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Bezerros: Pequenos em risco, prejuízos a vista

(postado em 27/04/2009)

Os primeiros 15 dias após o nascimento são os mais críticos na vida do bezerro. Estima-se que as mortes correspondam a metade de todas que ocorrem até a desmama. A boa notícia é que podem ser evitadas com medidas simples.

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Estudos mostram que a taxa de mortalidade de bezerros que mamaram pela primeira vez em três horas é de 3%, enquanto que os alimentados depois desse prazo é de 100%.

Texto de Cida de Oliveira 

Reduzir fatores que levam a doenças e à consequente mortalidade na criação de bezerros é essencial para o sucesso do sistema de produção. Ainda mais quando se trata de recém-nascidos, os mais frágeis quando comparados aos animais das demais faixas etárias. A medida não exige grandes investimentos, e sim procedimentos simples, como a ingestão do colostro preferencialmente nas três primeiras horas de vida do animal. 

Estudos mostram que a taxa de mortalidade dos bezerros que mamaram pela primeira vez dentro desse prazo é de 3%, enquanto que a dos alimentados depois dessas três horas é de 10%. Isso acontece porque os bovinos não transmitem anticorpos pela placenta, e sim por essa primeira secreção láctea após o parto. Popularmente chamado de leite sujo, o alimento vem carregado de todos os anticorpos criados no organismo da mãe pelas vaci nas que tomou e também pelas doenças que já teve. 

Essas células de defesa - as imunoglobulinas - são capazes de proteger o animal contra os vírus e bactérias causadores das doenças neonatais, como a diarréia, até por volta dos quatro meses de idade, quando terá seu próprio sistema imunológico desenvolvido. Tal proteção, no entanto, é absorvida integralmente pelo intestino dos regem nascidos somente nas primeiras 12 horas de vida do animal. 

Passado esse tempo, a capacidade de absorção de anticorpos vai sendo gradualmente reduzida, ate cessar completamente. E esses levarão ainda alguns dias para desempenhar o seu papel. “É por isso que nas primeiras semanas de vida os bezerros estão mais suscetíveis a infecções e necessitam de maiores cuidados”, explica a veterinária Márcia Cristina de Sena Oliveira, pesquisadora da área de medicina preventiva animal na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, SP. 

Caso a amamentação não aconteça naturalmente nesse período, é preciso ajudar a cria a mamar ate que consiga fazê-lo sozinha. Se isso não acontecer, o colostro deve ser dado na mamadeira. A mamada, natural ou não, estimula o intestino delgado a absorver os anticorpos presentes no colostro.

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Desde os primeiros sintomas da diarréia, o bezerro deve ser monitorado principalmente para evitar a desidratação e a acidose metabólica.

Os bezerros recém-nascidos devem permanecer em piquetes limpos, bem drenados e com sol no período da manha. A higiene ambiental é muito importante porque, afinal, são animais muito vulneráveis a infecções intestinais que vivem ali. Aqueles menos vigorosos - que não mamaram, são muito pequenos, com baixa vitalidade – merecem cuidado mais intensivo especialmente durante a primeira quinzena de vida. Assim é possível a adoção de medidas curativas e administração de medicamentos. 

O ideal é que todos os problemas ocorridos nesta fase, como dificuldade de parto, rejeição materna, excesso de agressividade da vaca, baixo vigor da cria e natimortos sejam registrados para que possam ajudar a identificar pontos críticos e suas causas. Deve ser incentivado também o registro da data e motivos dos óbitos.

A cura do umbigo é outro ponto de extrema importância para a sobrevivência. Impede a entrada e multiplicação de microrganismos causadores de onfaloflebites, conhecida vulgarmente como inflamação do umbigo, que podem trazer conseqüências bastante graves. Como atinge a corrente sanguínea, a infecção pode afetar vários órgãos vitais, causando abscessos no fígado, rins e coração, pneumonia e artrites. Se o umbigo for muito comprido, deve ser cortado a cerca de cinco a dez centímetros do abdômen, e não muito rente. “O uso da solução alcoólica de iodo tem sido a melhor opção para este tratamento e deve ser feita logo no primeiro dia de vida, quando o animal for separado da mãe para ser pesado e identificado: diz a pesquisadora da Embrapa. Esta solução deve ser aplicada até a completa desidratação e queda do cordão umbilical.

