiec), mas caiu mal no varejo, já que a demanda chegou em um momento de baixa na oferta. A boiada brasileira está menor por causa do período de seca. De junho a novembro, a redução no regime de chuvas deixa o pasto escasso e diminui a quantidade de animais disponíveis para o abate: é a entressafra do boi, que neste ano foi amplificada pela interferência externa.

    Apesar do aumento dos envios para a China (que recebe 1/3 da carne exportada pelo Brasil), vale dizer que o atendimento à demanda do consumidor nacional não foi escanteada em favor dos embarques internacionais. Nesse cenário, também aparecem na equação que provocou a alta de preços de novembro a recuperação gradual do mercado interno em meses recentes e o crescimento da demanda sazonal no país, impulsionada pelas festas de fim de ano e a injeção de recursos adicionais na economia, com o pagamento do 13º salário e o crescimento das contratações, com as vagas temporárias do período.

     



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