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  • Bom manejo de pasto pode neutralizar emissões de carbono na pecuária, dizem pesquisadores

    18/01/2022
    Segundo o pesquisador, somente 10% dos 17 milhões de hectares que já contam com algum tipo de técnica de manejo sustentável são dedicados ao método mais sofisticado e abrangente, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que, além de somar os benefícios da união da lavoura com a pecuária, também envolve o plantio de árvores nativas.

    A discussão sobre o impacto da indústria agropecuária sobre as mudanças climáticas foi um dos pontos centrais da COP26 em Glasgow, na Escócia, realizada em novembro, mas os debates e os compromissos firmados na conferência – entre os quais o de redução de 30% das emissões de metano, que teve adesão também do Brasil – ficaram longe de esgotar o tema, que deve seguir no topo da agenda ambiental global em 2022.

     Como parte dessa discussão, nos últimos anos, pesquisadores têm demonstrado ser possível reduzir ou até mesmo neutralizar as emissões de poluentes na criação de gado por meio de bom manejo das pastagens. “Temos emissões prejudiciais quando a pastagem é mal manejada, é degradada.  Com a utilização das técnicas de manejo, chega-se a um resultado totalmente diferente. Não chega a ser necessário retirar todo o gado para deixar o pasto em repouso”, disse Roberto Giolo, pesquisador da Embrapa Gado de Corte em Campo Grande (MS), ao Valor.

     Segundo ele, a indústria da pecuária tenta, desde 2006, descontruir o argumento de que a atividade seria responsável pela emissão global de 18% dos gases de efeitos estufa. O dado, afirma, foi divulgado na época pela FAO, a agência das Nações Unidas para a agricultura e a produção de alimentos.

     Giolo reforça o que dizem os pecuaristas sobre ser necessário considerar todo o sistema de criação de gado, que envolve o manejo do solo e captura de carbono, e não apenas as emissões de poluentes dos animais no pasto.    Ele considera que, a depender do nível de sofisticação da técnica utilizada no processo, a propriedade pode ter emissão neutra de gases de efeito estufa.

     “Nesse sentido, o Brasil tem um potencial muito grande que ainda não é explorado, apesar do grande avanço que tivemos nos últimos dez anos, pois as áreas de pastagem diminuíram e a produção aumentou. Mas isso tem que acontecer de uma maneira mais rápida”, disse ele.

    Uma das técnicas defendidas por Giolo envolve o uso alternado de pastagem e lavoura, chamada de “pasto em rotação”. Com ela, um produtor de soja, por exemplo, pode usar o período de entressafra para criação de gado. Isso aumenta a produção de 12 a 15 sacas por hectare.

     Segundo o pesquisador, somente 10% dos 17 milhões de hectares que já contam com algum tipo de técnica de manejo sustentável são dedicados ao método mais sofisticado e abrangente, a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), que, além de somar os benefícios da união da lavoura com a pecuária, também envolve o plantio de árvores nativas.

     Os combustíveis fósseis são os maiores responsáveis pela emissão de poluentes na atmosfera, lembra Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa. “No Brasil, a pecuária é responsável por 19% das emissões. No mundo desenvolvido, [a proporção> é bem menor. O grande problema das emissões não é o boi, e sim o carvão”, diz. “Mas os países desenvolvidos não têm o menor interesse em falar nisso. No mundo, 70% das emissões vêm de energia e transporte”.

     A controvérsia sobre os dados não é um tema secundário nesse debate. Em estudo recente, Sara Place, diretora de sustentabilidade da empresa de saúde animal Elanco, e Frank Mitloehner, professor e diretor do CLEAR Center, da Universidade da Califórnia, afirmaram que a definição de métricas claras de redução das emissões de poluentes e a mensuração mais precisa dos impactos da criação de gado sobre o aumento da temperatura global são dois dos elementos centrais para o combate às mudanças climáticas.

    No artigo, que utilizou dados sobre a pecuária dos Estados Unidos, os autores dizem que, até 2050, com a diminuição das emissões de metano em 18% a 32%, seria possível produzir gado de corte e leiteiro no país sem que a atividade contribuísse para as mudanças climáticas.

     Por: Por Rafael Bittencourt e Rikardy Tooge, Valor — Brasília e São Paulo

     

     



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