Alem de prevenir infecções microbianas, o adequado tratamento do umbigo impede que se instalem larvas de moscas que causam graves lesões, como as bicheiras causadas pela mosca varejeira. Em regiões em que esse problema é comum, recomenda-se associar o tratamento com iodo a medicamentos específicos para combater esses insetos. Esse procedimento reduz muito a ocorrência de bicheiras de umbigo em comparação ao simples uso de larvicidas em cima dos ovos.

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Outro grande problema entre os recém nascidos são as doenças pulmonares.

Estima-se que a taxa de mortalidade de bezerros, que varia conforme a região e a propriedade estudada, chega a 20% em alguns casos. As diarréias neonatais, que aparecem logo após o nascimento, são as principais causas. Segundo estatísticas, de cada 100 mortes de filhotes, 73 são causadas pela doença. A alta incidência exige um programa continuo de profilaxia. E como pode ser provocada por bactérias, vírus e protozoários, a origem deve ser diagnosticada por meio da coleta de amostras dos animais doentes. A partir do diagnóstico do agente ou agentes causadores é estabelecida metodologia de controle, que deve ser baseada, principalmente, na imunização das mães durante a gestação. 

A ingestão adequada do colostro ajuda a amenizar os efeitos da infecção. Outros métodos incluem a adoção de todas as medidas referentes melhoria do bem estar e da higiene do ambiente onde os animais estão alocados. “Se muitos em um mesmo lote apresentarem diarréia, 4 interessante que eles sejam removidos para outros piquetes para redução da contaminação e para que eles possam ser manejados e tratados de maneira adequada, sem chances de aumentar o estresse dos animais doentes: explica a especialista.

Desde os primeiros sintomas da diarréia, o bezerro deve ser monitorado principalmente para evitar a desidratação e a acidose metabólica - que pode reduzir o pH do sangue e colocar sua vida em risco. A água e eletrólitos perdidos com as fezes, como s6di0, potássio, cloro e bicarbonato, devem ser repostos pela administração de soros por via oral ou parenteral. Nos casos recentes, podem ser usadas formulações por via oral contendo estes eletrólitos. Nos casos onde já são percebidos sinais mais graves de desidratação, terapia por via endovenosa é a mais indicada.

“Como medida preventiva, podemos administrar o soro oral aos bezerros logo que aparecerem os primeiros sintomas de diarréia”: diz a veterinária. Essas soluções, segundo ela, podem ser preparadas na própria fazenda e devem conter água descontaminada, bicarbonato, sódio, cloreto, potássio e glicose em concentrações isotônicas. “O soro deve ser administrado nos intervalos das mamadas. O leite não deve ser retirado da dieta do animal, já que é de extrema importância para a boa nutrição, manutenção da saúde e não tem nenhuma influência negativa na intensidade da diarréia”, recomenda. Para evitar a ocorrência de infecção generalizada são usados antibióticos, preferencialmente por via parenteral - e não oral. Isso porque esses medicamentos dificultam o desenvolvimento dos microrganismos da flora intestinal normal dos bezerros.

Outro grande problema entre os recém nascidos são as doenças pulmonares. Causadas por vários tipos de vírus que destroem os mecanismos imunes dos pulmões, podem provocar lesões nos pulmões e abrir caminho para a invasão de bactérias causadoras de infecções. A maior ou menor incidência vai depender, principalmente, do tipo de criação e dos cuidados com os animais, que devem ser protegidos de condições adversas, como vento, chuva e frio extremos por tempo prolongado. 

