• Sustentabilidade
  • Aquonegócio

    22/06/2015
    Falta d'água. Crise hídrica. A recente e crescente escassez do líquido está na ordem do dia. Praticamente todas as análises e especulações sobre esse fenômeno colocam a agropecuária como uma das grandes responsáveis.

     Eduardo Pires Castanho Filho*

    Mas a agropecuária tem, de fato, culpa disso?

    Destacam a destruição do Cerrado que, já ocupado em 40% “acabaria” nos próximos 20 anos. Longe de ser sinônimo de destruição, esse uso de cerrado tem gerado alimentos, empregos, rendas, e desenvolvimento para o Brasil. Ora, a Lei n. 12.651/2012 vigente permite que esse bioma seja explorado entre 65% a 80%!

    Argumenta-se também que a produção advinda desses locais é exportada como comida (soja) para engordar porcos na China. No entanto, as contas que estão supostas por danos ambientais são impossíveis de ser analisadas, já que os dados são desconhecidos. Daí a se concluir que este “modelo” é insustentável, vai uma enorme distância.

    A agropecuária representa no Brasil de 8% a 10% do PIB que, com o multiplicador do agronegócio, conservadoramente igual a três, leva a produção setorial a representar de 25% a 30% do PIB. No comércio exterior, o agronegócio gerou um saldo de US$ 83 bilhões em 2013.

    Ao abordarem a questão da água, o desastre se completa. Há uma ignorância sobre o que seja o ciclo hidrológico.

    Numa situação primitiva, com o terreno coberto por florestas nativas, ao ocorrer uma precipitação, parte da água é retida nas folhas das copas. Uma porção dela é evaporada e outra é fornecida lentamente ao solo, indo se acumular no lençol freático. Uma fração dessa água também vai, por “deflúvio superficial”, ou seja, pelo escorrimento, para os cursos d´água. A maior parcela dessa água é utilizada pelas árvores e acaba evaporando para a atmosfera, fechando o ciclo.

    Quanto há uma interferência humana, por exemplo, suprimindo a vegetação nativa e introduzindo culturas agrícolas, pastagens, ou mesmo florestas, há um aumento do deflúvio superficial. Essa perda hídrica já existe no Brasil há quase 500 anos e é um problema do manejo agroflorestal e não da espécie cultivada.

    De qualquer modo é fundamental, ao se pretender estabelecer uma cultura agrícola qualquer, levar em consideração o “balanço hídrico”.

    Evapotranspiração é o que as culturas vão consumir sem comprometer o nível das reservas subterrâneas. A água “disponível” para utilização, fora a evapotranspiração, é de aproximadamente 10% da precipitação local, e ela é liberada no prazo de alguns dias. Ora, afirmar que, sem suas atividades, a produção de água seria igual à precipitação, deve ser considerado como uma desonestidade intelectual. A menos que toda água precipitada ocorresse sobre uma imensa laje de concreto ou asfalto.

    Mas afinal, por que existe falta d’água na região metropolitana de São Paulo?

    Porque há um consumo maior do que a quantidade disponibilizada pelas chuvas nas bacias que fornecem água para a região. Além disso, a água que cai sobre o estado não consegue ser aproveitada em todo seu potencial.

    Mas, na agropecuária, cerca de 9% da precipitação é detida na superfície do solo, o restante acaba “sobrando” para outros usos.

    Outro parâmetro que se utiliza para “medir” a água na agricultura é a eficiência no uso da água.

    O consumo é alto, no entanto, essa água é utilizada e volta para o ciclo.

    Quem lê aqueles artigos, sem prestar-lhes muita atenção, acaba “vendo” a água sendo consumida pela agropecuária e “desaparecendo” nas “regas” da soja ou na sede dos bovinos. A soja não é “regada”, a água da chuva “passa” pela planta, onde 18% dela fica retida nos grãos na hora de colheita.

    O mesmo se passa com o gado A pecuária bovina em São Paulo é a atividade que mais produz água para a população paulista. Ouve-se muito que para se produzir carne bovina se gasta muita água. É verdade. Para produzir um quilograma de carne, são consumidos cerca de 8 mil litros de água, que, entretanto, é continuamente reciclada. Não fosse assim, o boi teria no abate cerca de mil toneladas!

    Portanto, para se verificar a disponibilidade de água, tem-se que usar o consumo de água por hectare/ano das culturas multiplicado pela área que cada uma delas ocupa, levando em conta as precipitações locais. Dez por cento desse montante é a “oferta” de água do estado, que deve ser confrontada com o consumo: urbano, industrial, doméstico, energético.

    A precipitação média no estado de São Paulo gira ao redor de 1.250mm, ou seja, 12 a 13 milhões de litros de água por hectare por ano. As diversas culturas, umas mais, outras menos, “produzem” por hectare e por ano os milhões de litros de água que vão para outros usos. Destes totais, cerca de 10% vão diretamente para os cursos d’água e o restante é liberado paulatinamente para a alimentação dos lençóis freáticos.

    Grosso modo, o escorrimento superficial no estado de São Paulo é de cerca de três bilhões de metros cúbicos por ano, suficiente para abastecer uma população de 45 milhões de pessoas com um consumo médio de 200 litros por dia (a ONU propõe um consumo diário de 110 litros por pessoa). Note que esses 3 bilhões de litros são apenas 10% da água que é infiltrada (oferta de água) e que será disponibilizada para consumo ao longo do ano.

    Verifica-se, portanto, que, longe de ser a vilã na questão da água, a agropecuária é perfeitamente sustentável do ponto de vista hídrico, e é a grande produtora de água para outros usos sociais, não sendo fator de escassez de água.

    É um verdadeiro “aquonegócio”, pelo qual não existe nenhuma renumeração!

    *Eduardo Pires Castanho Filho é engenheiro agrônomo, pesquisador científico do IEA.

     


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  • Comentários (4)



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