Soluções integradas para a cadeia produtiva do leite e da carne
Sanidade
(postado em 25/10/2008)

da Redação
“Vacas leiteiras são extremamente sensíveis ao estresse calórico, o que tem um significativo impacto econômico para o produtor: não apenas queda na produtividade e qualidade do leite — aumento de células somáticas —, mas também problemas relacionados à saúde”. O alerta é do médico veterinário Paulo Soeiro, gerente Brasil da Katec Lallemand, para quem “o produtor geralmente está familiarizado com algumas práticas essenciais de manejo nesse período crítico do verão, embora algumas soluções nutricionais não sejam bem conhecidas”.
Soeiro cita o informe científico “Heat stress in dairy cows: implications and nutritional management”, produzido pela Lallemand Animal Nutrition a partir de estu-dos realizados por vários pesquisadores e institutos internacionais, segundo o qual “uma das soluções apontadas é o uso de probióticos, que, por intermédio da melhoria das condições ruminais e funções afetadas pelo estresse calórico, podem auxiliar na preservação da saúde digestiva das vacas, produção leiteira e condições gerais de saúde”.

Ainda de acordo com o informe, “durante o período de estresse calórico, o balanço oxidativo também é alterado, sendo muito importante aumentar a ingestão de antioxidantes a fim de preservar a saúde reprodutiva e imunitária das vacas, prevenindo a mastite. A severidade do estresse calórico está correlacionada tanto com a temperatura quanto à umidade ambiente. O conforto térmico dos bovinos está entre -13ºC a +25ºC. Dentro dessa faixa de temperatura o conforto animal é ótimo, com a temperatura corporal entre 38.4ºC e 39.1ºC. Acima de 25ºC ou até mesmo de 20ºC, as vacas poderão sofrer de estresse calórico: o estado sanitário e desempenho zootécnico serão afetados”.
Impacto financeiro
A Lallemand conclui que o estresse calórico severo pode provocar “perdas acima de R$ 1.000,00/vaca/ano. Uma estimativa indica que 80% dessas perdas estejam associadas com a queda na produtividade e 20% com desordens de saúde — problemas de reprodução e imunidade —, os quais resultam em aumento de mortalidade e particularmente na freqüência de mastite. Os bovinos possuem duas formas principais de manutenção de seu balanço termal e regulagem da temperatura corporal em condições de alto estresse calórico. Uma delas seria a dispersão calórica que ocorre pela evaporação, aumentando o fluxo sanguíneo subcutâneo, ofegação, salivação, etc. Essas atividades aumentam as necessidades energéticas de manutenção do animal em uma estimativa de 20% a 35°C. Em caso de vacas leiteiras, isso significa que parte da energia de produção será redirecionada para a regulação termal”.
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Impacto econômico do estresse calórico: estimativas de um estudo conduzido na Flórida (USA), sob condições extremas de estresse calórico (St Pierre et al., 2003).
Outra forma de manutenção do balanço termal pelos animais, segundo o in-forme científico, é a “limitação de produção calórica”, ao reduzir as atividades e mudando o padrão de alimentação. A produção das vacas leiteiras é essencialmente relacionada à fermentação ruminal. A ingestão de MS pelas vacas pode ser reduzida entre 10-30%. Além disso, a ruminação, que produz calor, decresce dramaticamente. As vacas tenderão a se alimentar menos durante o dia, mas mais freqüentemente e em pequenas quantidades. Tenderão a consumir mais alimento à noite, quando está mais fresco, comendo menores quantias vagarosamente e escolhendo alimentos que produzam menos calor durante a digestão, preferindo grãos a proteínas e forragens.
Riscos de Acidose
Em períodos de estresse calórico, ainda segundo os estudos, “os riscos de acidose aumentam . Os fatores que podem contribuir para problemas de acidose rumi-nal são: diminuição de ingestão de MS com baixa proporção de forragem e altos níveis de carboidratos rapidamente fermentáveis, diminuição da ruminação, diminuição da produção de saliva – fonte de bicarbonato- com uma redução do poder tamponante devido à excreção aumentada de CO2 pela ofegação. Adicionalmente, a diminuição do pH impacta na eficiência da digestão de fibras. Ou seja, as bactérias fibrolíticas do rúmen são as primeiras a serem afetadas quando o pH cai abaixo de 6.0”.
O estudo indica ainda que “todos esses fatores contribuem para a diminuição da eficiência alimentar, e, conseqüentemente, produção leiteira e teor de gordura do leite. Além disso, a acidose comprovadamente afeta o status geral de saúde, fertilidade e longevidade dos bovinos”.
Gerenciamento do Estresse Calórico
A fim de prevenir os efeitos do estresse calórico, de acordo com o informe, “é essencial que se mantenham os animais confortáveis e o mais frescos possível. Água limpa e fresca deve ser provida constantemente. O uso de sombras, ventiladores, umidificadores — em áreas com baixa umidade — e bebedouros são ferramentas muito eficientes para ajudar a baixar a temperatura corporal durante períodos de estresse calórico. Recomenda-se também o oferecimento de alimento com maior freqüência. Alimentando em horários mais frescos do dia e fornecendo o alimento mais vezes, pode-se encorajar os animais a aumentar a ingestão alimentar. Para limitar os riscos fisiológicos associados ao estresse calórico e em particular à acidose ruminal, a ração deve ser ajustada, provendo uma dieta mais palatável, de alta energia, porém com alto nível de forragem de boa qualidade. Para prevenir a acidose, a ração pode ser suplementada com uma levedura viva específica para ruminantes. E por fim, deve-se aumentar a ingestão de antioxidantes”.

