• Genética
  • Caracu criado a pasto para cria e recria e também seleção genética

    01/06/2021
    Nesta segunda matéria exclusiva do portal Boi a Pasto sobre a raça Caracu, conversamos com criadores que tem experiências distintas com essa raça.

     

    Caracu, a raça que tem a habilidade materna, como uma das suas principais características

    Redação Boi a Pasto

    Fábio Castro Loureiro possui uma vasta tradição familiar na criação de Caracu e é o quinto na geração que opta por trabalhar com essa raça, especificamente. No total são 105 anos de trabalho com o Caracu, na família. Segundo o produtor,  o encanto pelo Caracu começou no ano de 1916, quando seu trisavô o Marcondes Pimpão levou os primeiros animais de Alfenas em Minas gerais, adquiridos do Coronel Francisco Leite. Foram 20 touros que chegaram de trem até Porto União da Vitória no Paraná e depois foram tropeados a cavalo até a antiga Fazenda Cruzeiro em Palmas, no Paraná.“O pioneiro na criação do gado Caracu no Paraná, foi meu trisavô Brasileiro Marcondes Pimpão, depois meu bisavô Felippe Schell Loureiro, meu avô Ignácio Marcondes Loureiro, meu pai Inácio Domingos Mendes Loureiro, eu e certamente terá continuidade com meu filho Fábio Tibes Loureiro”, contou o pecuarista.

    O produtor trabalha com cria e recria com aproximadamente 150 cabeças distribuídas em duas propriedades, a Cabanha Caracu Mocho, localizada no município de Reserva, região central do estado do Paraná e a  Fazenda Cerca Queimada, localizada no município de Palmas, no sul do estado do Paraná.Em ambas, a alimentação do gado é 100% a pasto.“A Raça Caracu é fascinante e encantadora, só quem cria e trabalha com ela, percebe suas vantagens e qualidades, pois são animais dóceis, totalmente adaptados em todo território nacional, muito rústicos, com grande habilidade materna, extremamente funcionais e carne de muita qualidade, com marmoreio, sabor e maciez diferenciados.Sem dúvida, é uma raça melhoradora, muito indicada para o cruzamento industrial com raças zebuínas, britânicas e continentais, proporcionando muita heterose, associada à precocidade, ganho de peso e bom acabamento de carcaça”, destacou.

    Criador: Fábio Castro Loureiro. Cabanha Caracu Mocho, Reserva PR.  Fazenda Cerca Queimada, Palmas PR. Criação na Raça Caracu desde 1916, selecionando a variedade mocha desde 1972.

    O pecuarista trabalha com o protocolo de IATF e repasse com monta natural. “Temos ótimos índices de prenhez, pois além da fertilidade da fêmea Caracu, o touro possui alta libido e devido sua adaptação, se destaca na cobertura a campo”, finalizou.

    Taurino genuinamente brasileiro

    Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Caracu, Renato Maia Visconti, as principais características da raça são a adaptação às mais diversas condições de clima,topografia, qualidade de pastagens, resistência a ecto e endoparasitas, pelo curto e de extrema qualidade na troca de calor com ambiente. “Peculiaridades como bons cascos, prepúcio curto,bons aprumos,características essas que conferem aos reprodutores vida longa na utilização dos mesmos a campo, com uma lotação de 40 a 50 vacas para cada reprodutor, fechando estações de monta com resultados próximos ou acima de 90%, o que o torna imbatível neste quesito. Também é precoce sexualmente, e atualmente, através de melhorias genéticas,incorporou também a precocidade quanto ao ganho de peso e acabamento de gordura e marmoreio, sem falar no sabor e maciez da carne.  As matrizes possuem extrema habilidade materna, docilidade e a capacidade de, em cruzamentos, transmitir essas características para qualquer outra raça. Ainda não vi cruzamentos com caracu que tenham piorado as raças originais, sempre para melhor. É realmente um taurino genuinamente brasileiro”, destacou Visconti.

     

    Seleção genética para venda de reprodutores

    Um pouco mais acima do território nacional, no município de São João da Ponte no norte de Minas Gerais, o criador Paulo Salgado trabalha com Caracu desde 1995. Na propriedade, a alimentação do gado é realizada basicamente a pasto, com sal mineralizado nas águas e suplementação com  sal ureado ou proteinado na seca. E a criação da fazenda se destina, unicamente, a seleção genética para venda de reprodutores. Segundo o pecuarista o motivo da escolha pelo Caracu é por ser uma raça adaptada, rústica e que daria bons produtos no cruzamento com o nelore.

     

     

    “Durante vários anos a reprodução foi somente por monta natural. Inicialmente, com touros adquiridos e, posteriormente, também com touros selecionados no rebanho da fazenda. Já há alguns anos, com o incremento da IATF, temos inseminado as fêmeas e repassando com touros, ainda não fizemos FIV, mas já identificamos algumas possíveis doadoras”, explica Salgado.O produtor conta que, com as sucessivas secas na região, morreram muitas pastagens, o que obrigou a uma diminuição drástica do rebanho ou a transferência de parte do mesmo para outra região do estado sendo que só uma pequena parte do rebanho original retornou para o Norte de Minas no fim do ano passado.

    “Com esse pequeno núcleo original e com novos touros em Centrais e com o aprimoramento das técnicas reprodutivas espero aumentar o rebanho em menos tempo que no passado. Voltando para o Caracu, quando da sua introdução aqui no Norte de Minas, o utilizamos em comparativo com o Nelore e outros taurinos - Angus, Blonde, Braford, Brangus, Gelvieth, Hereford, Limousin, Pardo Suíço corte, Santa Gerthrudes e Simental.Naquela época os animais eram desmamados e deixados somente a pasto sem nenhuma suplementação com proteinado ou outro qualquer.Foi na época que a mosca do chifre chegou aqui.Então era visível o maior peso do bezerro cruzado à desmama mas com o transcorrer da seca e até as pastagens se renovarem eles perdiam em demasia, além de sofrer com carrapato e a mosca. Então no início das águas o Nelore estava em melhor estado, seguido pelo mestiço Caracu”, explicou.

    O Caracu se firmou como bom parceiro para o Nelore e hoje também já é um produto que comprova sua viabilidade com o Sindi.“No passado, os frigoríficos daqui reclamavam do acabamento e do rendimento da carcaça do mestiço Caracu x Nelore. Passamos a castrar. Hoje parece que não se usa mais a castração, mas é fundamental uma suplementação ou mesmo confinamento mais longo pra melhorar isso.Por isso é fundamental a avaliação de carcaça nos animais do rebanho”, concluiu o produtor.

     



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