Soluções integradas para a cadeia produtiva do leite e da carne
Sanidade
(postado em 08/05/2008)
A mastite é uma das doenças que mais afetam a produção leiteira no Brasil e no mundo. Essa condição gera perdas econômicas em grande escala, além de ser um fator de risco à saúde pública. Para garantir a qualidade do leite, o produtor deve atentar à sanidade e ao manejo do rebanho e realizar, rotineiramente, testes para diagnosticar a doença.
De acordo com National Mastitis Research Foundation, referência em pesquisas sobre a mastite, as perdas econômicas geradas pelo problema beiram os US$ 200 por cabeça ao ano nos EUA, devido à redução da produtividade, ao leite descartado e aos gastos com veterinários, medicamentos e mão-de-obra. No Brasil, estudos realizados pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP referem que, só em São Paulo e Minas Gerais, os prejuízos chegam a US$ 329,34 por vaca anualmente e os gastos com prevenção não passam de R$ 24,55 por animal ao ano. Vale ou não a pena investir em cuidados básicos?
Os métodos de prevenção e controle da doença são simples e pouco dispendiosos, mas todos os trabalhadores da propriedade devem ser instruídos para que entendam a importância de seu papel na cadeia de produção e, assim, se tornem responsáveis pela minimização do problema. A Contagem de Células Somáticas (CCS) é importante para o diagnóstico de Mastite.O CCS é o método mais rápido e seguro para o diagnóstico da doença. Trata-se de um teste realizado na propriedade que tem estreita relação com a qualidade do leite. Ele traduz o total de células epiteliais e de defesa presentes na glândula mamária da vaca.
O teste deve ser realizado a intervalos de tempo fixos, mediante amostras de leite do rebanho.
Ordenha manual

Antes de iniciar o processo, o gado deve ter cascos e jarretes limpos, para evitar contaminação por terra e fezes. O ordenhador deve ser instruído quanto à higiene pessoal: usar roupas limpas, lavar as mãos antes de iniciar o processo, não fumar enquanto ordenha etc. As instalações devem possuir pisos limpos e desinfetados. Os recipientes de coleta devem estar sempre em impecáveis condições de higiene.
Ordenha mecânica
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Fazenda Santa Luzia, em Passos (MG)
Além dos fatos citados acima, a limpeza correta dos equipamentos é o diferencial. Para garanti-la, três fatores devem ser levandos em conta: tempo, temperatura e turbulência.
Tempo e temperatura: três ciclos de limpeza devem ser realizados: (1) enxágüe com água morna; (2) lavagem com detergente alcalino clorado, que deve durar no mínimo cinco minutos e no máximo 10, tempo necessário para que os sólidos flutuem para depois serem removidos – a água deve entrar no sistema a 71ºC e sair a 49 ºC, para aumentar a potência sanitizante da solução; e (3) enxágüe com detergente ácido, utilizado em temperaturas que variam entre 27 ºC e 44 ºC.
Turbulência: é a necessidade de se esfregar as partes internas dos equipamentos de ordenha em todos os ciclos. Importante ressaltar que o produtor deve checar, pessoalmente, uma vez por semana o estado das ordenhadeiras, verificando se a limpeza está sendo feita corretamente.
Manejo de rebanho
À época das chuvas, o índice de mastite aumenta grandemente. Portanto, os cuidados com o rebanho devem ser dobrados. Manter os animais em ambiente limpo, evitar que haja grande número de cabeças alojado em ambientes pequenos, utilizar serviços de médicos veterinários para prevenir, diagnosticar e tratar a doença são itens importantes para a redução do número de casos.
Uma das principais causas de mastite é a falta de higiene. As salas de ordenha devem possuir pisos que possam ser facilmente limpos e desinfetados, os ordenhadores devem compreender que não bastam que as instalações sejam higienizadas para prevenir a doença, mas também ações simples como lavar as mãos antes de começar o trabalho, usar roupas limpas e não fumar
Texto por Fernanda Ferrari
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