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Raça

(postado em 4/11/2009)
A trajetória que transformou o Ongole indiano no Nelore brasileiro começa na primeira metade do século 19, de quando datam os primeiros registros de desembarque no país de zebuínos originários da Índia. A história descreve que a primeira aparição da raça no país teria ocorrido em 1868, quando um navio que se destinava à Inglaterra ancorou em Salvador com um casal de animais da raça a bordo. Ambos teriam sido comercializados, permanecendo no país.
Dez anos depois, o criador carioca Manoel Ubelhal Lemgruber, de origem suíça, encomendou um macho e uma fêmea após conhecer animais expostos no Jardim Zoológico de Hamburgo, na Alemanha. Era o início de uma linhagem bastante conhecida e valorizada nos dias de hoje, a Lemgruber. Já em 1907, Joaquim Carlos Travassos, um dos responsáveis pela introdução dos zebuínos no Brasil, verificou que o Nelore seria uma das melhores raças para os países tropicais. Os Estados do Rio de Janeiro e Bahia foram os primeiros a receber esses animais. Minas Gerais e São Paulo vieram depois.
Em 1938, com a criação do Registro Genealógico, começaram a ser definidas as suas características raciais. As significativas importações de reprodutores aconteceram entre 1960 e 1962. Nesse período desembarcaram em Fernando de Noronha, onde foram submetidos a quarentena grandes genearcas, como Kavardi, Golias, Rastã, Taj Mahal, Godhavari, Padu e Akasamu, que são a base formadora das principais linhagens de Nelore.

Os pelos brancos refletem o calor, a pele preta, rica em melanina, é menos suscetível ao câncer.
Características
Os animais da raça apresentam estado geral sadio e vigoroso. A ossatura é leve, robusta e forte, com musculatura compacta e bem distribuída. A masculinidade e a feminilidade são acentuadas. O temperamento é ativo e dócil.
Apresentam pelagem branca ou cinza-clara, sendo que os machos apresentam o pescoço e o cupim normalmente mais escuros. A pele é preta ou escura, solta, fina, flexível, macia e oleosa. Os pêlos são claros, curtos, densos e medulados. A cabeça tem formato de ataúde, com a cara estreita, arcadas orbitárias não salientes e perfil ligeiramente convexo. A fronte é descarnada, apresentando uma linha média no crânio, no sentido longitudinal, uma depressão alongada (goteira). O Chanfro é reto, largo e proporcional nos machos.
Nas fêmeas, é estreito e delicado. O focinho preto e largo, com as narinas dilatadas e bem afastadas, é outra característica da raça. A boca tem abertura média e lábios firmes. As orelhas são curtas, com boa simetria entre as bordas superior e inferior, terminando em ponta de lança, e a face interna do pavilhão deve ser voltada para a frente e apresentar movimentação.
A raça pode ser dividida em animais que apresentam chifres e mochos. Os chifres são de cor escura, firmes, curtos de forma cônica, mais grossos na base, achatados e de seção oval, de superfície rugosa e estrias longitudinais. Nascem para cima, acompanhando o perfil, bem implantados na linha da marrafa, assemelhando-se a dois paus fincados simetricamente no crânio. Com o crescimento, podem dirigir-se para fora, para trás e para cima, ou se curvando para trás e para baixo.
Nos machos, o pescoço é musculoso e com implantação harmoniosa ao tronco. Nas fêmeas, é delicado. A barbela começa debaixo do maxilar inferior e se estende até o umbigo, sendo mais abundante e pregueada nos machos. O peito dos animais é largo e com boa cobertura muscular.
Outra característica dos zebuínos é o cupim. Ele tem papel fisiológico fundamental, servindo como reserva de energia em situações emergenciais. Nos machos, deve ser bem desenvolvido, apoiando-se sobre o cernelha. Nas fêmeas, deve ser reduzido. A região dorso-lombar é larga e reta, levemente inclinada, tendendo para a horizontal, harmoniosamente ligada à garupa com boa cobertura muscular.
A raça Nelore passou por intenso melhoramento genético no Brasil, sendo direcionado exclusivamente à produção de carne. O Nelore é muito resistente ao calor devido à superfície corporal que facilita a perda de calor para o meio, a barbela, por exemplo, e por possuir maior número de glândulas sudoríparas. As características dos pelos brancos refletem o calor, a pele preta, rica em melanina, é menos suscetível ao desenvolvimento do câncer e, os dois, facilitam o processo de troca de calor com o ambiente. Além disso, o trato digestivo é 10% menor em relação ao gado europeu. Portanto, seu metabolismo é mais baixo e gera menor quantidade de calor. Os machos e as fêmeas apresentam elevada longevidade reprodutiva.
Touros Nelore possuem instinto muito forte de proteção de seu harém de matrizes. As fêmeas apresentam facilidade de parto, por terem garupa com boa angulosidade, boa abertura pélvica e, principalmente, por produzir bezerros pequenos, o que elimina a incidência de distocia. Outras características das fêmeas são a excelente habilidade materna, oferecendo condições de desenvolvimento aos bezerros até o desmame; instinto de proteção; rusticidade; e baixo custo de manutenção.

Uma característica dos zebuínos é o cupim, que tem importante papel fisiológico, servindo como reserva de energia em situações emergenciais
O Nelore é a raça, no Brasil, que possui a carcaça mais próxima dos padrões exigidos pelo mercado, por apresentar porte médio, ossatura fina, leve, porosa e menor proporção de cabeça, patas e vísceras, com excelente rendimento nos processos industriais.
A precocidade de terminação garante nas carcaças distribuição homogênea da cobertura de gordura, sendo esta carcaça muito valorizada no mercado. Além disso, a cobertura evita que, durante o resfriamento, ocorra o encurtamento das fibras pelo frio e o endurecimento da carne. A padronização das carcaças Nelore otimiza a estrutura industrial e agrega valor aos cortes. A carne tem como principais características o alto teor de sabor e o baixo teor de gordura de marmoreio.
Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB)
A raça Nelore representa atualmente cerca de 80% do rebanho bovino do Brasil e é representada pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). A entidade, fundada em 1954, tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da pecuária e o fomento da raça Nelore. Assim, desenvolve ações como Circuito Boi Verde de Julgamentos de Carcaças, Circuito Boi Verde Genética, Universidade do Boi e da Carne, Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (PMGRN), Programa de Qualidade Nelore Natural e a Rede Nacional Nelore, que conta hoje com a participação de 15 entidades regionais e estaduais. A proposta da Associação é aproximar-se cada vez mais dos elos da cadeia produtiva, fomentando e contribuindo para o melhoramento genético, direcionado ao atendimento das necessidades da pecuária comercial e do mercado de carne.
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