Soluções integradas para a cadeia produtiva do leite e da carne
Manejo
(postado em 03/07/2008)

"Produtor tem que se adiantar, fazendo um correto planejamento, antes de se decidir pelos riscos do investimento na reforma e recuperação de seus pastos."
Em agosto, quando estaremos em plena seca, será o momento ideal para o produtor pecuarista que deseja reformar suas pastagens, ficar atento. Ele já pode começar a pensar no total da área que deseja reformar e planejar a melhor maneira de fazer isso, incluindo pesquisa de solo, para ver se vai precisar adubar ou ter que acrescentar algum tipo de mineral, além de escolher a melhor forrageira que se adapte às condições geográficas, levando em consideração a topografia e o clima.
São vários os problemas que um produtor pode enfrentar quando precisa ocupar reformar ou recuperar suas pastagens. O primeiro é quando ele não se preocupa com o planejamento desse manejo. A segunda situação é quando nem as empresas que prestam serviços a esse produtor ligam para o planejamento, julgando que a situação é boa e nada precisa ser feito ou mudado. A terceira situação é quando todos querem colaborar com o planejamento, sabem que é importante, mas é realizado de forma aleatória, ou seja, não há planejamento sequer para planejar.
Para iniciar um planejamento para a pastagem, é preciso antes ordenar as idéias e como empregá-las. O melhor início é conhecer melhor a propriedade e as áreas destinadas à pastagem, quais os problemas que ocorrem, qual o conceito que se tem de manejo, quais as forrageiras existentes ou que se pretende empregar e, sobretudo, quais as condições de solo e de clima da propriedade. Portanto, para se elaborar um planejamento de ocupação, reforma ou recuperação de uma pastagem, o primeiro passo é conhecê-la como um todo e, por isso, a planta da propriedade é muito importante, pois assim é possível ter a idéia precisa de seu formato, como estão dividindo seus piquetes, onde se localizam os rios, córregos e as demais aguadas, os locais para a reserva ambiental, topografia da área e outras informações úteis que possam colaborar no planejamento dessa propriedade.
Situação do País
O Brasil mantém, atualmente, aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, dos quais entre 45 e 50 milhões se encontram nos Cerrados, alimentando cerca de 200 milhões de bovinos, de acordo com o ultimo censo do IBGE. Apesar dessa imensidão de terra e o pasto ser o maior cultivo agrícola no Brasil, aproximadamente 70% do total se encontra em algum grau de degradação, o que tem prejudicado a melhoria da estatística da pecuária brasileira e incentivado o avanços dos pastos nas áreas de florestas.
Pasto de decumbens degradado, em Coxim – MS.
As pastagens brasileiras, na maioria das vezes, são estabelecidas em áreas menos nobres das propriedades, em locais de topografia acentuados, em solos de baixa fertilidade e ácidos, enfim, em locais que não são utilizados e não servem para a agricultura. Além dos diversos erros de manejo, essas pastagens se encontram degradadas nos mais variados estágios e as principais causas são a perda da fertilidade natural do solo, a infestação por ervas daninhas, a infestação por formigas, cigarrinhas, cupins, grilos, gafanhotos, lagartas, percevejos e outros insetos, erosões, problemas com algumas doenças e escolha inadequada da espécie forrageira, o que causa problemas de adaptação edafoclimática da espécie escolhida. Considerando apenas a fase de engorda de animais, a produtividade de carne numa pastagem degradada gira em torno de duas arrobas/ha/ano, enquanto na recuperada ou renovada pode atingir, em média, 16 arrobas/ha/ano.
A média de animais por hectare, no Brasil, é em torno de 0,6 u.a. (unidade de animais por hectare), o que equivale a 450 quilos de peso vivo, fator que, segundo os técnicos, vem comprometendo a rentabilidade do setor. Como a demanda internacional por carne e leite e seus derivados tem aumentado nos últimos anos, o produtor brasileiro, por não conseguir reduzir seus custos, tem sido prejudicado no mercado externo. Somente o manejo de animais em pastagens de boa qualidade pode reverter essa situação.
Programa específico
O produtor que mantém pastagens em áreas degradas, pode desenvolver um programa específico para sua recuperação e reforma, especialmente para as condições climáticas dessa época do ano. É importante ressaltar que a reforma não pode ser entendida como uma atividade isolada, mas sim fazendo parte de um conjunto de aplicações tecnológicas, que caminham juntas para aumentar a produtividade das propriedades agrícolas, visando a preservação do solo e tornando-o viável, economicamente. A implantação de um sistema eficiente de pastagens está intrinsecamente ligada às condições de fertilidade do solo, a escolha da espécie forrageira adequada e o volume pluviométrico da região.

