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  • André Novo fala sobre a evolução e os desafios da pecuária leiteira nacional

    11/11/2014
    "Muita coisa mudou (na pecuária brasileira). É nítido que muitos produtores estão se especializando, intensificando e se profissionalizando na atividade de corte e de leite. No entanto, quando analisamos as dimensões da nossa pecuária, percebemos que ainda temos um longo caminho pela frente quando pensamos em pecuária eficiente e sustentável."

    André Luiz Monteiro Novo, engenheiro agrônomo (ESALQ/USP), mestre em Engenharia de Produção (UFSCAR), doutor em Sistemas de Produção (Universidade de Wageningen - Holanda) e Chefe Adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, cedeu entrevista à equipe da Scot Consultoria e falou sobre sua carreira e a pecuária de leite brasileira: as principais mudanças que notou ao longo de sua experiência e os desafios a serem enfrentados; mão de obra; se o nível de gestão está em crescimento e custos de produção no setor leiteiro.

    Confira a entrevista.

    Fale brevemente sobre sua carreira. Como foi o caminho até chegar na Embrapa?

    André Luiz Monteiro Novo - Antes de trabalhar na Embrapa Pecuária Sudeste tive oportunidade de trabalhar na CATI, por dois anos, posteriormente na Cooperativa de Laticínios de São Carlos, por mais quatro anos. Aqui mesmo na nossa Unidade, minha função não é de pesquisador, mas sim de analista, trabalhando com transferência de tecnologia, fazendo a ponte entre o setor produtivo e a pesquisa. Durante estes últimos 20 anos, entre outros desafios, estive envolvido com o Projeto Balde Cheio, que capacita os técnicos da extensão rural em pecuária intensiva de leite.

    Do início da sua vida profissional até hoje, quais as principais mudanças positivas que notou na pecuária brasileira? E quais são os desafios a serem enfrentados?

    André Luiz Monteiro Novo - Muita coisa mudou. É nítido que muitos produtores estão se especializando, intensificando e se profissionalizando na atividade de corte e de leite. No entanto, quando analisamos as dimensões da nossa pecuária - 200,0 milhões de hectares, 200,0 milhões de cabeças de bovinos em diferentes biomas com diferentes níveis tecnológicos - percebemos que ainda temos um longo caminho pela frente quando pensamos em pecuária eficiente e sustentável. De positivo apontaria ainda para a disponibilidade de crédito que finalmente está chegando aos produtores com taxas bastante razoáveis. Desafios ainda são muitos, mas creio que o modelo de exploração extrativista, de baixa produtividade e alto impacto ambiental está com seus dias contados. Não sei dizer em quanto tempo esta mudança irá ocorrer, mas é inevitável.

    Sabemos que a competição por mão de obra entre os setores é grande, e no setor agropecuário não é diferente. Em uma atividade trabalhosa como a pecuária leiteira, a busca por profissionais é mais difícil. Quais são as opções e atitudes motivacionais que o pecuarista do setor leiteiro deve ter para manter seus funcionários?

    André Luiz Monteiro Novo - Mão de obra é, hoje em dia, o fator mais decisivo para as tomadas de decisões dos produtores. Não consigo pensar que tenha muito futuro um produtor produzir leite com eficiência e lucratividade sem estar à frente do seu negócio. Produtores de final de semana terão pouca chance devido à dependência da mão de obra sem a gestão do processo. A manutenção de uma equipe motivada de funcionários depende, entre outras coisas, da dedicação plena do produtor. Este é o ponto chave: a dependência. Quando os funcionários percebem que o dono está envolvido, tem controle dos processos e sabe fazer as principais atividades, o respeito e o envolvimento é outro.

    O nível de gestão das propriedades leiteiras no Brasil está em crescimento? Qual o papel desempenhado pela Embrapa neste quesito?

    André Luiz Monteiro Novo - Sim, com a profissionalização, aumenta o grau de controle e informação dos produtores. Não é possível introduzir tecnologia sem gestão. Na verdade, um conceito importante que tem surgido ultimamente é a gestão da tecnologia e não somente dos custos ou dos índices zootécnicos. A tomada de decisão de qual tecnologia introduzir nos sistemas de produção deve ser feita com muito cuidado e planejamento.

    Quais os itens que mais impactam no custo de produção na pecuária leiteira de baixa e alta tecnologia?

    André Luiz Monteiro Novo - A resposta tem mais a ver com as condições locais e particulares de cada fazenda do que do nível tecnológico aplicado. Na maior parte das vezes, quem tem custo alto é porque tem baixa eficiência dos fatores de produção, ou seja, produz pouco para diluir os custos do sistema adotado.

    Fonte: Scot Consultoria

     


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