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ILP: A busca da eficiência técnica e econômica

(postado em 08/05/2008)

A Integração Lavoura-Pecuária é uma tecnologia agrícola baseada em diferentes sistemas produtivos. O objetivo dessa integração é promover a rotação de cultivos, buscando sempre a eficiência técnica e econômica. Atualmente, a Integração visa a produção de grãos durante o período de verão para, durante o período de inverno, nessa mesma área, realizar a produção de carne, por meio da implantação de pastagens que são utilizadas como alimento para o gado e, em seguida, como cobertura vegetal. O plantio direto é a principal ferramenta desse sistema, pois preserva a matéria orgânica pé-existente no solo, além de ser uma alternativa econômica e sustentável para recuperar áreas degradadas de pastagens.

Muitos produtores rurais já estão aderindo a essa técnica, como Paulo Guerra, proprietário da Fazenda Santa Helena, localizada em Centenário do Sul, no Paraná, que há cerca de dez utiliza a Integração Lavoura-Pecuária. Guerra conta estar utilizando essa tecnologia em áreas da fazenda onde cultiva soja, “com ótimos ganhos obtidos, demonstrados pela qualidade das pastagens estabelecidas”.

Os nutrientes deixados pela soja proporcionam às pastagens ótima condição de digestibilidade

Para ele, apesar da época crítica de inverno para o desenvolvimento de pastagens, o fato de a soja ter deixado nutrientes no solo e sua palhada servir como matéria orgânica para o cultivo da forrageira, “proporciona à pastagem uma condição de digestibilidade ótima, com folhagens tenras e altos teores de proteína, justamente por conta da fixação de nitrogênio no solo deixado pela soja. Embora seja o inverno uma época em que o gado normalmente perde peso, temos conseguido ganhos de até 600 gramas/dia, e isso sem confinamento”.

A Fazenda Santa Helena trabalha com cria, recria e engorda de bovinos e Guerra explica que isso só pôde acontecer depois que começou a plantar forrageiras no inverno, em áreas onde antes eram cultivados milho safrinha, aveia e outros cultivares de época. Ele conta que, há dois anos, depois que começou a plantar forrageiras tropicais no inverno, parou de vender bezerros e bezerras nesse período, “justamente quando parecia circunstancialmente oportuno”. Sua explicação é a de que “está ocorrendo uma falta de animais para recria e, com o aumento das disponibilidades de forragem proporcionada pela Integração Lavoura-Pecuária, estamos conseguindo fazer recria e engorda”. Na propriedade, além da Integração entre a soja e a braquiária para pastagem, são cultivados milho, café, seringueira e cana de açúcar.

A experiência do IAPAR

O Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR é um dos organismos de pesquisa que mais tem avançada no conhecimento do sistema de Integração Lavoura-Pecuária, com inúmeros experimentos desenvolvidos, especialmente na recuperação de pastagens degradadas. O pesquisador Sérgio José Alves, do IAPAR, explica que áreas de pastagens na Fazenda Santa Helena “eram consideradas degradadas, necessitando de intervenção. Vedamos essas áreas durante 15 a 20 dias, dessecamos a forrageira durante o inverno e, 20 dias depois, ficam cobertas pela palha, para serem semeadas no final de outubro e começo de novembro. E são nessas áreas que estamos plantando soja, que tem se beneficiado muito do sistema palha. Ou seja, sobre a palhada da forrageira, que preserva a umidade do solo, semeamos a soja. Depois da colheita, a palhada deixada pela soja será a base para semearmos a braquiária. É um sistema que oferece inúmeras vantagens”.

Depois da colheita, a palhada deixada pela soja será a base para semear a braquiária

Sérgio Alves faz os cálculos para demonstrar essas vantagens: “Se fôssemos considerar a Santa Helena como uma fazenda de pecuária extensiva, provavelmente teríamos um animal por hectare. Com a propriedade tem 800 hectares, teríamos 800 animais por ano. Considerando a taxa de comercialização de 20% anuais do rebanho, então a fazenda poderia vender 160 animais.

Com a Integração Lavoura-Pecuária sendo praticada em uma área de 200 hectares e com pastos perenes no restante, seria possível colocar uma rotação de 1.200 animais e, no período de verão, ainda cultivar 600 hectares de soja, que será substituída no inverno pela braquiária ou panicum, destinadas a alimentar o gado durante o inverno.Ou seja, com a tecnologia da Integração, onde cabem 800 animais poderemos colocar 1.200 e ainda plantar 600 hectares de soja”.

O técnico do IAPAR explica que sua conta “é simples de conferir, pois, no pasto extensivo de 800 hectares e sem os benefícios da Integração, haveria normalmente animais sendo comercializados com mais ou menos 3 anos ou 3 anos e meio de idade. Mas, tendo alimento nutritivo no verão e no inverno, com a cana de açúcar para suplementação alimentar, a fazenda poderia vender seu rebanho com menos de dois anos de idade. Ou seja, a Integração permite a entrada de bezerros e, em um ano e meio depois, a saída de boi gordo”.

O arenito paranaense O IAPAR trabalha há muito tempo com pesquisas na região do arenito do Paraná, com o plantio direto. Um primeiro livro sobre o assunto foi publicado pelo Instituto na década de 70. Desde o final dos anos 80, vem trabalhando com rotação de plantio no sistema de plantio direto, com aveia, azevém, nabo forrageiro e uma série de opções de adubo verde. O IAPAR também foi pioneiro, nessa região especifica tropical do Paraná, em usar brachiaria ou panicum, concluindo que a produção de matéria seca é muito maior do que a obtida pela aveia.

A ILP possibilita pastagens com altos teores de proteína, justamente por conta da fixação de nitrogênio no solo deixado pela soja

O experimento do IAPAR compara todas as diferentes espécies para fazer rotação com soja com milho. Naquela região do Paraná, todos os experimentos que realizados com o plantio de forrageira depois da colheita da soja, entre eles quatro de milheto, um de sorgo, brotalaria e nabo forrageiro, além de cultivares de braquiária e panicum. Para Sérgio Alves, “esse experimento está sendo realizado para termos a certeza, por exemplo, de que as braquiárias, que estão muito no experimento, são melhores que a aveia.

A aveia vai muito bem no início do desenvolvimento mas, de agosto para frente, vai encerrando seu ciclo de florescimento e pára de crescer. O que percebemos é que as aveias perdem em produtividade para as braquiárias e para os panicum”.

Agregando valores Segundo o engenheiro agrônomo Alberto Takashi, do Departamento de sementes da Matsuda Sementes e Nutrição Animal, o interesse de sua empresa no sistema Integração Lavoura_pecuária é “muito grande, porque toda tecnologia nova é tecnologia que agrega vários valores. É um sistema que vem acrescentar principalmente algo que o pecuarista costuma esquecer, que é a preservação do solo”. A Matsuda tem produzido sementes de alta tecnologia para o mercado de plantio direto e Integração Lavoura-Pecuária. Segundo Takashi, para esses mercados, “além de boa germinação e boa pureza, é interessante que as sementes estejam livres de nematóides e tratadas com fungicidas e polímeros”.

Sérgio Alves (IAPAR): “Com a tecnologia da Integração, onde cabem 800 animais poderemos colocar 1.200 e ainda plantar 600 hectares de soja”

As sementes incrustadas são ideais para esses sistemas, pois além de apresentarem aquelas características, possuem a vantagem da facilidade de plantio, segurança no manuseio e menor risco ao meio ambiente. Como são incrustadas com material especial, essas sementes somente germinarão quando houver condições ideais de umidade do solo.

Texto: Suellen Sufen e José Luiz da Silva


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