A reforma não pode ser entendida como uma atividade isolada, mas sim fazendo parte de um conjunto de aplicações tecnológicas
A escolha da melhor semente de capim para ser plantada na propriedade é um ponto fundamental para se formar uma boa pastagem. Essa escolha é, muitas vezes, relegada ao segundo plano, mas deve-se ressaltar que os gastos com sementes de boa qualidade representam apenas 10% do custo total da formação da pastagem. O preço médio para se formar uma boa pastagem é calculada em R$ 1 mil por hectare, mas que pode variar conforme os níveis de fertilidade do solo, exigências da forrageira e o nível de produtividade desejado. A adoção desse tipo de reforma aumenta a perenidade dos pastos para em torno de oito a 10 anos, desde que se faça a adubação de manutenção. É possí-vel, em pastos reformados, chegar a uma lotação de seis a oito cabeças por alqueire, enquanto a média da região Noroeste, por exemplo, não passa de três cabeças.
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Pastagem já recuperada, após correção do solo e adubagem, semeado com brachiaria MG-5 bem manejada, em Água Boa – MT.
O pecuarista deve estar atento, também, com a hora de retirar o gado da pastagem. Na seca, quando o capim já não estiver crescendo mais, assim que chegar à altura entre 30 e 40 centímetros, os animais devem ser retirados. Os técnicos são unânimes em insistir que o pasto deve apresentar folhas suficientes para ser feita a fotossíntese, caso contrário, pode haver perdas para a pastagem. Se o pecuarista deixar o gado comer até o toco, muito perto da terra, o capim morre. Para melhor aproveitamento da pastagem, recomenda-se o pastejo controlado.
Para garantir um bom desempenho da nova pastagem, a manutenção tam-bém deve ser anual. A melhor época para se fazer uma nova análise do solo é a primavera. Basicamente, é o nível de fósforo e de potássio que vai governar a necessidade de adubação. Os técnicos recomendam, nos programas de reforma e recuperação de pastagens, realizar até duas adubações de cobertura por ano. A primeira pode ser feita 30 dias após o período das chuvas. A segunda, pouco antes do término das chuvas, entre fevereiro e março.
Plantio direto
Uma das alternativas para evitar a degradação ou recuperá-la de modo econômico, é o sistema integrado de rotação lavoura e pastagem, já conhecido como Integração Lavoura-Pecuária. Trata-se de um sistema que estabelece, simplesmente, uma rotação de cultivo, usando vários cultivos agrícolas, agregados à pecuária. A Integração Lavoura-Pecuária surgiu do uso do plantio direto, condição essencial para preservação da matéria orgânica do solo, fundamental para a produtividade do sistema e principalmente da manutenção da água armazenada no solo.
Tradicionalmente, para o preparo de solo no Brasil, tanto para a formação de pastagens como da quase totalidade das lavouras, adotou-se o processo mecânico, com arado e grade, principalmente como herança dos colonizadores europeus. E esse processo foi difundido durante muitas décadas. Sabe-se, atualmente, que isso é um erro, porque os povos que colonizaram o País são originários de países com clima temperado e subtropical, enquanto no Brasil o clima é essencialmente tropical. O grande problema para quem cultiva a terra num país tropical é justamente o de acumular matéria orgânica no solo. Nos países de clima temperado, acontece justamente o contrário, pois o solo daqueles países tem excesso de matéria orgânica, já que a decomposição naquele tipo de clima é muito mais lenta.
A técnica do plantio direto, é uma das ferramentas para se adotar o sistema de integração Lavoura-Pecuária. O solo brasileiro, em sua grande maioria, apresenta alta porcentagem de areia. São solos que já foram lavados e lixiviados durante muitos anos, acrescido do intenso preparo mecanizado que deixaram o teor de matéria orgânica em níveis bastante críticos. Quando se trabalha com o solo, é necessário pensar em suas várias condi-ções, no aspecto físico, no aspecto químico e no aspecto biológico.
Tem sido freqüente, quando se faz o preparo de solo, visar somente a parte física, o que pode se tornar um grande erro. Isso porque tem sido mais fácil desterroar o solo, nivelá-lo e eliminar plantas daninhas e restos da cultura anterior, com a utilização de grades e arados, ou seja, o preparo mecanizado. Só que essa condição traz conseqüências. Quando é feita a correção e fertilização do solo, os resultados muitas vezes não são satisfatórios. Isso ocorre porque o solo está tão exaurido, tão desgastado, que ele não tem mais condições de responder à calagem e à adubação, exigindo novas aplicações todos os anos. Quem permite a esse solo responder à adubação e calagem, é a matéria orgânica ou a argila. Como não dá para ficar colocando argila no solo, tem que repor a matéria orgânica.