Efeitos do Levucell®SC no pH médio, mínimo e máximo em vacas leiteiras
(A. Bach, Minnesota University, 2007).
Levedura específica
Como forma de ajuste dessa dieta, uma das sugestões indicadas pelo estudo da Lallemand é a suplementação com a levedura viva específica para ruminantes Saccha-romyces cerevisiae CNCM I-1077 (Levucell SC), uma cepa selecionada e depositada no Instituto Pasteur de Paris, cujos efeitos em ruminantes têm sido validados por inúmeros trabalhos científicos desenvolvidos por renomados centros internacionais de pesquisa. Por esses estudos, três mecanismos principais têm sido identificados para explicar os efeitos dessa levedura na saúde e performance de ruminantes: aumento do pH ruminal e conseqüente diminuição do risco de acidose; melhora da digestão da fibra e utilização do nitrogênio, o que representa um aumento da eficiência alimentar; e, estabilização da microflora ruminal. Esses estudos também demonstraram mudanças no padrão alimentar, com o intervalo médio entre refeições diminuindo de 4 horas para o grupo controle para 3h20m com S. cerevisiae CNCM I- 1077.
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Efeitos de Levucell® SC na produção leiteira de vacas, experimentos conduzidos
durante o verão (Lallemand, 2003-2004)
Estresse calórico e estresse oxidativo
O estresse calórico geralmente aumenta a produção de radicais livres, conduzindo a um estresse oxidativo. Em vacas leiteiras, o estresse oxidativo tem um impacto negativo nas funções imunes e reprodutivas: freqüência aumentada de mastite, aumento na contagem de células somáticas no leite, diminuição de fertilidade, aumento de morte embrionária, retenção placentária e partos prematuros, com conseqüências no peso, saúde e mortalidade dos bezerros.
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Impacto do estresse calórico na fertilidade de novilhas (Piton, 2004)
O papel do Selênio
O informe científico da Lallemand procura deixar claro, ainda, o papel do selênio no controle das conseqüências do estresse calórico. Explica que, em diversas áreas do mundo, “o solo e, conseqüentemente as plantas, são pobres em selênio, há muito tempo reconhecido por suas propriedades antioxidativas. Em particular, a família das glutadiona peroxidadses das enzimas antioxidativas, contêm selênio incorporado a um aminoácido (forma orgânica), e desempenham papel fundamental na manutenção do balanço oxidativo, protegendo as células de danos. Tem sido demonstrado que o nível da atividade antioxidativa das selenoenzimas está intimamente ligado ao status de selênio ingerido na dieta, confirmando a necessidade de suplementação dietética com selênio. Isto é mesmo crucial durante períodos de estresse calórico, quando o balanço oxidativo está desequilibrado”.
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A Lallemand faz referência ao Alkosel, produto obtido pelo enriquecimento de uma levedura com selênio orgânico (cepa Saccharomyces cerevisiae NCYC R397). A cepa específica contida no Alkosel foi selecionada por sua habilidade de incorporar altos níveis de selênio como selenometionina, a forma que está naturalmente presente em plantas e animais, além de ser uma forma mais biodisponível que as formas minerais (selenito).
Experimentos têm demonstrado que vacas leiteiras suplementadas com Alkosel tiveram o status de selênio aumentado em seu sangue, leite e colostro, para doses tão elevadas como de selênio mineral. Baseado na atividade antioxidante do selênio, Alkosel é capaz de melhorar as funções imune e reprodutivas, as quais são altamente afetadas pelo estresse calórico. Por exemplo, foi demonstrado que a suplementação com selênio orgânico desempenha um papel na prevenção da retenção placentária. A qualidade do leite pode também ser beneficiada pela suplementação com Alkosel: redução de células somáticas, mas também maiores níveis de selênio, com benefícios adicionais óbvios, tanto para o rebanho como para os consumidores, considerando a baixa ingestão geral de selênio pelos humanos, em diversas regiões.
Custo alto
O informe técnico finaliza concluindo que o estresse calórico representa um pe-so para o desempenho e saúde das vacas e custa milhões para a indústria leiteira anualmente, sendo imprescindível implementar técnicas apropriadas de manejo do rebanho o mais cedo possível, antes que os problemas nos níveis de produção sejam perceptíveis. Aditivos nutricionais, como leveduras específicas para ruminantes, podem somente auxiliar. Experimentos a campo mostram que em condições de estresse, uma boa estratégia é prevenir os riscos de acidose, otimizar o consumo e reduzir o impacto negativo do estresse calórico na produção leiteira, um efeito suportado por evidências científicas das ações da levedura viva específica no rúmen.
De qualquer maneira, o uso de antioxidantes como a levedura enriquecida por selênio, ajuda a reduzir o impacto do estresse calórico no balanço oxidativo, resultando em melhor qualidade do leite e saúde das vacas.
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