Como acontece com as diarréias, a vacinação das vacas na gestação, a ingestão adequada do colostro e as condições gerais de criação são de grande importância na prevenção desses males. O tratamento é mais rápido e eficaz quando feito logo no inicio. Por isso, nas primeiras semanas de vida, a observação do comportamento dos bezerros deve ser feita por pessoa habilitada e de maneira criteriosa. Detectado qualquer comportamento anormal, o animal deve ser examinado. A elevação da temperatura retal associada a distúrbios respiratórios, falta de apetite e prostração podem ser indícios de broncopneumonias. 

Os animais devem ser examinados por um veterinário que irá fazer a auscultação, avaliar a extensão das lesões pulmonares e prescrever medicação na dosagem adequada. Na maioria dos casos, o uso do antibiótico por via endovenosa facilita a cura. Mas medicamentos como expectorantes, broncodilatadores e antitérmicos também podem ser usados.

Como se vê, não existe ainda nenhuma alternativa milagrosa que permite a obtenção de animais sadios e mais resistentes às doenças. A. adoção de medidas simples, como imunização das matrizes no pré-parto, a ingestão do colostro pelo bezerro no tempo adequado, cura do umbigo e manejo apropriado ainda são as mais efetivas para prevenir doenças, reduzir custos com medicamentos e serviços veterinários e garantir assim a qualidade dos animais adultos.

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O manejo passo a passo de bezerros recém nascidos

1. Vistoriar o local da maternidade antes do inicio das parições, tapar buracos e checar se as cercas e bebedouros estão em ordem.

2. Providenciar os equipamentos e materiais que serão utilizados na identificação e no cuidado com os bezerros (medicamentos, tatuador, pasta para tatuagem, aplicador de brincos, brincos, tesoura, pinga, agulhas, balança, etc.).

3. Separar as vacas em final de gestação, levando-as aos pastos maternidade um mês antes da data provável do parto.

4. O ideal é deixar as novilhas em um pasto separado do das demais matrizes.

5. Definir quem será o responsável pelo acompanhamento dos partos, o materneiro.

6. Visitar o pasto maternidade pelo menos duas vezes ao dia, pela manhã e à tarde.

7. Levar sempre uma caderneta para anotações de campo e lápis ou caneta.

8. Estar atento a dificuldades de parto, rejeição da cria e bezerro fraco, registrar o fato e comunicar ao administrador ou ao veterinário para que sejam tomadas as providencias necessárias.

9. Registrar na caderneta qualquer problema ocorrido (frio, chuva, ataque de urubus, troca de piquetes, etc.).

10. Não manejar bezerros recém-nascidos. Fazê-lo, de preferência, só após 6 horas do nascimento. Quando for detectado algum problema, agir imediatamente.

11. Conter o bezerro segurando-o pela virilha e pescoço. Nunca jogue o bezerro no chão. Levante-o um pouco e apóie na perna fazendo-o escorregar até o solo.

12. Cuidar do cordão umbilical.

13. Identificar o bezerro, preferencialmente por dois métodos. Sempre usar a tatuagem como um dos métodos, pois é definitiva e mais barata.

14. Pesar o bezerro assim que posséível.

15. Observar se o bezerro ingeriu o colostro e em caso negativo, ajude-o a mamar. Anotar na caderneta as prováveis causas (tetos e úbere grandes, bezerro fraco, rejeição maternal. Estes animais devem ser ajudados até que consigam mamar por conta própria.

16. Manter a rotina de visitas diárias, ou com a maior freqüência possível para diagnosticar qualquer problema, como bezerros fracos, apartados, com diarréia, etc.


Fonte: Boas Práticas de Manejo de Bezerros ao Nascimento, de Mateus J. R. Paranhos do Costa, Anita Schmidek e Luciandra Macedo de Toledo.

 

Publicado pela Revista Nelore n° 162 - abril de 2009 (DBOSul Editores)


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2 comentários

O umbigo do bezerro inchou, e não tem bicho, não achei solução neste site, agradeço se puder ajudar. grato heduban

heduban pereira costa - 19 de novembro de 2009, às 8:14 pm

Não sou pecuárista,mas sou apaixonado por gado nelore,e adoro saber informações sobre animais,por isso parabéns pelas dicas!!!!!!

carlos alexandre biroli - 24 de novembro de 2009, às 2:02 pm

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