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Manejo adequado de bovinos X globalização

(postado em 23/09/2009)

Cada vez mais o mercado exige produtos oriundos de cadeias produtivas que adotam práticas ambientalmente corretas
Cada vez mais o mercado exige produtos oriundos de cadeias produtivas que adotam práticas ambientalmente corretas

Por: Fernando Pinna*

Estamos vivendo em um mundo cada vez mais globalizado, onde a troca de informações ocorre de maneira simultânea e muito rápida. Em minutos as informações sobre preço da arroba, sanidade do rebanho, sistemas de criação, questão social e ambiental de determinada propriedade, estado e país fluem velozmente através da internet
Atualmente o mundo está muito preocupado com as questões ambientais, sociais e, principalmente, no que se refere à qualidade dos produtos de origem animal.  De acordo com os engenheiros de produção Mario Otávio Batalha e Antonio Marcio Buainain, as pressões para reduzir o desmatamento e controlar a ocupação da Amazônia podem ter impactos na cadeia de carne bovina, uma vez que existe um deslocamento da atividade pecuária para o norte do País.

A pecuária extensiva tem sido responsabilizada pela degradação ambiental em regiões tropicais. Dessa forma, a opção por um determinado sistema produtivo deve sempre considerar a possibilidade de intensificação da produção animal em uma dada área, liberando ou preservando espaços para a formação de reservas ambientais. O uso de sistemas de produção mais intensivos permitiria aumentar a sustentabilidade da atividade e agir proativamente para transformar essa imagem de preocupação com o meio-ambiente em um ponto forte da cadeia agroindustrial no Brasil.

Não podemos esquecer que o Brasil é o país líder na produção de carne bovina, possui o maior rebanho comercial do mundo – já que a Índia, dona do maior rebanho, não o comercializa por razões religiosas. Segundo estatísticas, o Brasil exporta, atualmente, carne bovina para mais de 100 países. Isso fortalece sua posição de maior exportador mundial de carne. Um dos principais motivos para o produto brasileiro ser consumido no mundo todo é que a quase totalidade de nossos rebanhos são criados livres, nas pastagens, e não em confinamento.

O boi brasileiro, denominado “boi verde”, tem  sua alimentação quase 100% baseada em pasto, o que resulta em menor teor de gordura e menores riscos de doenças originadas na alimentação à base de ração. Animais criados em confinamento, principalmente os do Reino Unido, que do nascimento ao abate recebem alimentação geralmente de origem animal, estão mais propensos a encefalopatia espongiforme bovina (Bovine Spongiform Encephalopaty – BSE)  – a popular doença da vaca louca. Trata-se de uma doença infecciosa degenerativa que afeta o sistema nervoso central do bovino e acaba matando o animal.

Há pesquisas que falam da correlação entre BSE e creutzfeldt-jakob (CJD) em humanos – daí a preocupação mundial da população em consumir carne de bovinos que receberam alimentação à base de origem animal, preferindo carne de bovinos a pasto. Em 2007, com os preços internacionais da carne bovina elevados, o Brasil teve uma alta de 25% nas exportações. Entre os meses de janeiro e julho o país comercializou 1,55 milhões de toneladas do produto, equivalente a US$ 2,55 bilhões. Devido à preocupação da população mundial quanto ao consumo de carne saudável e ecologicamente correta é que o produtor brasileiro deve cada vez mais se preocupar em adotar um manejo correto e eficiente para seu rebanho.

A tabela mostra o controle de entrada e saída dos animais conforme a forragem usada na propriedade
A tabela mostra o controle de entrada e saída dos animais conforme a forragem usada na propriedade

O manejo consiste em colocar em prática algumas medidas que venham interligar todas as questões já relacionadas.
Um bom modelo de manejo é a BPA (Boas Práticas Agropecuárias), programa desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que leva em consideração questões sociais, ambientais e o bem estar, além da sanidade e nutrição dos animais. Em relação à nutrição animal, devemos adotar medidas que garantam a esses animais expressarem todo o seu potencial produtivo.

Isso se faz através de um bom manejo das pastagens, respeitando o ciclo produtivo das gramíneas (conforme tabela acima). Isto é, com o controle da entrada e saída dos animais de acordo com espécie gramínea predominante na propriedade , além de uma boa adubação baseada na análise do solo, medidas estratégicas na época das águas e seca, tendo sempre boas aguadas e de uma eficiente suplementação mineral.

Uma suplementação mineral adequada consiste em utilizar suplementos de acordo com a categoria animal – que em ordem crescente de exigência nutricional seria cria, recria e engorda; verificar o estado vegetativo das gramíneas (período das águas e/ou seca); ter cochos cobertos e com dimensionamento corretos para cada tipo de suplemento, como linha branca, proteinados de baixo e médio consumo.
Enfim, se o produtor brasileiro começar a se adequar a essa nova evolução mundial, implantar de maneira correta as tecnologias que estão aí disponíveis, criar um sistema de gestão no qual se dedique mais à sua propriedade, encarando-a como uma empresa, certamente encontrará o caminho para o sucesso. Segundo dados da FAO, órgão das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, já em 2010, 25% de toda carne comercializada para abastecer o mercado mundial será brasileira. E em 2040,  a taxa subirá para 60%

Referências bibliográficas:

BATALHA, Mario Otavio e BUAINAIN Antonio Marcio. Cadeia Produtiva da Carne Bovina, volume 8.  Artigo encontrado no site: www.iica.org.br. Acesso em 28 de Agosto 2009, ás 9:48 h.

BARBOSA, Fabiano Alvim, CARVALHO, Fernando Antônio Nunes e MCDOWELL, Lee Russell. Nutrição de Bovinos a Pasto. Belo Horizonte – MG. PapelForm LTDA. 2003.
MATSUDA NUTRIÇÃO ANIMAL. Guia Técnico de Suplementos Minerais e Protéicos para Bovinos de Corte. São Paulo – SP. 2009. P 05.

www.rankbrasil.com.br, site visitado em 28 de Agosto de 2009, ás 9: 56 h.

*Fernando Pinna
Médico Veterinário do departamento técnico do Grupo Matsuda
e-mail: fernandopinna10@gmail.com


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