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Sanidade

Males do frio

(Postado em 11/08/2009)

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Falta de alimentação é porta de entrada de diversas doenças, trazendo não só prejuízos à saúde do gado como ao pecuarista na época de seca.

Reportagem de Ivan Azevedo

A chegada do frio traz algumas peculiaridades na criação do gado, que podem determinar o lucro ou o prejuízo da atividade. Por ser um momento em que o pasto se torna ralo, o pecuarista deve se preocupar com a saúde do animal geralmente debilitada devido à escassez de alimento.

Nesta época do ano, o rebanho fica mais vulnerável. Os bezerros são os que mais sofrem por causa da dificuldade em manter a temperatura do corpo. “É no período de seca que 80% da criação brasileira realiza os partos da bezerrada. O frio e a baixa umidade relativa do ar diminuem a incidência de vírus, o que dificultam o surgimento de infecções provenientes do parto”, explica Pedro Paulo Pires, pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS).

Porém o organismo do recém-nascido encontra obstáculos para manter a temperatura do corpo e acaba ficando mais suscetível a doenças. “O ideal é o pecuarista separar o rebanho em lotes por idade, já que quanto mais novo, mais debilitado fica o animal. Se você misturar o gado, os mais novos podem ficar doentes e assim passam a ser transmissores para o restante”, afirma Raul Mascarenhas, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste (SP).

Pneumonia

Segundo ele, um problema recorrente nessa época do ano é a pneumonia, inflamação que atinge os pulmões dos animais. “A incidência de sol faz com que se tenham menos bactérias no ambiente, e como no inverno o sol é fraco, o ar se torna mais carregado. Além disso, a temperatura e a umidade do ar baixas facilitam a atuação das bactérias no animal”, explica Mascarenhas.

Uma vez que os pulmões são infectados, os animais passam a ter dificuldade respiratória, tosse brônquica, corrimento nasal e febre. Com a evolução da doença, a respiração torna-se ainda mais difícil e acabam ficando deitados no pasto. Todos sofrem com a perda de peso e alguns podem até morrer, elevando as perdas do pecuarista.

Caso o produtor identifique animais com esse tipo de patologia, deve procurar um médico veterinário. O tratamento geralmente é feito à base de antibióticos de amplo espectro, antiinflamatórios e mucolíticos.

Ceratoconjuntivite

Outra doença típica de inverno é a ceratoconjuntivite, que atinge os olhos dos animais. A doença geralmente afeta os mais jovens e é transmitida pela poeira existente nessa época do ano. Com o tempo seco, as bactérias Mycoplasma e Moraxelia chegam à mucosa dos animais através do pó, provocando vermelhidão nos olhos, lacrimejamento e, em alguns casos, uma mancha branca no meio do olho, que seria uma úlcera de córnea, que pode levar a cegueira. “A maioria dos animais acaba se curando sozinhos quando a quantidade de poeira baixar. Quando isso não acontece, devem ser tratados para evitar a perda da visão “, explica Mascarenhas.

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Os bezerros são os que mais sofrem durante a seca 

Intoxicação

Com a escassez de pasto, o gado começa a procurar alimento e, em alguns casos, consome plantas tóxicas. “Mesmo não tendo palatabilidade, os animais acabam se alimentando dessas plantas. Afinal, não há alternativa. Dependendo da quantidade consumida e do sistema imunológico, o animal pode morrer intoxicado”, comenta Raul Mascarenhas, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste. Quando não mata, a intoxicação pode paralisar o animal ou provocar abortos.

Ao ser identificado o problema no rebanho, os animais devem ficar sem movimentação, já que o exercício acaba acelerando a circulação sanguínea, piorando os sintomas. O correto é deixar o gado estático, aguardando a intoxicação passar. Os medicamentos antitóxicos só contribuem com o fígado para eliminar a toxina do órgão.

Carrapatos

Devido à baixa resistência provocada pela má alimentação do gado, o carrapato se toma um inimigo mortal para o rebanho. “Na época fria, o pelo do animal cresce e o pecuarista que não acompanhar de perto, não percebe a incidência do parasita. Como o animal já está debilitado devido à escassez de pasto, a ação do carrapato é muito mais danosa e provoca anemia no gado, podendo até levar à morte”, afirma o pesquisador  Alfredo Pinheiro, da Embrapa Pecuária Sul, do Rio Grande do Sul.

Para proteger o gado de todos esses problemas, a desnutrição é a principal deficiência a ser sanada. “O bom funcionamento do sistema imunológico depende de uma alimentação adequada. Por isso, animal desnutrido é mais suscetível a doenças. Então, além de perder peso devido à redução de nutrientes, emagrece também pelas doenças”, explica Raul Mascarenhas, da Embrapa Pecuária Sudeste.

“Se o pecuarista realizar um programa parasitário preventivo adequado e providenciar alimentação ao gado na época da seca, o animal poderá ser encaminhado ao frigorífico em dois anos, independente da raça e da região onde é criado”, afirma o pesquisador AIfredo Pinheiro.

Publicado pela Revista Rural – junho 2009


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2 comentários

Parabéns, Ivan, por sua belíssima reportagem. É importante mesmo lembrar aos pecuarista que os bovinos possuem um sitema respiratório sujeito a doenças e que, muitas vezes, enxergamos o vermígugo como único defensor da saúde animal. Devemos, na época do frio, lembar dos antiimflamatórios e antibióticos na defesa do aparelho respiratório! Ótimo.

Antonio Paulo Lima fragoso - 27 de agosto de 2009, às 10:01 am

A minha preocupação é exatamente o que fazer para reduzir as perdas do rebanho em tempos de seca. A reportagem prestou bons esclarecimentos com relação às implicações relativas à saúde do animal. Entretanto, gostaria de saber também, quais outras medidas poderiam ser adotadas para reduzir as perdas do rebanho considerando os cuidados com o pasto, tecnologias de manejo e proteção física do animal, ou mesmo a hipótese de venda de parte do rebanho para aquisição no período pré-final da seca, quando o gado começa a recuperar o seu preço. Obrigado. Osmar

Osmar Bispo - 29 de agosto de 2009, às 10:50 am

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