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Uma das alternativas para evitar a degradação ou recuperá-la de modo econômico, é o sistema de Integração Lavoura-Pecuária.
Revertendo a degradação
O plantio direto surgiu exatamente para evitar ou reverter a degradação que havia no solo, conseqüência da mecanização exagerada que houve durante décadas. O plantio direto evita erosão, incrementa matéria orgânica no solo, faz com que a água da chuva não escorra superficialmente e mantém essa água no próprio solo, melhorando seu armazenamento. O plantio direto nada mais é do que eliminar o preparo mecânico do solo. Para o preparo do solo pelo sistema de plantio direto, usa-se apenas o herbicida.
Há muitas críticas a esse sistema, justamente pela necessidade de uso de herbicida. Mas atualmente muitos deles têm formulação toxicológica III ou IV, que não são tão tóxicos, embora a forma correta de controlar a toxidez desses produtos químicos é o seu uso correto. Utiliza-se o herbicida para dissecar toda vegetação e controlar as ervas daninhas e outras plantas invasoras.
A hora da decisão
Com a decisão de reformar ou recuperar as pastagens, quando a primavera chegar — estação que traz as primeiras chuvas para o preparo do solo e plantio —, o pecuarista deve desenvolver seis ações básicas para obter sucesso em seu empreendimento.
A reforma se faz necessária quando a degradação se inicia. A degradação começa ocorrer em primeiro lugar quando a forrageira tem queda de produção constante, como também o seu valor nutritivo e com o aparecimento de invasoras e de pragas e doenças. Em segundo lugar a degradação ocorre com a compactação e erosão do solo.
Portanto, a reforma consiste na eliminação mecânica ou química das plantas existentes. As ações seriam:
1. Renovação da pastagem anterior em degradação – Consiste no preparo do solo eliminando a pastagem degradada e proporcionando condições ideais para o plantio, germinação das sementes e o crescimento das plantas.
2. Melhoria da fertilidade do solo – Por meio da amostragem do solo e sua análise no laboratório, apura-se os níveis necessários de calagem e a adubação adequada para determinada forrageira, com objetivos e metas a serem alcançados no ano agrícola.
3. Aquisição das sementes - O insucesso freqüente no estabelecimento da pastagem é devido às sementes de baixa qualidade. Portanto, devem ser escolhidos produtos de boa qualidade. O parâmetro para a escolha das sementes mais utilizado no mercado é o VC (valor cultural) que é determinado pela condição física (pureza) e fisiológica (germinação) ao mesmo tempo.
4. Semeadura – É importante a escolha da forrageira ideal a ser semeada, conforme seu uso posterior no pastejo: se para cria, recria ou engorda. Deve-se levar em conta também a declividade do solo, sua profundidade, textura — se é argiloso ou arenoso —, drenagem — se é úmida, boa ou encharcada —, e também a relação com a fertilidade original.
5. Controle de invasoras em estágio inicial - Fazer o controle das invasoras com o uso químico no estágio inicial, para ter uma pastagem livre e produtiva.
6. Manejo adequado – O manejo da pastagem é o item mais importante para a manutenção e produção da forragem, sem o problema da sua degradação com o passar do tempo.
A hora já chegou para a decisão e início do planejamento de reforma da sua pastagem. Os itens mencionados são suficientes para que se tenha sucesso no empreendimento.
Sérgio Sato, engenheiro agrônomo e consultor técnico da Matsuda Sementes e Nutrição Animal.
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Gostei das informações contidas neste texto, porém não se falou dos tipos de capins de melhor qualidade para serrado, destinado a pastagem de gado e outros. Abraço. J…
As vossas informações sempre sãobem vidas,pois é de grande importância para nós criadores de pequeno porte. Abraço.
estou fazendo pesquisa sobre pastagens e gostei muito da materia de vcs parabens,pretendo iniciar uma criacao de gado tem alguma sugestao.
Gostei do material publicado, relembrei o que tinha aprendido no colégio Técnico, preciso agora, só reunir as espécies que serão consorciadas, visando ganho de peso do meu gado daqui no sul. Obrigado
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Estou interessada em recuperar uma pastagem que antes era provisório, mas está muito ruím. Quero mudar o tipo de capim.O terreno é um pouco arenoso.Esta matéria me deu uma idéia.Já posso pensar na semente. Obrigada!